Datafolha: Mulheres e negros são maioria entre evangélicos brasileiros

Congregações neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus e a Renascer em Cristo, atingem um público 69% feminino

Igreja evangélica em Minas Gerais (Foto: Gazeta Central)

Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (13) revelou que as mulheres são a maioria entre os evangélicos do país. Ao todo, elas representam 58% deste grupo religioso, que é mais representativo na região Norte. Negros possuem porcentagem semelhante e somam 59% dos fiéis.

Em algumas igrejas evangélicas, como as congregações neopentecostais Universal do Reino de Deus e a Renascer em Cristo, a participação feminina chega até 69%. A presença de mulheres nas igrejas evangélicas também é maior em comparação com as católicas. Entre adeptos desta última, mulheres são 51%, e homens, 49%. Compatível, portanto, com a representação dos dois gêneros na sociedade.

Ainda, o universo evangélico é mais negro do que o católico. Os que se declaram pretos ou pardos são 59% no primeiro grupo e 55% no segundo. Já os brancos, no catolicismo, são 36%, contra 30% do grupo evangélico.

Outro dado do Datafolha mostra que mais velhos tendem a preferir o catolicismo: 25% dos idosos segue a linha do Vaticano, e 16%, a evangélica. A renda, no entanto, é similar. Nos dois grupos, quase metade ganha até dois salários mínimos, e 2% diz viver com mais de 10 salários mínimos.

Evangélicos fazem parte do núcleo de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. No entanto, segundo o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, mulheres e negros mantém opiniões divergentes das que predominam nas igrejas. “São os segmentos mais críticos ao governo Bolsonaro, que tem apoio explícito dos bispos. Para muitos evangélicos, especialmente os mais pobres, a realidade violenta e carente das periferias se sobrepõe às possíveis orientações políticas dos cultos”, disse, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

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