Pais devem prever reajuste escolar que deve chegar a 7,5%

Gastos com educação comprometem o orçamento da administradora Estefânia Medeiros, em 20% (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

Tendência é que salários aumentem só 3% no ano que vem

As mensalidades das escolas particulares de Salvador devem subir, em média, 7,5% a partir de janeiro. E, em cenário pessimista, os salários da maioria dos trabalhadores só devem ser reajustados em até 3%. Números que obrigam as famílias a serem ainda mais criteriosas na hora de estudar e fazer o orçamento do ano que vem, para evitar dívidas e a ciranda financeira do cheque especial.

O CORREIO chegou a estes  percentuais ao observar a tendência dos últimos três anos (2014, 2015 e 2016), quando o preço das mensalidade teve um aumento médio de 3,5 pontos percentuais acima da inflação oficial (IPCA) do ano anterior. A reportagem recorreu a este cálculo diante negativa da maioria das escolas consultadas e do Sindicato das Escolas Particulares (Sinep) e da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) em adiantar qual seria o aumento médio das mensalidades para o ano que vem. As justificativas dadas são as de que as escolas ainda não fecharam suas planilhas de custos e investimentos e que cada unidade tem a liberdade de reajustar a mensalidade a partir de suas próprias necessidades.

Para o economista e educador financeiro Francisco Rodrigues, a maioria das categorias dos trabalhadores não deve ter reajuste anual superior a 3%, já que, acredita, as empresas vão argumentar que ainda estão em fase de recuperação da crise. Outro a colaborar com a estimativas foi o colunista de Finanças Pessoais do jornal, Edísio Freire.

Lei

Para Nelson Souza, membro da diretoria do Sinepe, o sindicato não pode prestar informação sobre reajuste escolar neste momento. “Não existe percentual de reajuste porque a legislação é muito clara. Ela diz que é obrigatório 45 dias antes da matrícula estabelecer o preço de acordo com uma planilha de custos”. A lei a qual Nelson se refere é a 9.870. Nela, fica determinado que “poderá ser acrescido ao valor total anual o montante proporcional à variação de custos a título de pessoal e de custeio (…) mesmo quando esta variação resulte da introdução de aprimoramentos no processo didático-pedagógico”.

Para os pais que quiserem saber quais foram os investimentos que justificam o reajuste da mensalidade, basta procurar a escola. Segundo Nelson, caso o acesso seja negado, os pais devem recorrer ao Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) ou à Justiça.

Para caber no bolso

Com um aumento das mensalidades 3,5 pontos maior que o salário, os pais devem apertar o cinto. Na hora de fazer as contas para determinar quanto deve ser destinado aos estudos, o educador financeiro Francisco Rodrigues reconhece que “essa é uma conta relativa porque muitos abrem mão de qualquer coisa para investir na educação dos filhos”. No entanto, sua recomendação é que esse valor não passe de 20% da receita líquida das famílias.

A administradora Estefânia Medeiros segue a recomendação. Ela tem dois filhos, de 8 e 14 anos, que estão no ensino fundamental e médio. Para conseguir segurar as pontas e ficar dentro da meta de gastar entre 15% e 20% do orçamento da sua família, ela aposta na educação financeira de todos, inclusive das crianças. “Fazemos como se fosse um bazar e eles mesmo avaliam se os materiais escolares podem ser reutilizados no outro ano. A ideia é que tenham noção de que tudo tem um custo”.

Apesar da escola dos meninos ainda não ter anunciado o reajuste para 2018, ela acompanha as expectativas anunciadas nos noticiários para já se preparar. Para isso, a família tem uma planilha de custos onde fica detalhado o que pode ser reduzido caso precise arrochar as finanças. Jonathan Souza, consultor financeiro, diz que saber o quanto antes as variações nas despesas e receitas anuais é essencial para as famílias não serem pegas de surpresa e possam adaptar rapidamente a sua realidade financeira ao cenário econômico.

Uma de suas dicas é a de usar o 13º salário para manter as contas no azul. “Vai ser algo que posso usar agora no fim do ano ou me adaptar aos aumentos do ano que vem”.

