Saiba quais são os benefícios de voltar a estudar na terceira idade

Aurelina, de 65 anos, cursa o 8º período de Serviço Social
Aurelina, de 65 anos, cursa o 8º período de Serviço Social Foto: Viny arruda/Divulgação
Evelin Azevedo

O trabalho voluntário prestado à Ong Fraternidade Sol de Assis fez Aurelina Cavalcanti Vieira, hoje com 65 anos, a voltar a estudar dez anos atrás. Ela finalizou o Ensino Fundamental, cursou o Médio e ingressou no curso de Serviço Social, na Unisuam.

— Percebi que só estudando poderia realmente ajudar as pessoas em situação de rua que atendemos na instituição — conta a estudante.

De acordo com o Censo da Educação Superior 2017, há no Brasil 26.763 pessoas com 60 anos ou mais matriculadas em universidades públicas e privadas. Munir o cérebro de novas informações não eleva apenas grau de conhecimento, mas previne demências.

— A reserva cognitiva é um tipo de poupança na qual você pode investir a vida inteira, até na terceira idade. Fazer uma faculdade é uma das maneiras de aumentar esta reserva. Quanto mais conhecimento você investe nela, menos chance tem desenvolver Alzheimer, por exemplo — afirma Rogério Panizzutti, psiquiatra e neurocientista.

Voltar a estudar na terceira idade ajuda os idosos a se sentirem mais úteis e autoconfiantes, principalmente após a aposentadoria.

— Eles se sentem mais valorizados, lembram que são capazes de fazer o que quiserem. O desenvolvimento intelectual é uma importante ferramenta para lidar com este processo de envelhecimento — diz Rose Soares, gerontologista e coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati-Unisuam).

O apoio da família, principalmente no começo do curso, é fundamental para o sucesso dos idosos durante o ensino superior.

— A atenção da família é primordial, principalmente porque, às vezes, o idoso vai precisar de um apoio para usar o computador e isto pode ser uma barreira para ele — lembra a pedagoga Mariza Baumbach.

Adaptação à turma pode ser mais difícil

Ter mais de 60 anos e frequentar um ambiente predominantemente de pessoas mais jovens pode gerar algum tipo de dificuldade de adaptação. Dona Aurelina lembra como os três primeiros períodos da faculdade foram difíceis:

— Quando havia trabalho em grupo, ninguém queria fazer comigo.

De acordo como psicopedagogo Márcio Cerbella, antes de ingressar na universidade deve-se considerar este tipo de situação.

— Se você parte para um desafio desses, é preciso estar disposto a se sentir um estranho no ninho. Esta determinação faz toda a diferença. Infelizmente, muitos jovens ainda não se acostumaram com esta nova realidade. Mas com o passar do tempo, esta situação tende a mudar — acredita.

POR QUE VALE INVESTIR

Previne doenças

Estimular o cérebro a aprender informações novas diminui as chances de desenvolver demências

Melhora socialização

Apesar de ser difícil no começo, é grande a possibilidade de que os idosos ampliem seu rol de amizades. O convívio entre diferentes gerações proporciona trocas benéficas para jovens e pessoas na terceira idade

Eleva autoestima

Ao estudar algum assunto de interesse próprio, o idoso passa a se sentir mais feliz e realizado, o que aumenta a autoestima, fazendo com que ele se sinta ainda mais motivado a continuar

Dá novo sentido para vida

Muitas vezes as pessoas na terceira idade entram em depressão por não possuírem mais desejos e objetivos após a aposentadoria ou a saída dos filhos de casa: voltar a estudar faz com que estes idosos encontrem motivação para continuar

Promove independência

Por se sentirem mais autoconfiantes, os idosos acabam deixando de precisar de outras pessoas para se locomover, por exemplo

Estimula novas “saídas”

Agregar conhecimento ajuda os idosos a pensarem novas em soluções para problemas recorrentes: estimula a criação de novas ideias.

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