Juazeiro faz 141 anos reverenciando João Gilberto, seu filho mais ilustre; veja vídeo histórico

A casa em que ele nasceu e viveu os seus primeiros dias está mudando de ares. Vai virar o Memorial João Gilberto

Levi Vasconcelos
Foto: Divulgação/Assessoria
Foto: Divulgação/Assessoria

Juazeiro, no norte da Bahia, que divide com a pernambucana Petrolina a condição de núcleo urbano mais desenvolvida de todo o Vale do São Francisco, tem uma respeitável coletânea de figuras ilustres nos campos de futebol e das artes.

Documentário cedido ao Ação Popular (AP), pela amiga de João Gilberto, Maria Isabel Pontes, Bebela.

No futebol, teve Luiz Pereira, zagueiro que marcou época na Seleção. Hoje tem Daniel Alves, lateral da Seleção, escolhido domingo passado melhor jogador da Copa América.

Mas nas artes o brilho é forte. Tem Luiz Galvão, que ao lado de Paulinho Boca de Cantor e Moraes Moreira criou os Novos Baianos, e nos dias atuais, a nossa Ivete Sangalo, e, obviamente, João Gilberto, que nos deixou semana passada.

Pegando o pingo

Quem brilha mais? Com a palavra Maurício Cordeiro, o Mauriçola, poeta, cantor, compositor e amigo de João Gilberto:

— Todos brilhantes, João Gilberto o mais.

Mauriçola conta que conheceu João Gilberto em junho de 1977, um São João, a convite de Del Wilson Oliveira, primo carnal do artista, numa noite memorável.

— Eu estava com meu amigo Euvaldo Macedo Filho, quando Del Wilson me convidou para conhecer o João Gilberto. Ele estava com o barbeiro Fernando Oliveira, ainda vivo, com 92 anos, ficou lá até mais da meia noite, toda hora mandando avisar: ‘Primo, estou chegando’. Quando João chegou, muito eufórico, deu uma tropeçada. Del Wilson nos apresentou, os jovens artistas, ele perguntou: ‘Quem é seu pai?’. Paulo China. ‘Ah, sobrinho de Regina! Ela ainda ainda anda como se as ruas fossem todas dela?’. Minha tia andava muito elegante. E ele lembrou.

Conta Mauriçola que a mulher de Del Wilson foi à cozinha fazer um mingau, ele começou a cantar Aquarela do Brasil, deixou a torneira da cozinha pingando e lá mesmo a festa rolou. Incomodava, mas ele nem aí. O pingo incomodava, menos a João, que lá uma hora, ao som do violão, vibrou:

— Peguei o pingo! Você viu?

Todo mundo disse que sim. E ele incorporou o som do pingo aos acordes.

Hoje Juazeiro faz 141 anos de emancipação. A exposição ‘João Gilberto — Uma vida bossa nova de Juazeiro para o mundo’ é a estrela da festa. Mas também a casa em que ele nasceu e viveu os seus primeiros dias está mudando de ares. Vai virar o Memorial João Gilberto.

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