Policial que fuzilou integrante do MST pelas costas é preso 11 anos após o crime

Enquanto correu o processo, Alexandre Curto permaneceu na corporação recebendo o salário

Por Julinho Bittencourt
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O policial militar Alexandre Curto, assassino do integrante do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Elton Brum, foi preso na última segunda-feira (19), em Pelotas (RS), 11 anos após o crime.

Elton morreu aos 44 anos, em agosto de 2009. O policial, que atuava no Pelotão de Operações Especiais do 6° Regimento de Polícia Montada (RPMon) de Bagé, atingiu Elton com um tiro de espingarda calibre 12 pelas costas. O crime ocorreu na fazenda Southall, em São Gabriel, a 298 km de Porto Alegre, durante uma reintegração de posse.

Durante o processo, o policial assumiu ser o autor do disparo, mas alegava ter confundido a munição. Ele foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado e o processo já transitou em julgado.

Enquanto correu o processo, o policial permaneceu na corporação recebendo o salário.

Em dezembro de 2020, seu salário foi de R$ 11.245,00. Procurada, a Brigada Militar respondeu que ele “poderá perder o cargo público após o trânsito em julgado da ação disciplinar ou da ação penal”.

Os familiares do trabalhador rural até hoje não receberam a indenização que deveria ser paga.

“Grande parte dos assassinatos cometidos no campo permanece impune. O fim da impunidade importa ainda mais em um contexto de acirramento de violência no campo. O padrão geral é a falta de responsabilização dos agentes do estado que cometem esse tipo de delito”, disse à Folha o advogado do MST, Emiliano Maldonado.

Leandro Scalabrim, advogado do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), também destaca a importância desse caso. “O cumprimento da lei nesse crime grave que tirou a vida de mais um negro, nos dá um pouco de alento, mas revela mais uma vez seletividade e omissão das instituições. Hoje esse é o único policial militar preso, apesar de serem centenas os casos de morte de trabalhadores rurais em conflitos fundiários no Brasil.”.

Co informações da Folha e do MST

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