Redução de clínicas e do tempo de diálise põem tratamento de pacientes renais em crise na BA

Por Bruno Leite
Redução de clínicas e do tempo de diálise põem tratamento de pacientes renais em crise na BA

Foto: Divulgação / IBDAH

Mais de 15 mil pacientes renais estão em tratamento ou necessitando de atendimento médico no estado da Bahia. Porém, acolhido em grande parte por uma rede composta por hospitais filantrópicos e unidades credenciadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), o público tem enfrentado problemas que colocam em risco a continuidade das suas próprias vidas. 

De acordo com a Associação de Defesa dos Pacientes Crônicos Renais (Renal Bahia), o número de pessoas que necessitam da rede de atenção aumentou devido à Covid-19, tanto pelo negligenciamento dos tratamentos que estavam em curso antes da crise sanitária quanto pelos efeitos colaterais pós-infecção.

“Tivemos um acréscimo de 46%, devido a sequelas da doença, no número de pacientes renais. Isso está atingindo um público formado por pessoas novas, de 20, 25, 30, até 40 anos e não temos nenhum programa de prevenção para que não se chegue até esse tratamento [diálise]”, afirma o presidente da Renal Bahia, José Vasconcelos. 

Segundo ele, há um cenário insustentável. As clínicas e unidades de saúde que prestam o serviço têm visto um aumento no valor dos insumos e uma possibilidade eminente de um reajuste nas folhas de pagamento dos profissionais de enfermagem, ao mesmo tempo que não há um reajuste na tabela de remuneração repassada pelo SUS.

As vagas têm sido escassas e o déficit está cada vez maior. “Não tem vaga. Quem está em UPA [Unidade de Pronto Atendimento] não tem como fazer a diálise. Muitas pessoas jovens vão chegar a óbito pela falta de tratamento”, revela Vasconcelos. 

O reflexo tem sido sentido com as recorrentes ameaças de fechamento proferidas pelas unidades que realizam hemodiálise e com a redução do tempo de duração das sessões, diminuído de 3 para 4 horas em locais no interior e na capital. 

“Essa demanda está muito forte. Não temos nenhum hospital de reserva para ser capacitado para esse tipo de atendimento”, acrescenta José, que também é paciente renal transplantado.

O déficit tem feito com que pessoas que não encontram atendimento em unidades especializadas ocupem vagas em leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e em UPAs.

A informação, no entanto, não foi confirmada pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Ao contrário disso, a pasta disse que o SUS conta com 42 Serviços de Atenção Especializada em Nefrologia com Hemodiálise no estado e que, no espaço de dez anos, o quantitativo foi ampliado em 45%. 

“Importante ressaltar que cinco dos serviços em funcionamento não estão, ainda, habilitados pelo Ministério da Saúde, sendo as suas ações custeadas, exclusivamente, por fonte do tesouro estadual”, afirmou o órgão. 

A Sesab explanou que, comparado ao ano de 2012, houve um aumento de 67% no número de sessões na Bahia. Se há uma década o quantitativo era de 775.270 sessões, entre julho de 2021 a junho de 2022 esse quadro foi de 1.160.260 sessões. “Estes números comprovam que além dos novos serviços que entraram em funcionamento, os serviços já existentes ampliaram a sua capacidade instalada”, fez questão de destacar. 

No entanto, as ações de terapia renal substitutiva-hemodiálise, o nome técnico do procedimento, deixaram de ser oferecidas no Hospital Espanhol e Hospital São Rafael, ambos localizados na capital baiana. Mais recentemente, a Clínica INED solicitou seu descredenciamento SUS e o processo junto ao Ministério da Saúde está em tramitação. (BN)

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