Em protesto, dezenas de professores interditam a ponte Presidente Dutra contra Wagner

Antonio Carlos na linha de frente

Thalita Bezerra – Ação Popular

Os Professores da Rede Estadual da Bahia continuam em greve em Juazeiro. A paralisação da educação ultrapassa 51 dias, sem solução por parte do Governo cujo Projeto de Lei 19.779/2012, foi aprovado pela Assembléia Legislativa e destrói com a carreira do professor baiano. A professora do Colégio Lomanto Junior, Leci Souza, diz que a decisão do governo é um total descaso e ao mesmo tempo uma grande decepção para a categoria.

Antonieta Araújo, como sempre, impulsionando a categoria

“Estamos em um País que a ditadura já se foi e quando a gente vê que a maioria das escolas não tem estrutura nenhuma, muitas vezes nem encontramos carteiras, o aluno às vezes tem uma merenda precária, falta livros, mesmo as pessoas que não votaram no governo Wagner estão sem acreditar e admitir que nós estejamos passando por um momento desses, além de não aceitar a greve ele suspendeu o nosso pagamento, estamos em uma ditadura acirrada”.

Leci Souza

Revoltada, a professora Leci disse que não esperava essa atitude do governador. “Infelizmente dentro do cenário político brasileiro existe político de todos os tipos e se formos analisar os discursos são os mesmos, eu não estou ‘decepcionada’, mas dele eu não esperava tanto porque o PT é o partido dos trabalhadores e eles sempre estiveram à frente dos movimentos”.

Expedito Vasconcelos

Já o diretor da APLB sindicato, Expedito Vasconcelos afirma que o governo Wagner insiste em dizer que não tem condições de dar o reajuste, através do seu preposto o secretário de educação Osvaldo Barreto.

Moacir Mesquita em apoio aos educadores

“De educação esse secretário não entende é nada, vem com conversa que quer dar um reajuste de 6,5%, sendo que ele recebeu acima de 21%, se não respeitar os acordos e nem reajustes salariais a categoria não retornará a sala de aula e isso já coloca em risco o ano letivo e a responsabilidade de tudo é do governador”, critica o diretor.

Revoltados com a intransigência do Governo, grevistas interditaram a ponte

Ele diz ainda que em Juazeiro mais de 90% das escolas estão paralisadas. “Apenas a escola do colégio militar e alguns professores que retornaram ao Colégio Modelo e Cecílio Mattos que estão juntando turmas para passar filmes, os alunos já estão indignados e dizendo que estão gastando passagem para assistir filmes e que não vale apenas sair de casa para assistir filmes”, conta.

Professora Roneide

Atualmente a APLB de Juazeiro representa os municípios de Sobradinho, Abaré, Curaçá, Senhor do Bonfim, Jaguarari e Campo Formoso. “A única escola que retornou dentre esses municípios foi à escola Maria José em Sobradinho, as demais estão 100% paradas”. Na ocasião, Expedido disse que a categoria decidiu interditar a ponte presidente Dutra para chamar a atenção do governador.

Coronel Geraldo e Vilma Rosa foram prestar solidariedades aos grevistas

“Fizemos isso porque vai ter uma repercussão nacional e o governo vai acordar ou sair da posição que ocupa. Wagner só anda viajando para não enxergar que a Bahia está em greve, essa foi a formula que ele encontrou para se sair do problema, então está tudo escuro para ele”.

Estudante simboliza insatisfação com o governo

Por sua vez, a professora Antonieta Araújo parabenizou a equipe que está organizando o movimento grevista. “Na realidade já era hora da sociedade acordar porque educação não é responsabilidade somente dos professores e os nossos alunos estão sem aula por conta de um Governador que na sua intransigência se nega a cumprir acordo e sentar na mesa para negociar com a nossa categoria. É importante que toda sociedade se levante e reivindique”.

Dezenas de professoras foram as ruas

Insatisfeita, Antonieta disse que a categoria está vivenciando uma verdadeira queda de braço. “De um lado nós temos um governo intransigente, ditador, arrogante e prepotente que quer impor a sua vontade e do outro lado nos temos a nossa categoria batalhadora que está lutando até a morte para defender o direito da educação. Todos sabem que até agora Wagner não fez nada pela Bahia e nem pela educação, ele é um homem sem palavra e que não pode continuar no governo”.

A cada dia aumenta a revolta contra o governo

Na oportunidade, a professora Antonieta fez alguns comparativos da greve em relação ao estado de Pernambuco. “Enquanto em Pernambuco cada aluno vai receber um tablet para estudar e acompanhar as suas aulas, na Bahia tem alunos que não receberam nem livros, em Pernambuco cada professor recebeu um notebook, na Bahia os professores trabalham com cuspe e pincel e se ele estiver acesso a internet na sua casa prepara as suas aulas, caso contrário ele vai para sala de aula utilizando somente esses recursos”, reclama.

A comerciante Jovinha presta solidariedade ao movimento

“Em Pernambuco tem um data show por sala, na Bahia tem um data show para toda a escola, em Pernambuco as salas são climatizadas, na Bahia as salas com ventiladores e isso são quando tem, em Pernambuco existem carteiras para todos, na Bahia nem cadeira para os professores sentar, Pernambuco merenda de boa qualidade, na Bahia péssima qualidade, dentre outros”, criticou a professora.

Alunos e pais foram as ruas em apoio a greve

Por outro lado, a senhora Cremilda Costa que é mãe de um dos alunos que estuda na rede estadual lamentou a situação. “As escolas já estão paradas há 51 dias, tem o dinheiro do Fundeb e não está sendo investida na educação, a maior renda do Fundeb é da Bahia. Precisamos de uma posição, os mandos e desmandos do governador estão chegando a todos os municípios, através das prefeituras e isso não pode ficar assim e todos nós sabemos que o governador não está honrando nenhum acordo, queremos respeito e que a situação se resolva o quanto antes”.

Theodomiro Mendes

Solidário ao movimento, o vereador Theodomiro Mendes (PR) do município de Curaçá prestou apoiou aos professores.“É muito preocupante essa situação, já se passaram 51 dias de greve e todos sabem que estão comprometendo o ano letivo”.

Pedrina Maria, da área de saúde foi prestar solidariedade a categoria

“Não podemos acreditar em um governo que não cuida da educação, em Curaçá o movimento continua firme e os professores estão decididos a lutar pelo reajuste. Quero deixar o meu apoiou e dizer que estou aqui para ajudar no que for preciso”, concluiu.

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