Não convocação de jogador do Bahia complicou relação da torcida baiana com a Seleção durante Copa América

[Não convocação de jogador do Bahia complicou relação da torcida baiana com a Seleção durante Copa América ]
Por: Vidal Cavalcante // Folhapress
Há quase 30 anos a não convocação de um jogador do Bahia fez com que a relação da torcida baiana com a Seleção Brasileira ficasse estremecida. O site Uol fez uma matéria contando em detalhes como foi esse caso envolvendo Charles. O povo baiano ainda sentia o frescor do título brasileiro conquistado pelo Bahia em 1988 quando passou a viver um profundo atrito com a seleção brasileira no início da última Copa América disputada no país. A reação dos torcedores tinha explicação: Charles, um dos principais jogadores da campanha vitoriosa do time no campeonato nacional, ficara de fora da lista final do técnico Sebastião Lazaroni.

“Charles tinha apenas 20 anos quando ganhou a vaga no time do Bahia. E tudo aconteceu muito rápido: em julho de 1989, cinco meses depois de erguer a taça do Brasileirão, o atacante já estava convocado para a seleção brasileira. Com a camisa amarela, marcou dois gols num amistoso contra o Peru em Fortaleza. Era uma trajetória rumo ao sucesso em ano de Copa América no Brasil e a poucos meses da Copa do Mundo da Itália. Mas foi justamente no torneio continental que a história mudou. Passados 30 anos da última vez em que a Copa América foi disputada no Brasil, ele hoje é lembrado (também) como o homem que fez Salvador queimar ingressos para os jogos da seleção brasileira. “Não vai ter outro Charles”, conta, ao UOL Esporte, o homem que hoje é um fazendeiro do interior da Bahia”.

Trinta anos depois, todas essas reações ainda estão vivas na mente. “Fui um pivô involuntário de toda aquela situação”, disse. Lazaroni assumiu como técnico da seleção brasileira em janeiro de 1989. Até o início da Copa América, em julho, ele disputou 11 amistosos. Charles, então destaque do Bahia campeão nacional, esteve em seis e marcou três gols. Apesar da grande concorrência pela camisa 9 do Brasil, ele estava bem no páreo junto com Careca, Renato Gaúcho, Romário.

“Estreei na seleção contra o Peru, um amistoso em Fortaleza que fiz dois gols. Depois teve um jogo no Maracanã contra Portugal em que fiz mais um gol. Então teve uma excursão à Europa em que não tivemos bons resultados e isso fez com que alguns jogadores entrassem em baixa na seleção. Logo depois teve a convocação para a Copa América, a princípio eu não estava na relação. Foi num segundo momento, quando o Careca se machucou, que eu fui fazer parte do grupo”, relembra o atacante.

O técnico brasileiro havia divulgado uma lista com 23 nomes, mas três atletas seriam cortados da relação final da primeira fase. E Charles foi um deles. “Eu estava no grupo, mas só poderia ser inscrito se passássemos da primeira fase. Foi quando houve a revolta do torcedor baiano por saber que eu não poderia jogar em Salvador diante deles”, explicou.

A revolta de Salvador 
Todos os jogos do Brasil na primeira fase da Copa América de 1989 estavam programados para a Fonte Nova, estádio onde o Bahia manda seus jogos. Até o corte, Charles era um dos poucos jogadores da seleção nascidos na Bahia – Bebeto é soteropolitano, mas surgiu no Vitória e já jogava no futebol do Rio de Janeiro havia cinco anos.

Ademais, Charles jogava no time mais popular da Bahia em uma de suas melhores fases na história. O problema é que Lazaroni tirou o atacante dos jogos na Bahia por opção técnica. A reação ao corte foi absurda. Por parte de torcedores e da opinião pública. Um influente comentarista esportivo incitou que as pessoas que passavam em frente ao local onde a seleção treinava, em Salvador, xingassem o técnico da seleção.

A tensão era tão grande na capital baiana que dirigentes da CBF tentaram convencer Lazaroni a convocar Charles. O governador da Bahia na época, Nilo Coelho, ofendeu publicamente o técnico da seleção. Tentaram de tudo, mas nada feito. Aí a reação foi para as arquibancadas. Para a torcida baiana, a não-convocação de Charles foi como se dissessem que jogar na seleção era um privilégio de jogadores do Sul/Sudeste.

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