Escola Série  Mensalidade/ 2017 Mensalidade prevista/ 2018
Marista (Patamares)   Ensino fundamental I (1º ao 5 º ano) R$ 1.254,00  R$ 1.348,00 (valor confirmado)
Marista (Patamares)   Ensino fundamental II (6º ao 9º ano) R$ 1.380,00  R$ 1.483,50 (valor confirmado)
Marista (Patamares)   Ensino médio (1º e 2º ano) R$ 1.591,00  R$ 1.710,50 (valor confirmado)
Marista (Patamares)   Ensino médio (3º ano) R$ 1.933,00  R$ 2.078,00 (valor confirmado)
Anchietinha (Itaigara)  Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) R$ 1.938,00 R$ 2.083,35
Colégio Anchieta (Pituba)  Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) R$ 2.343,00 R$ 2.518,72
Colégio Anchieta (Pituba)  Ensino médio (1º ano) R$ 2.589,00 R$ 2.783,17
Colégio Anchieta (Pituba)  Ensino médio (3º ano) R$ 3.198,00 R$ 3.437,85
Colégio Antônio Vieira  Ensino Fundamental I (1º ano) R$ 1.350,00 R$ 1.451,25
Colégio Antônio Vieira  Ensino Fundamental I (2º ao 5º ano) R$ 1.220,00 R$ 1.311,50
Colégio Antônio Vieira  Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) R$ 1.298,00 R$ 1.395,35
Colégio Antônio Vieira  Ensino médio (1º e 2º ano) R$ 1.595,00 R$ 1.714,62
Colégio Antônio Vieira  Ensino médio (3º ano) R$ 1.863,00 R$ 2.002,72
Colégio Módulo   Ensino fundamental II (6º ao 9º) R$ 1.809,00 R$ 1.944,67
Colégio Módulo   Ensino médio (1º e 2º ano) R$ 2.058,00 R$ 2.212,35
Colégio Módulo   Ensino médio (3º ano) R$ 2.528,00 R$ 2.717,60
Colégio Oficina   Ensino fundamental (6º ao 9º ano) R$ 1.860,00 R$ 1.999,50
Colégio Oficina   Ensino médio (1º e 2º ano) R$ 2.115,00 R$ 2.273,62
Colégio Oficina   Ensino médio (3º ano) R$ 2.720,00 R$ 2.924,00
Colégio São Paulo  Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) R$ 1.819,00 R$ 1.955,42
Colégio São Paulo  Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) R$ 2.048,00 R$ 2.201,60
Colégio São Paulo   Ensino médio (1º e 2º ano) R$ 2.342,00 R$ 2.517,65
Colégio São Paulo   Ensino médio (3º ano) R$ 2.927,00 R$ 3.146,52

*Entenda o cálculo: o CORREIO subtraiu o IPCA dos últimos três anos pelo reajuste de mensalidade do mesmo período. A média simples da diferença deu 3,5 pontos percentuais. Como o IPCA de 2017 está em 4,01%, ao ser somado 3,5, é previsto que as mensalidades aumentem 7,5%. Essa é apenas uma estimativa e os valores podem variar de acordo com cada  escola.

DICA DA SEMANA: ESCOLA NO ORÇAMENTO

Porcentagem O recomendando é que os gastos com educação não ultrapassem 20% da receita da família. Caso você esteja extrapolando esse valor, reveja suas contas. Não há problema, desde que essa seja a prioridade do casal.

Reajustes O reajuste da mensalidade deve ser maior do que o reajuste salarial na maioria das categorias. Portanto, se o orçamento não está no azul, analise se poderá arcar com o aumento e tente negociar.

Planilha A escola já divulgou o reajuste para 2018? Coloque os novos valores na planilha de orçamento do ano que vem e veja como os seus gastos vão se comportar. Essa é uma forma de prevê possíveis dívidas e fazer readaptações.

Diálogo Ladybug e outros desenhos animados estão em alta. Isso significa que os preços de materiais escolares associados a essas figuras devem ser mais caros. Um bom diálogo com os filhos já ajuda a economizar.

13º salário Aposte a segunda parcela do décimo terceiro nos gastos com a educação. Essa é uma forma de começar o ano com as finanças mais leves e com menos parcelas a pagar.

Reserva A cada ano que passa a mensalidade fica mais cara, até porque o seu filho vai mudando de série. Sendo assim, ao longo do ano reserve um dinheiro e coloque em uma aplicação. Isso pode garantir que você pague a anuidade de um ano adiantado.

De uma vez só As escolas oferecem a possibilidade de dividir a anuidade em até 12 vezes. Por outro lado, se os pais poderem pagar tudo de uma vez, rola desconto.

Matricule dois, leve… Tem mais de um filho estudando na mesma escola? As instituições também costumam conceder descontos. Converse com o setor financeiro.

Na data Evite atrasos. Algumas escolas concedem descontos quando o pagamento da mensalidade é feita dentro da data. Além disso, é comum que haja acréscimos para os atrasados.

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