Padilha cobra explicações da ANS sobre reajuste acima da inflação em planos de saúde

Aumento, permitido pela ANS durante a pandemia do coronavírus, ficará próximo de 10% nos principais planos de saúde do país

Por Plinio Teodoro
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A Agência Nacional de Saúde tornou público o Comunicado nº 85, de 31 de agosto de 2020 que possibilitará, na prática, o reajuste escalonado nos principais planos de saúde do país em plena pandemia da COVID-19. Na prática, o aumento permitido será na seguinte proporção ao longo de 2021: Amil 8,56%, Bradesco 9,26%, Sulamérica 9,26% e Itauseg: 9,26%.

O deputado e ex-ministro da saúde Alexandre Padilha (PT-SP) requereu informações (RIC 1516/2020) e justificativas à ANS e ao Ministério da Saúde, além de propor audiência pública com representantes do setor, do direito do consumidor, representantes de entidades e Conselhos de saúde para debater o tema na Comissão Externa destinada a acompanhar as ações preventivas ao Coronavírus no Brasil.

Para Padilha, é incompreensível, “tanto do ponto de vista econômico quanto sanitário que em plena pandemia da COVID-19, a ANS realize tal política. Com os números atingindo quase duzentas mil mortes por conta do Coronavírus e com a economia dilacerada e com níveis altíssimos de desemprego o reajuste permitido pela ANS é um acinte e se soma a outras inciativas do atual governo com clara matriz de necropolítica”.

Em agosto desse ano, quando a pandemia já havia vitimado 121.381 pessoas, a ANS já havia tentado reajustar os planos, mas uma articulação no Congresso Nacional fez com que a agência recuasse. O argumento das operadoras não se sustentava, uma vez que na quarentena os clientes evitaram utilizar hospitais em situações não graves, dada a recomendação de autoridades sanitárias.

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