Um Ano de Governo Bolsonaro – Classe Média virou Motorista e Entregador de Aplicativos

 Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A classe média que foi as ruas em 2015 e 2016 para pedir a queda de Dilma e fora PT, nunca pensou que num cenário tão curto deixaria grandes cargos, suas empresas, escritórios e altos salários para trabalhar 16 horas por dia como motorista e entregador de aplicativos, quem antes usava o serviço para se deslocar virou prestador de serviços, esse é o cenário 3 anos e meio após a queda do PT.

Em 2017 quando se discutia a reforma trabalhista, falava-se numa geração recorde de empregos, o deputado Darcísio Perondi (MDB-RS) teve o descalabro de dizer que ia chover empregos e que o brasileiro teria como escolher onde trabalhar “Essa reforma é essencial, o brasileiro vai nos agradecer, vai chover empregos na horta do brasileiro, o trabalhador vai poder escolher onde trabalhar”, na época o governo Temer previa a geração de 6 milhões de novos postos em apenas 2 anos com a aprovação da reforma.

Passados 2 anos o cenário de geração de empregos e a tão esperada chuva na horta do brasileiro não se confirmou.

O atual governo alega ter criado muitas vagas nos últimos 2 trimestres, o problema está justamente na forma como foram criados esses novos postos, qualidade dos empregos e os baixos salários, contudo um fator que deveria ser levado em consideração pelo governo e não foi informado ao povo, é o de que qualquer economista pé de chinelo ou qualquer palerma sabe que a partir de julho se tem aumento na taxa de contratações, isso por que as lojas contratam mais para o feriado do dia dos pais, black friday e as festas de fim de ano, os hotéis e pousadas contratam mais pessoas para alta estação e muitas fábricas precisam imediatamente de mão de obra para dar conta dos pedidos de natal, isso é o chamado crescimento sazonal e acaba logo que se inicia um novo ano.

Sem muitas alternativas de empregos, número de brasileiros que optou por virar motoristas e entregadores de aplicativos bate recorde no país em jornadas de até 16 horas, um retrato da informalidade que desafia os números do Governo, não é difícil encontrar ex-executivos, ex bancários, engenheiros, advogados ou até mesmos ex-empresários que mudaram radicalmente suas vidas e agora depende de aplicativos para sobreviver.

O número de pessoas que trabalha em veículos, que também inclui taxistas, motoristas e trocadores de ônibus, atingiu recorde e aumentou 29,2% em 2018, chegando a 3,6 milhões. O que significa 810.000 pessoas a mais em relação a 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada em dezembro pelo IBGE.

O que deve desmontar outro mito criado dessa vez pelo governo Bolsonaro, o de que a reforma da previdência vai equilibrar as contas do governo, passado 2 meses da aprovação da reforma que destruiu o direito de aposentadoria milhões de pessoas, o que temos é um crescimento normal e nenhum grande investimento por parte do governo, para piorar o orçamento aprovado para o ano de 2020 com um deficit de R$ 124,1 bilhões.

O grande desafio continua sendo reduzir a informalidade do mercado de trabalho. Atualmente, 38,8 milhões de brasileiros estão dentro da categoria, cerca de 41%, incluindo os que trabalham por conta própria. A informalidade gera consequências negativas, segundo especialistas, como a renda menor para os trabalhadores por ser, em geral, ocupações que pagam menos e também uma queda da contribuição para a Previdência, já que são poucos os que contribuem para o INSS.

Conforme falamos o aumento da informalidade não gera receitas dentro da previdência, portanto, a reforma da previdência não vai equilibrar as contas do governo e sim gerar um rombo maior.

É evidente que os números desmentem o governo Bolsonaro e a equipe de Paulo Guedes, não está havendo nenhuma retomada do crescimento, o que está acontecendo é que o brasileiro aprendeu a se virar nos 30 para não morrer de fome e tentar manter as contas em dia, jornada de até 16 horas era impensável antes da queda de Dilma Rousseff hoje boa parte daqueles aplaudiram a queda do PT são vítimas do novo modelo de gestão governamental, pior que isso são os mesmos que antes reclamavam do preço da gasolina R$ 2,89 e hoje pagam R$ 6,10; são os mesmos que antes compravam gás de cozinha a R$ 35,00 e hoje pagam mais de R$ 83,00 pelo botijão, essa é a nova cara da antiga classe média, de gerente, empresário a motorista ou entregador de aplicativo.

Texto: Pedro Oliveira
Edição: Ana Fernandes
Informações: El País

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