Palocci desmoralizou delações de Moro e Deltan com fraude na Lava Jato

O controverso instituto da delação premiada sofreu um forte revés com a fraude do ex-ministro Antonio Palocci, cujo depoimento à força-tarefa Lava Jato mostrou-se uma peça de ficção tal qual a imagem e semelhança do ex-juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol.

No afã de incriminar o ex-presidente Lula, o PT e empreiteiras, Palocci mentiu na delação visando livrar o próprio pescoço –isto é, deixar a prisão. Ele contava a história que melhor convinha aos ouvidos das autoridades coatoras, no caso a acusação (Ministério Público) e o julgador (juiz), que atuavam em conluio, segundo a Vaza Jato –série de reportagens do site The Intercept Brasil.

O contrato que Palocci disse ter sido feito com a empreiteira Camargo Correa para “comprar” uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, na verdade, era com outra empresa: o Grupo Pão de Açúcar.

A inverossimilhança nos depoimentos de Antonio Palocci desmoraliza as delações premiadas pilotadas pelo ex-juiz Moro e o procurador Dallagnol, bem como a farsa do Partido da Lava Jato fica mais evidente a olhos nu.

A jornalista Mônica Bergamo, na Folha, contou nesta quarta-feira (20) que o escritório do advogado Márcio Thomaz Bastos fora contratado para cuidar da aquisição e megafusão das Casas Bahia com o Pão de Açúcar. O escritório contratou a Projeto, consultoria pertencente a Palocci.

O contrato tornou-se público quando se descobriu que Palocci, enquanto ministro, usava sua influência para fazer negócios que tivessem alguma tangência com o governo. O próprio ex-ministro, que perdeu o emprego na esteira desse escândalo, apresentou o contrato à Justiça.

Em sua defesa, o advogado do delator, Tracy Reinalder, disse agora à Folha que Palocci havia mentido antes, mas que o “verdadeiro escopo” da operação fora beneficiar a empreiteira na Justiça. A explicação conflita com alguns fatos.

O advogado Eros Grau, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, em nome da família de Bastos, juntou não só o contrato, mas planilhas, livros caixa, documentos bancários e recibos demonstrando que os R$ 5,5 milhões foram integralmente pagos a Palocci.

Quando foi necessário explicar o contrato do escritório de Bastos com o Grupo Pão de Açúcar, o advogado que assinou a petição foi o então diretor jurídico da empresa, Ednus Ascari Júnior, marido da procuradora da República Janice Ascari, que cuidava da “castelo de areia” junto ao juiz Fausto de Sanctis.

As versões do ex-ministro petista variam de acordo com o momento. As explicações e informações dadas em depoimentos, nos anexos e fora dos autos vão sendo refeitas cada vez que são negadas.

À Polícia Federal, o ex-ministro disse que a quantia de 5 milhões (ora mencionados como reais, ora como dólares, ora sem moeda) foi depositada em uma conta na Suíça por um advogado da Camargo Correa. Mas as provas indicam que o dinheiro ficou com ele mesmo.

Com informações da Revista do Conjur e Folha.

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