Geraldo Alckmin vai terceirizar serviço de 190 da PM

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A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo vai terceirizar o atendimento de emergências por telefone da Polícia Militar – o 190. Empresas privadas serão contratadas por licitação. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse ver a iniciativa “de maneira positiva”.
“É um estudo que está sendo feito, que ainda não está definido”, alegou ontem o governador, em evento no Palácio dos Bandeirantes. O projeto-piloto, porém, está pronto e começa pela capital, Osasco e São José dos Campos. O modelo de licitação já está definido e aguarda aval jurídico.

Alckmin argumentou que o objetivo é liberar parte dos 700 PMs do 190 para que voltem às ruas. “Devemos ter cada vez mais o policial na atividade-fim. O policial é um profissional extremamente especializado. Você pode ter civis nesse trabalho liberando os policiais”, disse o governador.

Estudo da PM apontou que, com 150 mil ligações por dia, o atendimento que funciona 24 horas deveria ter 1,2 mil funcionários. Sem ter como retirar mais policiais das ruas, o governo decidiu testar um modelo já implementado em Minas, Distrito Federal, Rio e Sergipe.

“Essa medida faz parte de uma atividade que já está sendo desenvolvida faz um tempo pela Polícia Militar, que é eliminar o emprego de policial em atividade-meio e empregá-lo em atividade-fim”, disse o secretário Fernando Grella Vieira, em visita a Campinas, anteontem.
As equipes contratadas serão treinadas e trabalharão sob orientação de policiais, segundo a PM. A proposta de terceirizar, no entanto, é duramente criticada por especialistas em segurança pública.

O argumento de que é para reforçar o policiamento na rua não procede. Boa parte não tem mais o perfil”, disse o analista criminal Guaracy Mingardi, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Para ele, se parte dos 700 PMs que atuam nos 15 Comandos de Operação da Polícia Militar (Copom) for liberada, o número é muito baixo para resolver a falta de policiais nas ruas. O Estado tem mais de 90 mil Pms.

Em janeiro de 2010, a morte de um comerciante que ligou para o 190 levantou dúvidas sobre a terceirização em Sergipe. A vítima ligou e informou que havia suspeitos em uma moto na frente de sua loja. A atendente pediu placa, detalhes dos homens e não processou o pedido. O comerciante foi morto com um tiro na cabeça. (Ricardo Brandt, Agência Estado)

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