Homem mais velho do mundo morre aos 113 anos

Sobrevivente do Holocausto, Yisrael Kristal morreu a um mês do seu aniversário. Em 2016, o judeu de família ortodoxa comemorou seu Bar Mitzvá com 100 anos de atraso.

Yisrael KristalYisrael Kristal morreu na cidade israelense de Haifa, onde se instalou depois da Segunda Guerra Mundial

Yisrael Kristal, o homem mais velho do mundo e sobrevivente do Holocausto, morreu nesta sexta-feira (11/08) em Israel aos 113 anos, um mês antes de fazer aniversário, informou o jornal israelense Haaretz.

Kristal ganhou o certificado de homem mais velho do mundo pela organização Guinness World Records, depois da morte do japonês Yasutaro Koide, aos 112 anos e 312 dias.

“Todos têm o seu próprio destino, não há segredos”, disse quando recebeu o título. “Tudo o que nos resta é continuar trabalhando o mais duro que pudermos e reconstruir o que está perdido.”

De família judia ortodoxa, Kristal nasceu na Polônia em 15 de setembro de 1903 e foi deportado em 1940 ao campo de concentração de Auschwitz, onde perdeu a mulher e os dois filhos. “Dois livros poderiam ser escritos sobre um só dia ali”, declarou em uma entrevista ao jornal.

Após ser resgatado com 37 quilos, ele se mudou em 1950 para Israel e passou a viver com sua segunda mulher na cidade de Haifa, onde abriu uma confeitaria.

Em 2016, Kristal comemorou com 100 anos de atraso seu o Bar Mitzvá, cerimônia judaica que marca a passagem de um garoto para a vida adulta, aos 13 anos. Kristal não tinha passado pelo ritual na adolescência devido à Primeira Guerra Mundial.

O idoso considerava que o mundo atual “era pior que no passado” e criticava “a permissividade dos jovens”. “Agora tudo é de alta tecnologia. As coisas são fáceis, sem esforço, sem o trabalho manual do passado”, disse numa entrevista ao Haaretz.

A organização Guinness World Records está avaliando potenciais candidatos para assumir o título de homem ou mulher mais velho do mundo.

KG/efe/ots

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Horrores de Theresienstadt em gravura

Por mais de 15 anos, o autor, curador e historiador de arte Jürgen Kaumkötter se dedicou à arte dos perseguidos entre 1933 e 1945. Para isso, não considerou apenas quadros que surgiram nessa época, mas também aqueles que tematizaram os acontecimentos em retrospecto. Leo Haas executou esta gravura sobre Theresienstadt em 1947. Mas há também obras feitas no campo de concentração.

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Pinturas no “museu do campo”

É sabido que artistas pintaram em Theresienstadt. Mas também em Auschwitz 1 houve um “museu do campo”. Lá havia lápis, papel, pincéis à disposição dos artistas, para que executassem encomendas para a SS. Outros motivos surgiram secretamente. Em contrapartida, praticamente não há obras de arte oriundas de Auschwitz 2. Na foto: “Autorretrado de Marian Ruzamski”, de 1943/44.

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Imagem de sonhos em Auschwitz

O artista Jan Markiel criou esse retrato, em 1944, sem os materiais que tinha oficialmente à disposição em Auschwitz 1. A filha do padeiro do vilarejo próximo de Jawiszowice ajudou o prisioneiro trazendo pão e intermediando mensagens para a resistência. A têmpera utilizada pelo artista veio de pigmentos raspados da parede. O tecido grosso dos colchões de palha serviu como tela.

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Testemunha dos crematórios

Em 1942, aos 13 anos, Yehuda Bacon (na foto, à dir.) veio para Theresienstadt e, em dezembro de 1943, para Auschwitz-Birkenau. Ele foi utilizado como mensageiro – podendo se aquecer nos fornos dos crematórios no inverno. O que testemunhou, ele relatou não somente durante o célebre Julgamento de Auschwitz em Frankfurt, mas também expressou nos desenhos que executou após a guerra.

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Símbolo da morte

Yehuda Bacon mostrou esse desenho aos juízes em Frankfurt, como prova dos crimes cometidos em Auschwitz: chaminés retangulares dos crematórios, um chuveiro, pessoas que são apenas esboços. Para o historiador da arte Kaumkötter, esse desenho é um símbolo da morte nas câmaras de gás e da sepultura nos céus. Trata-se não somente de um testemunho, mas também de uma grande obra de arte.

 

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A segunda geração

Michel Kichka é um dos cartunistas mais influentes de Israel. Em 2014, ele publicou a novela gráfica “Segunda geração – o que o meu pai nunca me contou”, sobre o menino Kichka e o seu pai, sobrevivente de Auschwitz. Os traumas do pai passaram para o filho. Somente quanto ouve o pai contar piadas sobre o campo, Kichka consegue superar seus pesadelos.

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Metáforas do Holocausto

Também os pais da artista israelense Sigalit Landau são sobreviventes do Holocausto, e o professor de desenho dela foi Yehuda Bacon, que trabalha até hoje como artista e professor de arte em Israel. Os trabalhos de Landau são repletos de alusões metafóricas ao Holocausto, como estes sapatos, que logo lembram a montanha de calçados que ainda hoje pode ser vista na exposição permanente de Auschwitz.

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A morte não tem a última palavra

Sigalit Landau coletou cem pares de sapatos em Israel e os afundou no Mar Morto. O mar os envolveu com uma camada de sal curativa – eles se tornaram símbolo da vida, em vez da morte. O desejo da artista era mostrá-los em Berlim, como sinal de que a esperança derrota o desespero. A mostra “A morte não tem a última palavra” está em cartaz até o dia 27 de fevereiro no prédio do Bundestag, em Berlim.

Autoria: Sarah Judith Hofmann (ca)

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