Wagner Moura: “A forma que o governo escolheu para censurar a cultura foi aparelhar instituições”

Diretor de Marighella, Wagner Moura diz que Ancine usa instrumentos burocráticos para censurar o filme no Brasil. Para ele, Jair Bolsonaro age com “vingancinha” contra a classe artística, que foi resistência à sua eleição

Wagner Moura e Seu Jorge, em set de filmagens de Marighella (Divulgação)

Em entrevista a Leonardo Sakamoto, no portal Uol nesta terça-feira (14), o ator Wagner Moura, diretor do filme “Marighella”, voltou a dizer que o longa-metragem não foi lançado no Brasil por censura.

“Como grande empresa, a O2 não pode chegar e dizer que a Ancine censurou o filme. Mas eu posso. Sustento o que já disse. É uma censura diferente, mas é censura, que usa instrumentos burocráticos para dificultar produções das quais o governo discorda. Não há uma ordem transparente por parte do governo para que isso aconteça, no entanto já vimos Bolsonaro publicamente dizer que a cultura precisa de um filtro. E esse filtro seria feito pela Ancine. A forma que o governo escolheu para censurar a cultura no Brasil foi aparelhar instituições, como a Ancine, uma vez que nosso cinema, nosso teatro, ainda são – infelizmente – dependentes de recursos públicos”, afirmou.

Segundo Moura, a agência, capitaneada pelo secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, negou pedidos de produção para o lançamento do filme e não tem nenhuma relação com os boatos sobre calote sobre a obra, como vem sendo propagado por bolsonaristas.

“O que aconteceu é que um documentário, “O Sentido da Vida”, ainda não ficou pronto. Qual a praxe? As produtoras pedem à agência uma prorrogação para entrega do documentário. Como a instituição está acéfala, com um vácuo interno, não houve resposta. Com isso, a empresa entrou com um mandado de segurança”, afirmou.

Para Moura, Jair Bolsonaro age com “vingancinha” contra a classe artística, que foi resistência à sua eleição.

“Nós artistas fomos uma base grande de resistência à eleição de Bolsonaro e a grande maioria segue se opondo ao governo. Por isso, ele age com vingança, é um governo que se notabiliza por ser um governo vingativo. Mas quebrar um setor econômico importante por vingancinha não faz sentido. Porque não somos nós artistas apenas, é a pessoa que dirige o caminhão, a que faz a marcenaria da cenografia, quem cozinha para todo mundo, são uma série de ramos produtivos que estão envolvidos na indústria criativa. Muitos podem quebrar com isso”.

Leia a entrevista na íntegra

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