Violência amedronta população do Recife e Região Metropolitana

Por Daniel Júnior

A cobradora de ônibus Cristina Rodrigues lembra com tristeza o dia em que o seu filho, na época com 25 anos, foi assassinado durante um assalto em Porto de Galinhas, em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife (RMR), no ano de 2016. Já se passaram cinco anos, mas as ‘feridas’ estão abertas até hoje.

“Meu filho saiu de casa com uma quantia em dinheiro para adquirir uma moto. No caminho, ele foi assaltado. Mas não se conformaram, e mataram ele. Vai fazer cinco anos agora no mês de março, mas não esqueço um único dia desse acontecimento. Sinto muita falta do meu filho. Tenho outros dois, mas sempre fica um vazio. Sinto que algo está faltando.

Quando me reúno com a família, todos nós choramos a falta dele. Nada na minha vida será como antes”, relatou Cristina Rodrigues, enquanto cumpria seu trabalho em uma integração de ônibus da capital pernambucana.

Diante dessa situação, Cristina Rodrigues deixou um conselho. “Eu digo ao jovens de hoje que nunca confiem em ninguém. E que nunca reaja a um assalto, porque esses criminosos não pensam duas vezes para ceifar a vida de alguém”, aconselhou.

Trecho da Avenida Cruz Cabugá. A via é bastante frequentada por trabalhadores, mas também por criminosos

Avenida Cruz Cabugá. Importante via no bairro de Santo Amaro, que liga o Recife à cidade de Olinda, na Região Metropolitana. Trabalhadores que circulam diariamente na região denunciam à reportagem que vivem com medo das investidas criminosas e temem perder a vida.

“Trabalho aqui numa empresa no ramo de call center há um tempo. Largo às 20h. Quando vou para o ponto do ônibus não vejo um policial, mas encontro com muitos pedintes aqui. Eles nos seguem. Pedem muito. Ficamos com medo, assustados […]. Esperar um ônibus é uma tortura, porque demora, e às vezes a parada fica sem ninguém. Já fui assaltada nessa redondeza e sinto receio de andar nesse local, mas preciso vir”, afirmou uma operadora de telemarketing que preferiu não se identificar.

Ronaldo Albuquerque voltava do trabalho pra casa quando foi abordado por um assaltante na Ponte do Cabanga, no bairro de mesmo nome, no Recife.

“Eu tive a sorte de conseguir fugir do assaltante. Mas foi um grande susto. Eu estava de bicicleta. Quando percebi que iria ser assaltado, eu aumentei a velocidade no pedal. Soube que está tendo muito assalto naquela área”, denunciou Albuquerque.

De acordo com especialistas da área de segurança, diante de um assalto é recomendado que a vítima não reaja e que, após o acontecimento, registre um Boletim de Ocorrência numa delegacia de Polícia Civil mais próxima.

Ponte do Cabanga – Recife PE

Números

No mês de janeiro, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que o estado havia registrado 52.714 roubos ao longo do ano de 2020, número 33,8% menor que os 79.629 de 2019. A Secretaria de Defesa afirmou que o ano passado teve a menor quantidade de crimes violentos contra o patrimônio (CVPs) desde 2013, quando foram 51.406 boletins de ocorrência do tipo.

Os CVPs incluem roubos de veículos, celulares, cargas, ônibus, entre outros. Em meio à pandemia de Covid-19, o número de registros oficiais de roubos no Recife atingiu o menor patamar da série histórica da SDS, iniciada em 2005, quando foram contabilizados 29.582 crimes.

Foram 17.781 boletins de ocorrência na capital pernambucana por CVP em 2020. O menor total havia sido registrado em 2013, com 19.958 crimes do tipo. Em comparação com as 28.778 queixas de com 2019, a redução na capital foi de 38,1%.

Fonte: Blog Ricardo Antunes

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