Bolsonaro cria crises para justificar ditadura

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia

A nomeação de um general do Alto Comando do Exército para o ministério mais próximo ao presidente da República e o ataque patético do general Augusto Heleno a Lula preconizando sua prisão perpétua aumentaram o temor de que as crises em série que Bolsonaro produz desde a posse têm um objetivo: o fim da democracia. Ontem abriu mais uma crise com o STF ao criticar a decisão de criminalizar a homofobia.

Heleno tem que ser convocado para explicar na Câmara dos Deputados – a casa do povo – o que a sua explosão de fúria quis dizer.

Precisamos saber – nós, o povo – se a prisão perpétua de Lula é apenas um desejo pessoal ou do governo Bolsonaro. E porque a mencionou se não existe nas leis brasileiras.

Ele também precisa responder se a ala militar vai reagir a uma possível anulação da condenação de Lula pelo STF no próximo dia 25. Se vai aceitar o resultado do julgamento democraticamente ou fazer como os generais de 1961 que impediram a posse de Jango, o vice-presidente, quando Jânio renunciou.

Não gostei nem um pouco das declarações ao “Globo” de hoje do general Ramos, o novo ministro, de que vai para o governo “cumprir uma missão” que recebeu de seu comandante, o general Pujol.

Ele veio reforçar o time da extrema-direita, chamado também de “ideológico”. Bolsonaro o chama de “meu pitbull”.

Consolida-se, com sua chegada, o desenho que Bolsonaro deseja de seu ministério: todos têm que pensar exatamente igual a ele. O mais à direita possível.

Esse é o primeiro passo de sua escalada rumo ao trono de ditador. O segundo é fazer com que o Congresso e o Judiciário também pensem igual a ele.

Todas as crises são aliadas de Bolsonaro. Políticas, sociais, econômicas. Por isso ele as produz.

Quanto mais agitação, mais instabilidade, mais balbúrdia, mais desordem, mais argumentos ele terá para justificar a volta da ditadura militar, pois só militares poderão dar um jeito na bagunça pela qual vai culpar os políticos e o STF – e vender essa fake-news à população via twitter e whatsapp.

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