Dilma chama ministros para iniciar pente fino em assuntos ligados à Copa do Mundo

 Depois de novas críticas da Fifa sobre o atraso nas obras das cidades-sede que irão receber os jogos da Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff convocou nesta quarta-feira reunião com nove ministros, que durou cerca de três horas, para iniciar uma operação “pente fino” nas diversas áreas relacionadas, especialmente sobre os problemas nos aeroportos e a segurança nos estádios e de autoridades. A pouco mais de cinco meses do início da Copa, o sinal amarelo no Palácio do Planalto acendeu devido a atrasos em obras e dúvidas sobre a eficiência do sistema operacional para o evento. Segundo relatos, a presidente estava apreensiva e exigiu que as apresentações dos ministros descessem até os mínimos detalhes.

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As reuniões com os ministros serão constantes a partir de agora, quando, disse a presidente, espera respostas efetivas. E já nos próximos dias, Dilma também chamará para reuniões no Planalto os governadores dos 12 estados que vão sediar os jogos. A presidente pretende fazer duas reuniões, com grupos de seis governadores para acompanhar o quadro de cada local e cobrar soluções.

De acordo com relato de um dos ministros presentes à reunião, Dilma fez uma espécie de interrogatório com seus subordinados a respeito dos problemas que cada pasta está enfrentando relacionados ao evento Copa. A presidente deu um prazo de menos de 24 horas para que os ministros apresentem respostas. A presidente exigiu que em nova reunião, já nesta quinta-feira, os ministros tragam um plano de soluções detalhado para cada um dos obstáculos que terá de ser enfrentado nos próximos meses. Nas palavras de um dos participantes, Dilma disse que “terminou o superávit, agora é a vez da Copa”.

Apesar das declarações de que tudo está dentro do prazo — em resposta às críticas do presidente da Fifa, Joseph Blatter — Dilma manifestou muita preocupação, na reunião de ontem e em conversas recentes com ministros, com os prazos e com as constantes críticas e cobranças sobre vários setores envolvidos na organização do evento, inclusive com a estrutura hoteleira no país.

Aeroportos: principal preocupação

A principal preocupação da presidente é com a situação dos aeroportos. Segundo contou um dos participantes da reunião, o momento de maior tensão durante a conversa com os ministros foi quando o titular da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, fazia uma explanação “otimista” a respeito do andamento das obras nos aeroportos, afirmando que estavam bem encaminhadas e que ficariam prontas dentro do cronograma previsto. O ministro levou um corte de Dilma.

— Não é isso que eu estou ouvindo falar — rebateu de imediato Dilma.

Outro grande foco de preocupação da presidente é com a questão da segurança. Na reunião, da qual participou também o ministro da Defesa, Celso Amorim, Dilma ressaltou que será necessário assegurar a integração das polícias para um monitoramento constante sobre as manifestações populares que podem ocorrer durante o evento. Ela destacou que diversos chefes de Estado estarão presentes nas cidades-sede e que isso é um motivo a mais pelo qual a segurança não poderá ter falhas.

Dilma Rousseff cobrou também um bom funcionamento no setor de comunicações. Há uma inquietação por parte da presidente com a questão da internet wi-fi nos estados e com o funcionamento normal das linhas de telefone celular. Para Dilma, falhas nesse setor teriam o potencial de comprometer a imagem do Brasil como potência emergente. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, relatou as dificuldades na sua área e apontou que algumas delas dependem de ação de empresas, como o caso do funcionamento de celulares nos seis estádios que ficaram de fora da Copa das Confederações.

O governo está cobrando a realização dessas obras e adaptações porque considera “um vexame” os torcedores não poderem utilizar telefone celular nos estádios para transmitir fotos do evento, por exemplo.

Integrantes do governo afirmam que, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi cobrado R$ 2 mil por antena de telefonia móvel. Já esses seis estádios estariam querendo cobrar agora até R$ 15 mil por ponto.

A presidente voltou a cobrar seus ministros para que tudo esteja concluído antes de junho. Estavam presentes também na reunião os ministros das Minas e Energia (Edison Lobão), da Secretaria de Portos (Antônio Henrique da Silveira), das Cidades (Aguinaldo Ribeiro), da Casa Civil (Gleisi Hoffmann), do Planejamento (Miriam Belchior), dos Esportes (Aldo Rebelo).

 

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