Atriz de o sétimo guardião diz que passou a amar suas curvas inspira por Ashley Graham

Lyv Ziese: a atriz ama suas curvas e quer que mulheres se sintam sexy

Logo na primeira cena, ela estava de costas para a câmera rebolando, com um rabo de gato, envolta pela lingerie transparente. Nada que assuste Lyv Ziese, a Katiucha, uma das prostitutas do bordel de Serro Azul em “O sétimo guardião”. Há alguns anos, porém, a mesma desenvoltura com a qual apareceu na TV não seria a mesma.

Legítima representante do movimento plus size, a atriz estreia no horário nobre e espera que mulheres ditas fora do padrão se identifiquem com ela e sua personagem: “Quero mais é que venham várias cenas com bastante sensualidade pra eu poder mostrar que as gordas também são sexy à beça”.

Lyv Ziese: a atriz ama suas curvas e quer que mulheres se sintam sexy

Você tem como musa a top plus size Ashley Graham. Ela te ajudou a amar suas curvas?

Essa mulher me inspira muito, crush total nela (risos). Eu acho que comecei a ter uma percepção consciente de que eu amava minhas curvas depois que eu virei adulta, com a chegada forte das redes sociais. Eu tive a oportunidade de escolher as minhas referências de beleza em vez de simplesmente aceitar o que a mídia e as capas de revistas consideravam bonito. Isso me fez perceber que o conceito de beleza é muito relativo e que eu tinha o meu lugar no mundo também.

Até isso acontecer, como era se ver no espelho?

Eu nunca cheguei a odiar o meu corpo. Na verdade, ficava confusa porque eu gostava do que via no espelho, mas achava que não podia gostar, que só mais magra que eu seria “realmente” considerada bonita e teria sucesso. Eu me escondia nas minhas roupas porque achava que não tinha direito de usar as mesmas coisas que as meninas magras, que ficaria ridículo, que iriam me julgar.

Lyv Ziese: a atriz ama suas curvas e quer que mulheres se sintam sexy

Já perdeu trabalho porque “deveria emagrecer”?

Olha, se perdi algum trabalho por causa de peso, eu nunca fiquei sabendo. A única situação constrangedora que às vezes eu passo, até hoje, é quando vou fazer prova de roupa para algum personagem e quase nada me serve, me dá uma sensação ruim de anormalidade e às vezes tratam como se fosse superdifícil me vestir. Na minha opinião, a falta de corpos variados, principalmente jovens, fazem com que não saibam nos vestir. Mas foram casos isolados, não é sempre que acontece.

Com a personagem do bordel, o corpo fica em evidência, obviamente. Como acha que vai encarar as cenas sensuais?

Ainda não tive que fazer cenas na novela que realmente necessitassem de alta sensualidade da minha parte, mas eu já tive mais questões com isso no passado. Cada vez que conheço mais o meu corpo e me cuido e curto mais, mais eu me sinto confortável em lidar com a minha sensualidade em vez de levar automaticamente para a comédia como método de proteção. Eu também me sinto mais protegida quando tenho que ser sexy para um personagem do que simplesmente na vida. Eu já estou sendo bem ousada na escolha dos meus figurinos.

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O que espera com essa personagem?

Pra falar a verdade, ainda nem tive ideia da dimensão que é estar numa novela das 21h. Eu fico olhando o Twitter e morrendo de rir com os comentários, tem muita gente interessada no que esse cabaré tem pra apresentar. Eu espero que a minha Katiucha venha para dar alegria àquele cabaré, para ouvir segredos de Serro Azul, para quebrar ainda mais esses paradigmas de que gorda não pode mostrar barriga, perna, braço. Que as mulheres vejam a Katiucha e se sintam mais à vontade em suas próprias peles para fazerem e vestirem o que elas quiserem, para serem megasexy.

Ja teve vontade de ser magra, mas teve medo de ser vista como “traidora” do “fat proud”?

Nunca tive vontade de ser magra, já tive vontade de ser mais magra do que eu era, aliás no momento estou fazendo dieta com acompanhamento de uma nutricionista e uma endocrinologista porque não estava me sentindo bem comigo. Mas já me peguei, sim, preocupada com isso. Só que depois de refletir muito e de muitas conversas com outras mulheres e atrizes, eu entendi que se eu entrar nessa de achar que eu estou traindo o “movimento”, não estaria sendo nada diferente do que a ditadura da magreza prega. Acho que o “fat proud” veio para mostrar que todos os corpos, não só os magros, têm valores e são bonitos, e não para nos colocar outro rótulo e em outra caixa. Se não estou me sentindo bem, mudo. O movimento veio para libertar as mulheres e não para aprisioná-las em outro padrão.

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Namorar já foi um problema?

Acho que foi o lugar que mais tive dificuldade na minha vida, porque eu sempre usei a comédia como forma de proteção por não estar no padrão. Eu nunca soube flertar. Até hoje não sei. Eu me zoava antes de outra pessoa me zoar. Eu me tornava amiga pra não ter que talvez lidar com uma rejeição. A adolescência é algo muito cruel, a gente não se entende, não se conhece, é influenciável e eu estava totalmente convencida na época de que eu era boa o bastante pra ser amiga dos meninos da minha idade, mas nunca mais do que isso. E isso me acompanhou durante muito tempo. O meu atual namorado me ajudou muito a enxergar que eu sou desejável como mulher e não só como amiga.

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