Opinião: No calcanhar de João

Opinião

No primeiro debate na TV,  promovido na noite de ontem pela Clube, afiliada da Record, João Campos e Marília Arraes fizeram um confronto quente, com acusações mútuas. Sob mediação da jornalista Isly Viana, a temperatura se  eleviu até as considerações finais. A candidata do PT provocou o primo sobre a pouca idade para comandar uma cidade da dimensão do Recife, que exige, naturalmente, certa experiência de vida, algo que nitidamente falta a João, de apenas 26 anos.

Durante toda campanha, este foi o calcanhar de Aquiles do socialista. “Prefeitura não é pirulito para estar dando de presente para um menino, para estar entregando de bandeja”, cutucou a petista. Este momento, um verdadeiro nocaute, viralizou nas redes sociais.

Estranhamente, a TV Clube concedeu direito de resposta, mesmo sem Marília citar diretamente o adversário. Marília também abordou o uso que a Prefeitura do Recife fez de recursos destinados pelo Governo Federal para enfrentamento à pandemia. Houve diversas irregularidades apontadas e seis operações da Polícia Federal na administração do prefeito Geraldo Júlio, correligionário de João, que tenta dar continuidade ao que aí está.

“Durante a pandemia, os gastos foram alvos de investigação. Foi respirador de porco, superfaturamento de cesta básica, sendo distribuída com bicho, feijão que não cozinha. Tudo isso é muito grave. Mas teve algo que me preocupou bastante: uma conversa que a Polícia Federal pegou e divulgou entre dois secretários: um dizia para analisar com carinho o relatório de testagem em porcos e ainda botava uma risadinha. Acho que isso é uma falta de respeito com as pessoas”, lembrou Marília.

Em contrapartida, João bateu no PT e falou em tom crítico por diversas vezes sobre a atuação parlamentar de Marília. “Quem conhece a candidata e conhece o que ela fez de entrega para a cidade do Recife, seja nos dez anos como vereadora ou no um ano e meio como deputada, sabe que, quando é colocado um desafio, ela não entrega resultado”, acusou.

Como disse algumas vezes, não tenho costume de apontar um vencedor em debates, até porque é sempre difícil detectar em discussões como estas. João até evoluiu em relação à sabatina anterior, feita na Rádio Jornal, onde recorreu diversas vezes a anotações em papel. O bom desempenho de Marília, contudo, saltou aos olhos mais uma vez e é sério motivo de preocupação para a candidatura adversária.

Por: Magno Martins

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