Namorada denuncia internação forçada de transexual pela mãe

O episódio aconteceu no dia 11 deste mês em São Gonçalo, na Região Metropolitana

 
O DIA
De acordo com a namorada, Bruna sofria diversas agressões transfóbicas da mãearquivo pessoal

No Dia Internacional de Combate à Homofobia, Lesbofobia, Bifobia e Transfobia, uma mulher trans denunciou ao DIA a internação forçada da sua namorada, também transexual, pela própria mãe de sua companheira, que não aceita a mudança de gênero da filha. O episódio aconteceu no dia 11 deste mês em São Gonçalo, na Região Metropolitana. O Ministério Público (MP) acompanha o caso. Bianca Cunha, de 22 anos, namorada de Bruna Andrade, 23 anos, presta depoimento na tarde desta quarta-feira à Polícia Civil.

Bruna foi internada em uma clínica em Taubaté, no interior de São Paulo. De acordo com Bianca, a família de Bruna não aceitava o processo de transição, que começou em janeiro do ano passado, quando as duas se mudaram para Belo Horizonte, em Minas Gerais. “Ela tinha muito medo de transicionar por causa da família dela. Por isso, a gente decidiu morar em outro estado. Lá ela começou a transição assim que a gente chegou. Moramos em uma ocupação referência para mulher, depois conseguimos emprego e alugamos uma casa, tudo isso sem nenhum contato com os parentes dela”, relata a jovem.

Bianca Cunha e Bruna Andrade de Cesararquivo pessoal

Segundo Bianca, após seis meses a mãe de Bruna procurou por elas e pediu para que voltassem para Rio. O casal retornou em janeiro deste ano e foi morar em uma casa que a mãe tinha oferecido. “Foi tudo tranquilo no início, mas depois começaram as ofensas. Ela sempre chamava a gente no masculino, além de chamar a Bruna pelo nome de registro e dizia ela nunca pareceria uma mulher.”

Por causa das discussões frequentes e do preconceito que sofriam nas ruas de São Gonçalo, as jovens decidiram voltar para Belo Horizonte. “No dia 10 de maio, a gente contou para a mãe dela que a gente ia se mudar e discutimos muito”, conta a moça. No entanto, ela diz que a mãe de Bruna chamou por ela no dia seguinte para supostamente fazer as pazes. ” Eu comecei a ouvir gritos de ‘Socorro’. Fui até o portão e tinha dois homens grandes e fortes. Eles seguravam a Bruna com muita força e diziam que ela estava em surto”, diz. A namorada também conta que eles estavam em uma ambulância e deram um remédio para a mulher.

Segundo a namorada, Bruna foi internada em uma clínica no interior de SParquivo pessoal

“A Bruna estava de vestido, mas eles deixaram ela nua. A mãe dela fez questão de colocar uma roupa masculina nela e dizia que ela ia ser curada”, afirma a jovem. Em nota, o MP informou que a promotora Eliane de Lima Pereira, assessora de Direitos Humanos e Minorias do MPRJ, acompanha o caso.

Andrea Maciel, advogada de Bianca, afirma que entrou em contato com mãe da jovem para maiores informações sobre o paradeiro de Bruna. “Ela me informou que o ‘filho’ estava em tratamento psiquiátrico com a autorização dela”.

Mãe nega denúncia

O DIA procurou a mãe de Bruna para ouvir a versão dela sobre o ocorrido. A mulher afirma que internou a filha por causa de transtornos psquiátricos. “Eu só quero salvar meu filho. Estou no meu direito e não fiz nada ilegal.”

Ainda de acordo com a mãe, ela nunca proibiu o relacionamento das duas e ressaltou que sempre aceitou a identidade de gênero de Bruna. “O mundo está moderno e todo mundo está assim como eles. Eu nunca tive problema com a sexualidade do meu filho, não sei o que a Bianca quer dizendo isso”, diz a comerciária.

Casal se conheceu em grupo de transexuais na Internet

Bianca conta que conheceu a namorada em um grupo de transexuais na Internet há mais de cinco anos, mas só começaram a namorar no dia 29 de março de 2014. “A gente conversava muito, mas a gente nunca tinha se aproximado dessa forma até o dia que nos conhecemos”, lembra.

A jovem ressalta que sempre teve o apoio da família e começou a se transicionar bem cedo, diferente da família de Bruna que não aceitava. “Quando eu conheci os familiares dela, ela não se vestia como mulher ainda. A nossa mudança para BH foi uma libertação para ela”.

Reportagem da estagiária Luana Benedito

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