Governador da Integração, Nilo Coelho completaria 100 anos na próxima segunda (2)

No próximo dia 2 de novembro, o médico, empresário, industrial, deputado estadual, deputado federal, governador de Pernambuco, senador e presidente do Congresso Nacional, Nilo de Souza Coelho, completaria 100 anos. A data será lembrada em Brasília – DF, com a realização de uma sessão especial pelo Senado Federal e em várias partes do País a exemplo de Recife – PE e Petrolina – PE, onde ele nasceu, no dia 2 de novembro de 1920, e se transformou na maior liderança política do município.

Realizador de obras estruturantes a exemplo da ampliação da rede de eletrificação rural e da criação da Fundação de Desenvolvimento Municipal de Pernambuco (Fiam), Nilo Coelho integrou as regiões do sertão e agreste ao litoral, inaugurando os 800 quilômetros da rodovia pavimentada entre Recife e Petrolina e construindo os primeiros viadutos para o escoamento do tráfego urbano na capital do Estado, Recife. Por estas obras passou a ser chamado pelos pernambucanos ‘Governador da Integração’, ‘Governador Estradeiro’.

Entre os anos de 1967 e 1971, também foi o governador que implantou a Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (FESP), hoje Universidade de Pernambuco (UPE). Criou a Companhia de Mecanização Agrícola e os Distritos Industriais de Pernambuco S/A, instituiu ainda o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (LAFEPE), o Instituto de Pesos e Medidas, a Comissão Estadual de Controle da Poluição das Águas, o Departamento de Trânsito de Pernambuco e substituiu a Imprensa Oficial por uma empresa de economia mista, a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE).

Irrigação

Entretanto a obra mais marcante para o povo sertanejo foi certamente a criação do projeto de irrigação Massangano, depois chamado de Projeto Senador Nilo Coelho e que o transformou também no ‘Governador da Irrigação’.

“No sertão pernambucano prevalecia praticamente só a cultura da cebola. Com a implantação deste perímetro público irrigado foram disponibilizados para os produtores mais de 20 mil hectares e o Vale do São Francisco passou a produzir em larga escala culturas permanentes a exemplo de banana, uva, manga, coco, acerola e goiaba”, recorda o presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport) e amigo de Nilo Coelho, José Gualberto de Almeida.

Lembrando que o Vale hoje produz 43,9 milhões de toneladas de frutas e responde por 86% da manga exportada no Brasil, e 99,9% das uvas enviadas para fora do País, José Gualberto, acrescentou ainda que a determinação e a força política de Nilo Coelho foi um dos principais pilares para a consolidação da região enquanto produtora e uma das maiores exportadoras de frutas do mundo.

Igual opinião tem o diretor de Marketing da Valexport e sobrinho de Nilo Coelho, Caio Coelho. Citando os números alcançados na última safra, o diretor também lembra o crescimento vertiginoso da região desde que foram introduzidas as técnicas de irrigação sob o olhar atento de Nilo Coelho.

“Em 2019 foram exportadas 189.864 toneladas de mangas e 46.724 toneladas de uva, movimentando aproximadamente US$ 300 milhões. Uma atividade que é a principal fonte geradora de renda e possibilita a oferta de 85 mil empregos diretos na produção de uva e 76 mil empregos diretos na produção de manga”, ressaltou Caio Coelho, adiantando que a expectativa para 2020 é de um aumento na produção de manga e uvas na ordem de 5% e um aumento de 10% nas exportações de ambas as frutas.

Expectativas e possibilidades construídas a partir do trabalho e da determinação do povo nordestino. Do ‘Menino Beradeiro’ que aprendeu com o Rio São Francisco e os remeiros a lição do diálogo, negociação e entendimento: “Não há barreiras políticas insuperáveis quando se trata de atender aos anseios do povo e aos interesses da pátria”. Nilo Coelho faleceu em São Paulo no dia 9 de novembro de 1983, após sofrer um infarto enquanto discursava no Senado, aos 63 anos de idade. Do espírito arrebatado, independente e franco, falam seus versos em voz alta: “Se os bons ventos nos faltarem/estarei na proa para acertar a cadência das remadas. Remando ou varejando não importa sangre o peito: saberemos lutar”.

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