Vírus mais agressivo da dengue se torna mais frequente e preocupa especialistas

Existem quatro sorotipos de dengue, uma das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)
Existem quatro sorotipos de dengue, uma das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)

Considerado o vírus mais agressivo da dengue por estar associado aos casos mais graves de adoecimento pela doença, o sorotipo 2 (DEN-2) tem deixado os pesquisadores em alerta. A preocupação ganhou destaque no 54º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), realizado na última semana no Centro de Convenções, em Pernambuco. “O sorotipo 2 da dengue começar a voltar, principalmente em Goiás, onde é feita uma boa vigilância dos casos. Isso faz considerarmos que há possibilidade de se repetir a situação que enfrentamos anos atrás (na década de 1990, o DEN-2 trouxe os casos de dengue com hemorragia). Como a chance existe, recomenda-se que as autoridades de saúde estejam preparadas da melhor forma (para enfrentar um possível aumento de casos)”, destacou o médico e farmacêutico Felipe Lorenzato, em mesa-redonda durante o evento.

Neste ano, até 30 de junho, foram enviadas, ao Ministério da Saúde, 11.518 amostras (vindas de todos os Estados brasileiros) para isolamento viral de dengue. Desse total, 710 (6,2%) foram positivas: as maiores proporções dos sorotipos virais identificados, no País, correspondem ao DEN-2 (52,4%), seguido do DENV-1 (23,9%). São menos frequentes os sorotipos DEN-4 (0,4%) e DEN-3 (0,1%).

“Risco de hospitalização por dengue é cinco vezes maior quando a infecção é causada pelo sorotipo 2, em comparação aos outros três sorotipos”, destacou Felipe Lorenzato, em palestra durante o MedTrop (Foto: Filipe Jordão/JC Imagem)

A Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) informou que este ano, por enquanto, somente o tipo 1 (DEN-1) foi detectado. “Mas isso não significa que os outros sorotipos não estejam circulando”, esclarece, em nota, o órgão. Atualmente, o Estado já notificou 16.629 casos de dengue em 175 dos 184 municípios pernambucanos. O volume de registros deste ano, que considera dados até 1º de setembro, representa um aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2017, que notificou 13.878. Entre esses registros suspeitos, mais de 4 mil diagnósticos da doença foram confirmados.

“Dengue não é algo trivial. Às vezes, a população diz que é a doença é tão frequente que pode parecer um resfriado. Mas não é bem assim. Inclusive, o volume de casos de dengue que se tornam graves, precisam de acompanhamento em unidade de terapia intensiva (UTI) e necessitam hemodiálise é maior do que o número de casos severos de doença meningocócica, que também é uma doença bem agressiva”, frisa Felipe. O médico acrescenta que a população precisa saber que existem quatro sorotipos de dengue e que geralmente a segunda infecção é mais grave do que a primeira. “E o risco de hospitalização pela doença é cinco vezes maior quando a infecção é causada pelo sorotipo 2, em comparação aos outros três”, conclui o especialista.

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