Gestão fiscal difícil em 96% das cidades de PE; Petrolina em situação difícil

Triunfo apareceu no topo do ranking entre as cidades do Estado com melhor saúde fiscal

Triunfo apareceu no topo do ranking entre as cidades do Estado com melhor saúde fiscalFoto: Helia scheppa/arquivo folha

A gestão fiscal de 96% dos municípios de Pernambuco é difícil ou crítica. Mesmo sabendo que a melhora das contas depende de um conjunto de ajustes e reformas, as cidades não fazem o dever de casa e esbarram na falta de recursos em caixa para cobrir os restos a pagar acumulados no ano, no elevado comprometimento do orçamento com despesa de pessoal e no baixo volume de investimentos – principais indicadores que influenciam o resultado. Os dados são do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), realizado pelo Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), com base em dados oficiais de 2016 declarados pelas prefeituras à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Recife teve situação fiscal classificada como difícil, enquanto Triunfo apareceu no topo do ranking entre as cidades do Estado com melhor saúde fiscal.

Segundo o levantamento, nenhum município de Pernambuco tem gestão de excelência. Apenas sete prefeituras (4%) registram boa gestão fiscal, enquanto 104 (59,1%) têm situação crítica e 65 (36,9%), difícil. A média estadual ficou abaixo do nacional em todos os indicadores avaliados pelo IFGF. Os resultados se explicam, por exemplo, pelo fato de três em cada quatro cidades pernambucanas (75%) não terem investido nem 8% de suas receitas em 2016 e, com isso, terem recebido conceito D.

Entre os dez melhores do ranking pernambucano, os três primeiros colocados, além de Triunfo (0,6895 ponto), são Casinhas (0,6780) e Jurema (0,6330) – se destacam pelo grau de excelência na programação financeira. Isso porque, todos receberam conceito excelente em Liquidez, indicador que avalia se a cidade encerrou o ano com recursos em caixa para cobrir os restos a pagar acumulados. A lista dos maiores IFGFs do estado é seguida por Santa Filomena (0,6242), Jucati (0,6132), Agrestina (0,6101), Ipojuca (0,6088), Garanhuns (0,5974), Recife (0,5958) e Itapetim (0,5800).

Décima quinta colocada no ranking das capitais brasileiras, Recife teve sua situação fiscal classificada como difícil, apesar de aparecer entre os maiores resultados de Pernambuco. Junto à capital, outras quatro cidades formam o grupo que corresponde a 36,1% da população do estado: Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Caruaru e Petrolina. Esses municípios também têm situação difícil. Apesar disso, vale destacar os avanços de Caruaru (20,2%) e Jaboatão (17,6%) em crelação a 2015, impulsionadas, principalmente, pela Liquidez.

Os dez piores resultados de Pernambuco estão, também, entre os 100 piores resultados do País. A lista é formada por Gameleira (0,1355 ponto), São João (0,1322), Barreiros (0,1261), Aliança (0,1247), Sairé (0,1242), Barra de Guabiraba (0,1208), Ribeirão (0,1191), Escada (0,1128), Parnamirim (0,1095) e Maraial (0,1067), último do estado. Na análise do presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota, o impacto desse controle está na rejeição das contas. “Espero que o cenário mude, já que boa parte da gestões mudou”, sinalizou.

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