Após crise econômica, Orla de Salvador se transforma em “cemitério de hotéis”

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A crise nos hotéis de Salvador atingiu situação dramática nos últimos anos. Segundo levantamento obtido pelo BNews com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-BA), cerca de 30 hotéis fecharam nos últimos cinco anos. No total, foram suprimidos cerca de 1800 apartamentos e mais de 4400 leitos. Entretanto, a frieza dos números não dão a  real dimensão das imagens a olho nu sobre o problema.
Quem quiser constatar a crise no setor, basta circular por toda a Orla da capital, onde um verdadeiro “cemitério hoteleiro” desde a Barra até a região do extinto Centro de Convenções da Bahia. Na Barra, por exemplo, o extinto Hotel San Marino foi vendido diversas vezes antes de fechar. Atualmente abriga camarotes no carnaval. Durante o resto do ano, no entanto, o local permanece abandonado e moradores de rua chegam a se abrigar no local.

Já o prédio do grandioso Salvador Praia Hotel, que deve ser reaberto em breve após um processo de restauração já aprovado pela Prefeitura de Salvador, tem marcas de pichação e vidros quebrados. Pela janela, é possível ver que os móveis são deteriorados com a ação do tempo.

No Othon, apesar do fechamento recente, é possível ver as marcas do tempo na pintura. Durante a noite, o letreiro imponente e brilhante de outrora já tem lâmpadas queimadas.

No Pestana, ainda há vida circulando pelo luxuoso saguão, já que há moradores morando em uma das torres do complexo. A torre principal, no entanto, apresenta já problemas de ação do tempo.

Chegando no Jardim de Alah, Hotel Atlântico fechado há três anos tem sinais de abandono. Na recepção ainda é possível ver um aviso com a tabela de preços das diárias e móveis abandonados.

No também extinto Hotel Del Mar, há mais de 10 anos fechado, moradores de rua ocuparam o antigo saguão do espaço. A antiga e glamorosa piscina está vazia e parte da estrutura metálica da fachada já começa a desabar.

Uma outra estratégia também utilizada pelos hotéis em crise é a estratégia de fechamento e reabertura com troca de CNPJ. Segundo o levantamento divulgado pela ABIH-BA, esse artifício foi utilizado pelo Convento do Carmo,  Eco Resort Caju (Camaçari), Pousada Pilar, Lagoa Praia e Pousada das Art’s.
Luciano Lopes, diretor de Marketing da ABIH-BA, elenca os motivos que levaram a crise do setor. “A gente não pode esquecer nos últimos cinco anos, vínhamos saindo de uma crise econômica. Então, o setor hoteleiro retraiu bastante. Foi um reflexo geral e muitos negócios foram fechados. Do ponto de vista macroeconômico, vivemos anos difíceis. E nos último ano de 2018, a economia teve um pequeno crescimento. Nossa expectativa para 2019 é que o Brasil volte a crescer em 2019”, ressalta.
Em dezembro de 2018, a taxa de ocupação foi de 64,40% comparando-se com o mesmo período do ano anterior, que foi 59,09% teve um incremento de 8,99%. A diária média teve um crescimento de 8,02% (R$ 246,32 em 2018 e  R$ 228,03 em 2017) enquanto o Revpar cresceu 17,73%, passando de R$ 134,74 em dezembro de 2017 para R$ 158,63 em dezembro de 2018.
Os números são fruto da Pesquisa Conjuntural de desempenho (Taxinfo), realizada em parceria entre a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – seções Bahia e Brasil. Os dados são fornecidos diariamente pelos próprios hotéis ao Portal Cesta Competitiva e a média resultante constitui indicador para avaliar a evolução da atividade de hospedagem em nossa capital.
Momento de otimismo
Apesar dos problemas dos últimos anos, o setor vive um momento de otimismo. A rede hoteleira de Salvador apresentou no ano de 2018 (de janeiro a dezembro) taxa de ocupação 62,14% representando um incremento de 10,29% em relação ao mesmo período do ano anterior de 56,34%. A diária média nesse período permaneceu praticamente estável (R$ 228,16 em 2018 e R$ 226,41 em 2017), enquanto o Revpar (indicador ponderado de taxa de ocupação e diária média) cresceu 11,14%, passando de R$ 127,56 (2017) para R$141,78 (2018).
Esta ocupação de janeiro a dezembro superou todas as taxas dos últimos seis anos, reforçando o crescimento e a retomada do setor. “A hotelaria da capital baiana fechou o ano em crescimento, tivemos as melhores taxas de ocupação dos últimos sete anos e um incremento de 11% no Revpar, entretanto, ainda temos que melhorar o crescimento da diária média. Será um dos grandes desafios em 2019”, afirma Glicério Lemos, presidente da ABIH-BA.
“Estes dados reforçam o trabalho intensivo da ABIH-BA, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) de Salvador com o objetivo de promover o Destino Bahia nos principais pólos emissores. Realizamos em 2018 diversas ações promocionais, como: o Road Show, FAM Show de Agentes de Viagem, FAM Show para operadores de viagem, Rodada de Negócios, Hospitality Experience (conhecido como Fórum Baiano da Hotelaria) e trouxe para Salvador o Conotel 2020, que será realizado no novo Centro de Convenções, na Boca do Rio. Todo este trabalho é refletido no crescimento do setor hoteleiro no ano de 2018”, enfatiza.
De acordo com a entidade, os resultados serão ainda mais expressivos em 2019. “Acreditamos que este ano teremos um desempenho muito melhor que no ano passado, com a construção e entrega do Centro de Convenções, na Boca do Rio iniciado pela Prefeitura Municipal, revitalização do Centro Histórico e chegada do Hotel Fasano Salvador e Fera Palace, obras de melhorias no Aeroporto Internacional de Salvador e ações promocionais do Destino Salvador, da ABIH-BA, em parceria com a Secult”, conclui Lemos.

Expectativa para o Carnaval
Segundo a Prefeitura de Salvador, são esperados 800 mil turistas apenas durante o Carnaval, sendo 403 mil do interior da Bahia e 267 mil de outros estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e Sergipe. Outros 130 mil são oriundos de países como Argentina, França, Itália, Portugal e Alemanha. No auge da festa, entre a quarta-feira (27 de fevereiro) e a segunda-feira de Carnaval (4 de março), navios de cruzeiro trarão 12.942 turistas para aproveitar a folia na cidade.
Estão previstos 9.879 voos para o período de fevereiro e março no aeroporto de Salvador, sendo 4.939 pousos, com capacidade de atender a 768.311 passageiros. Números para a alta estação, divulgados pela Secult nesta segunda-feira (11), apontam um crescimento de 3,3% na movimentação econômica, em relação ao ano passado, com a circulação de R$ 1,8 bilhão. O fato resulta no aquecimento de todo o comércio.
(Bnews)

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