Invasão de vespas assusta moradores e leva prefeitura a emitir alerta em cidade baiana
Especialistas orientam evitar contato e não tentar remover ninhos por conta própria
Por Carol Neves

Cidade registrou invasão de vespas Crédito: Divulgação/Prefeitura de Vitória da Conquista
Moradores de diferentes regiões de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, têm relatado uma “invasão” de marimbondos em áreas urbanas, situação que vem gerando apreensão principalmente entre famílias com crianças, idosos, pessoas alérgicas e tutores de animais domésticos. Diante das ocorrências, a Prefeitura, por meio das secretarias municipais de Meio Ambiente e Saúde, reforçou orientações preventivas, como manter portas e janelas fechadas ao notar a presença dos insetos e procurar atendimento médico em caso de reação às picadas.
Os relatos se concentram em bairros como Candeias, mas também alcançam outras localidades da cidade. As vespas costumam viver em colônias e instalar seus ninhos em locais protegidos, a exemplo de telhados, forros, garagens e beirais. Apesar da preocupação causada pelas ferroadas, que podem provocar desde dor intensa até reações mais graves, esses insetos exercem funções importantes para o meio ambiente, atuando na polinização e no controle natural de outras espécies consideradas pragas.
Embora a maior incidência de vespas seja normalmente observada na primavera, ainda não existe uma explicação conclusiva para o aumento registrado durante o outono. Entre as hipóteses consideradas por especialistas está a influência das chuvas dos últimos meses, que podem ter favorecido a divisão das colônias e o deslocamento dos insetos para áreas urbanizadas.
Síndica de um condomínio localizado na parte alta da cidade, Angélica Freitas afirma que a administração acompanha diariamente os relatos dos moradores e adota medidas preventivas para minimizar riscos.
“Quando os moradores começaram a relatar o aparecimento frequente dos marimbondos nas unidades, antigamente acionávamos o Corpo de Bombeiros para tentar entender como poderíamos agir diante da situação. A orientação recebida foi evitar o uso de inseticidas, porque isso pode tornar os insetos mais agressivos. O que passamos aos moradores é para manter as janelas fechadas quando houver movimentação”, explicou.
Segundo ela, a comunicação entre os moradores tem sido fundamental para identificar os períodos e locais com maior incidência dos insetos.
“Os relatos que recebemos diariamente mostram que os marimbondos aparecem sempre em áreas específicas, próximas às janelas dos blocos. Os próprios moradores avisam nos grupos e, quando alguém percebe movimentação, alerta os demais para que fechem as janelas. Então conseguimos identificar períodos em que esse aparecimento é mais frequente”, relatou.
Para a bióloga Generosa Ribeiro, doutora em Ciências Agrárias e especialista em abelhas, a presença constante de vespas em centros urbanos é mais comum do que muitas pessoas imaginam.
“O aparecimento frequente de vespas em áreas urbanas é mais comum do que parece, especialmente em períodos mais quentes, com lixo exposto e locais protegidos para construção dos ninhos”, explicou.
De acordo com a pesquisadora, entre as espécies mais frequentemente encontradas nas cidades estão a vespa de papel (Polistes versicolor) e a vespa amarela (Vespula vulgaris), que encontram no ambiente urbano condições adequadas para estabelecer colônias.
O que atrai as vespas
Restos de alimentos, frutas maduras, lixo sem proteção, bebidas açucaradas, jardins floridos e a presença de insetos que servem de alimento para as larvas estão entre os principais fatores que atraem esses animais. Locais protegidos da chuva e do sol também favorecem a instalação dos ninhos.
“O calor e os ambientes abrigados também favorecem a presença dessas espécies, que preferem áreas quentes e seguras para formar seus ninhos”, acrescentou.
Especialistas recomendam que a população não tente remover ninhos ou enfrentar grandes concentrações de marimbondos por conta própria, devido ao risco de ataques coletivos. Nesses casos, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros Militar para realizar a retirada de forma segura.
O aumento das ocorrências também reforça a necessidade de medidas preventivas, como armazenar corretamente o lixo, evitar restos de alimentos em áreas abertas e observar possíveis pontos de instalação de ninhos nas residências.
O que fazer em caso de picada
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente orienta que, ao perceber a presença de marimbondos, moradores mantenham portas e janelas fechadas para evitar que os insetos entrem nas casas.
Em caso de picada, as recomendações incluem:
* Afastar-se imediatamente do local para evitar novas ferroadas;
* Lavar a área atingida com água corrente e sabão neutro;
* Aplicar compressas frias por cerca de 10 a 15 minutos para reduzir dor e inchaço;
* Utilizar pomadas antialérgicas, como calamina ou hidrocortisona, para aliviar os sintomas.
Também é importante ficar atento aos sinais de reação alérgica grave, conhecida como anafilaxia. Dificuldade para respirar ou engolir, inchaço nos lábios, língua ou garganta, sensação de desmaio, queda de pressão, manchas vermelhas pelo corpo, náuseas, vômitos e diarreia exigem atendimento médico imediato.

























