Partilha de sementes e expressões artísticas fazem parte da 41ª Romaria da Terra e das Águas

Foto da capa: Thomas Bauer/ CPT Bahia.
Cesta com as sementes crioulas e orgânicas. Foto: Ruben Siqueira/ CPT Bahia.

Não só de demonstrações de fé se faz uma romaria, além das discussões e formações sociais e políticas, a 41ª Romaria da Terra e das Águas, também foi espaço para agradecimentos com partilha de sementes e expressões culturais através da arte, como música e poesias com conteúdos sobre os costumes e problemas vividos pelos povos e comunidades tradicionais.

A coordenação da romaria recebeu do senhor João Francisco, de uma comunidade da Diocese de Caetité (BA), uma carta acompanhada de uma cesta com sementes crioulas e orgânicas para partilhar com outros camponeses como um grito contra as sementes transgênicas e expressar seu agradecimento a romaria como um espaço de esperança para continuar na luta.

Além da carta (original que segue abaixo), aqui apresentamos o poema “O rio pede socorro”, de Clélia Costa e Laís Fernanda, declamada ao final da apresentação dos compromissos do Plenarinho São Francisco e outras Bacias, na Grande Plenária de encerramento da romaria, neste domingo, dia 08.

 

Carta recebida pela coordenação:

“Paz e Bem! Somos o grupo de romeiros terra e água São Francisco de Assis.

Todos os anos vamos a Lapa durante essa maravilhosa romaria pois nela encontramos forças para continuar a luta terrível da vida. Pois nela, encontramos jeito de partilhar, uma delas foi a 16 anos. O surgimento aqui na região das Feiras da Solidariedade, nas comunidades, momento de encontro, celebração e partilha.

Sementes.

Aqui na romaria, levamos sementes, plantamos e levamos um porquinho. É um grito para nosso povo iniciar a plantação de semestre entre elas. Crioulas, orgânicas e dizer um grande NÃO a todos os produtos e sementes transgênicas.

Amigos e companheiros da coordenação da Romaria da Terra e das Águas, como é boa essa romaria, é por isso que é difícil organizar aqui, sem apoio de Paróquia ou Diocese, só nós mais o Bom Jesus e a mãe da Soledade, está sempre com nós e juntos na caminhada”, João Francisco, pelo grupo.

 

Poema: O rio pede socorro

Rio São Francisco em Bom Jesus da Lapa, em 09 de julho de 2018. Foto: Lauana Sento Sé.

Ribeirinho fez ecoar

O grito de um rio sedento.

As curvas d’água e seu canto

São do rio o choro e lamento.

 

O grito explodiu tão alto

Da garganta da água nas pedras,

Se ouviu da choupana ao planalto:

– Socorro, seu moço, me vela!

 

A morte me bate à porta,

Já sinto a costela no chão,

A água, a lama, a fadiga,

As margens quase sem proteção.

 

Do pouco que ainda resta,

A mão da ganância vem afoita,

Na calada da noite escorre a vida,

Mas sinto em seu rosto a saída.

 

O rosto chamado de vândalo,

Na luta e no sonho medido,

O braço que forte se mostra,

Que enfrenta a lei do bandido.

 

A garganta ele empresta ao rio

E o som da água estremece,

O grito parece mais alto:

“Ninguém vai morrer de sede

Às margens do Rio Arrojado”.

 

Clélia Costa e Laís Fernanda

#ninguemvaimorrerdesede

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