O senador José Serra (PSDB-SP) disse ontem que a situação da presidente Dilma Rousseff é pior que a que foi vivida pelo presidente João Goulart (Brasil) em 1964 e pelo presidente Salvador Allende (Chile) em 1973.
“Pode-se dizer que o Brasil do Jango e o Chile do Allende estavam divididos, mais ou menos meio a meio. Pega a pesquisa (do Datafolha) e vê que é sete a um entre quem rejeita e quem apoia. É uma desproporção grande e configura uma crise”, disse o senador tucano.
Ele era presidente da UNE em 1964 quando Pernambuco era governado por Miguel Arraes, que, como ele, foi uma das vítimas do golpe militar que derrubou Jango, permitindo a ascensão do general Castelo Branco à Presidência da República.
A pesquisa a que ele se refere aponta Dilma Rousseff com 71% de reprovação e 10% de aprovação.
Segundo ele, a crise política é grave porque o governo perdeu completamente o controle de sua base no Congresso Nacional.
“Não é a base só do governo, é o líder do PT (Sibá Machado) declarando que vota contra a orientação do governo. Ou seja, não é uma crise do governo, da sua base aliada. É uma crise do governo e do seu próprio partido de sustentação”, acrescentou.
Sibá votou a favor da PEC que vincula o salário dos defensores públicos, advogados da União e delegados das Polícias Civil e Federal, que se passar também no Senado terminará de estourar as contas públicas.
“Dinheiro não é clara de ovo, que você pega vai batendo e vai crescendo. Expectativa ruim é autoprofecia que se realiza”, afirmou.
A crise política foi objeto de várias reuniões realizadas em Brasília nesta sexta-feira. O vice-presidente Michel Temer já está com cara de presidente, mas Dilma Rousseff não dá sinais de que pretende renunciar.
























