Revólver do suposto suicídio de Van Gogh é vendido por 162 mil euros

Pintor teria atirado no peito, aos 37 anos, e morreu dois dias depois ao norte de Paris

O revólver que teria sido usado por Vincent Van Gogh para se suicidar em 1890 foi vendido por 162.500 euros em um leilão promovido pela AuctionArt-Rémy, nesta quarta-feira 19, no Hôtel Drouot, em Paris.

A venda da arma Lefaucheux, de calibre de 7 mm, foi concluída por telefone, por um comprador que não teve sua identidade divulgada.

O valor da “arma mais famosa da história da arte” estava estimado em algo entre 40 mil e 60 mil euros, com lance inicial de 20 mil euros.

Van Gogh teria atirado no peito, aos 37 anos, e morreu dois dias depois ao norte de Paris.

Seu gênio artístico e suas crises de loucura continuam causando fascínio no mundo da arte.

“Sua notoriedade internacional” é tamanha que japoneses, americanos, mexicanos, finlandeses, alemães e italianos viajaram para Paris para ver a arma durante sua exibição ao público antes do leilão, disse à AFP o responsável pela venda do objeto, Grégoire Veyres.

Seu valor de venda não foi, contudo, um recorde.

A pistola – com a qual o poeta francês Paul Verlaine feriu seu colega Arthur Rimbaud, em 1873, em Bruxelas – foi vendida por 434.500 euros em um leilão da Christie’s, em 2016.

Encontrada por um camponês

Em 27 de julho de 1890, o mestre holandês teria caminhado até um campo próximo da hospedaria onde estava instalado em Auvers-sur-Oise. Ele teria, então, levantado a camisa e atirado no peito com uma arma do proprietário do estabelecimento.

O revólver teria caído das mãos de Van Gogh, que, ferido, teria voltado para a pensão, onde faleceu dois dias depois.

O revólver, cuja autenticidade é provável que nunca seja formalmente confirmada, foi descoberto em 1965 por um agricultor nesse mesmo campo.

Depois de sua descoberta, o camponês entregou a arma – muito danificada – a Arthur Ravoux, proprietário dessa hospedaria. Desde então, o objeto teria permanecido na família, conta a casa de leilões AuctionArt.

Foi apresentado publicamente pela primeira vez em 2012 com a aparição do livro “Aurait-on retrouvé l’arme du suicide?” (“Teria-se encontrado a arma do suicídio?”), o qual narra a história do revólver.

Indícios verossímeis

Vários indícios tornam verossímil a hipótese de que o artista teria se suicidado com essa arma.

Além de ter sido encontrada no mesmo lugar onde o pintor teria atirado em si mesmo, o calibre corresponde ao descrito pelo doutor Paul Gachet, que cuidou dele durante sua agonia. A natureza do ferimento também é compatível com a baixa potência da arma.

Finalmente, estudos científicos apontam que o revólver permaneceu enterrado por 75 anos, tempo transcorrido até sua descoberta.

Em 2016, o museu que leva seu nome em Amsterdã apresentou a arma, na exposição “Nos confins da loucura, a doença de Vincent Van Gogh”.

O artista teria se instalado em Auvers-sur-Oise dois meses antes de seu suicídio, aconselhado pelo irmão, Théo, após passar um ano em uma instituição para doentes mentais.

Em 1888, Van Gogh teria cortado a própria orelha em uma briga com seu amigo e pintor Paul Gauguin e a teria oferecido a uma prostituta.

Em sua fase em Auvers-sur-Oise, Van Gogh estava no auge da carreira, pintando mais de uma obra por dia. Ao mesmo tempo, era vítima de grandes crises psicológicas que se acentuaram pouco antes de sua morte.

Outra teoria sobre a origem da arma, muito polêmica, foi apresentada em 2011 por dois investigadores americanos. Segundo eles, Van Gogh não se suicidou. Ele teria sido, na verdade, vítima de um disparo acidental por parte de dois irmãos adolescentes que brincavam com uma arma. (AFP)

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