Enio Verri: ‘Ratinho precisa tomar atitude adulta e democrática’

O deputado Enio Verri (PT-PR), ao discorrer sobre os motivos que levarão os servidores públicos do Paraná à paralisação, no dia 29 de abril, cobra do governador Ratinho Junior (PSD) uma atitude adulta e democrática.

Sem demagogia e sem hipocrisia

Enio Verri*

O governador Ratinho Júnior está a dias de ratificar sua admiração e devoção aos servidores públicos. A data-base dessa representatividade da classe trabalha é no dia 1º de maio. A defasagem nos reajustes dos salários está atrasada em 16%, pois o governo retrasado descumpriu acordo, além de espancar mais de 200 pessoas indefesas, em 29 de abril de 2015, para se apropriar de R$ 8,5 bilhões do ParanáPrevidência. Em 2018, Júnior, então deputado estadual, criticou o 1% oferecido pelo governo do qual foi secretário. Na ALEP, assinou emenda ao projeto para que os servidores recebessem 2,65%, ainda abaixo da inflação dos últimos 12 meses, que foi de 4,5%.

Ratinho Júnior chegou a ocupar um espaço num dos noticiosos de uma das empresas de sua família, para defender o repeito aos professores, aos policiais, aos servidores da Secretaria de Agricultura. Afinal de contas, segundo Júnior, quem toca o estado são “os nossos servidores públicos”. Na oportunidade, Ratinho afirmou aos telespectadores do telejornal que não se pode tratar assunto tão sério com demagogia e hipocrisia. O governador surgiu no horizonte como um oásis de democracia e respeito pelos trabalhadores, não fosse afirmação sua, passadas as eleições, segundo a qual, reajuste, agora, ainda que apenas a inflação, seria uma irresponsabilidade.

Esse posicionamento afronta uma legião de servidores públicos, assessores técnicos com a competência de munir o então deputado e secretário de governo, de informações para ele saber que houve um aumento de R$ 2 bilhões na arrecadação do Paraná. Os servidores estão há três anos sem reajustes. Depois da mudança de opinião na alternância entre oposição e situação, o governador está numa situação na qual o seu posicionamento demonstrará a sua maturidade política. Dizer que foi iludido por análises erradas é tratar o servidor de uma maneira que não é a via pela qual se construirá uma relação merecida e necessariamente respeitosa.

Sem os reajustes, os servidores perdem dois salários por ano. O governador não tem demonstrado o tato necessário para lidar com a questão, a uma semana da data-base. Ratinho não deu satisfação alguma sobre as reivindicações apresentadas ao secretário de Administração e Previdência, Reinold Stephanes. Vários sindicatos convocam uma paralisação para segunda-feira (29). A data tem os objetivos de marcar uma das mais vergonhosas páginas da história paranaense e convocar o passageiro governador à mesa de negociações, a fim de tratar não apenas da data-base, mas da necessidade de concursos e a recuperação da capacidade humana e material do serviço público.

Os servidores pretendem, também, demonstrar ao governador o equívoco da reforma da Previdência. Em pelo menos 180 municípios do Paraná, a Seguridade Social representa de 30% a 60% das receitas. Uma atitude adulta e democrática é o que os servidores públicos e a população esperam de Júnior, para tratar de todas essas questões, como disse Ratinho, na TV da família, com democracia e sem dissimulação. Os servidores públicos do Paraná devem ter a certeza de que governador dará atenção tanto quanto maior for a contundência da demonstração de interesse em debater. Somente com uma expressiva ocupação das ruas, Ratinho dará a merecida atenção.

*Enio Verri é economista e professor licenciado da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores do estado do Paraná.

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