Tradicionais ateliês de artes plásticas abrem as portas neste fim de semana no Rio

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A cada ano, dois eventos feitos em fins de semana movimentam dois bairros cariocas que têm em comum o fato de abrigar dezenas de ateliês de artistas plásticos. O pioneiro Arte de Portas Abertas, do bairro de Santa Teresa, ocorre normalmente no mês de julho, enquanto o Circuito das Artes, do Jardim Botânico, surgido por inspiração do primeiro, firmou seu calendário em agosto.

Este ano, em razão dos grandes eventos na cidade, houve uma coincidência de datas e neste fim de semana quem aprecia as artes plásticas encontrará os ateliês dos dois bairros abertos à visitação pública. “A Copa das Confederações e a visita do papa Francisco nos empurraram para a frente”, explica a pintora Regina Marconi, membro do conselho do coletivo de artistas Chave Mestra, que há dez anos organiza o Arte de Portas Abertas.

Além da mudança de data, a 23ª edição do evento de Santa Teresa vem ampliada. Paralelamente à tradicional abertura dos ateliês no sábado (17) e no domingo (18), das 11h às 18h, a programação abre o leque, pela primeira vez, para outras partes da cidade, com a 1ª Bienal Internacional de Ocupação Pública – Chave Mestra e outras atividades.

A bienal será aberta nesta sexta-feira (16), ao meio-dia, com obras de 30 artistas plásticos brasileiros, argentinos e franceses no Campo de Santana, Jardim da Praça da República, no centro do Rio. Antes da abertura, haverá um debate, às 10h, na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vizinha ao Campo de Santana, com o professor e pesquisador Guilherme Vergara.

De acordo com Regina Marconi, a bienal é uma consequência do trabalho da Chave Mestra, que já levou a arte de Santa Teresa a participar de eventos internacionais. É o caso do Génies des Jardins, no ano passado em Paris, com cinco intervenções em cinco praças públicas da capital francesa.

Além da bienal, a programação “externa” terá uma exposição coletiva do projeto Souvenir dos Sonhos no consulado da Argentina, em Botafogo e mostras no Centro de Artes Calouste Gulbenkian (Rua Benedito Hipólito, 125), no centro do Rio.

No próprio bairro, neste fim de semana, serão 35 ateliês abertos e mais de 50 artistas cobrindo todo o perímetro de Santa Teresa, seja em seus locais de trabalho ou em exposições em cinco centros culturais. Além disto, 22 restaurantes e lojas também participam do evento, com menus especiais e a venda de livros e objetos de arte. A expectativa é um público de cerca de 30 mil visitantes.

A iniciativa dos artistas plásticos de Santa Teresa gerou filhotes, não só no Rio de Janeiro como em outras partes do país, como em Pirenópolis (GO) e Olinda (PE). Para Regina Marconi, essa reprodução se deve ao próprio espírito de eventos desse tipo. “É um programa muito interessante para o público. Entrar nos ateliês, conversar com os artistas, se informar sobre arte. A finalidade do Arte de Portas Abertas não é vender as obras, mas sim projetar os artistas”.

Em sua 17ª edição, o Circuito das Artes do Jardim Botânico foi feito pela primeira vez em 1998 para homenagear os 190 anos do jardim que deu nome ao bairro. Coordenado pelas produtoras e artistas plásticas Cattia Capistrano e Gabriela Civitate, o evento reúne este ano mais de 50 atrações em 38 espaços, entre ateliês de cerâmica, pintura, gravura, joias e acessórios, artesanato, moda e decoração.

A abertura será nesta sexta-feira (16), às 19h, com uma palestra gratuita da artista plástica e educadora Lena Bergstein na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rua Jardim Botânico, 414). Como em todas as suas edições, o evento dos artistas do Jardim Botânico ocorrerá em dois fins de semana, neste e no próximo (dias 24 e 25).

Além dos ateliês abertos à visitação, das 12h às 19h, haverá palestras, workshops, oficinas, apresentações musicais e atividades exclusivas para o público infantil. Nove restaurantes do bairro promoverão durante o evento um circuito gastronômico, com menus especiais e descontos para o público. Para visitar todas as atrações, um serviço de vans percorre as ruas do bairro, passando por todos os ateliês, ao preço de R$ 8.

De acordo com Cattia Capistrano e Gabriella Civitate, a estimativa é que 20 mil pessoas passem pelo Circuito das Artes, nos dois fins de semana. (Agência Brasil)

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