Quem foi Jim Jones, o personagem citado por Renan como inspiração de Bolsonaro

Entre as 918 vítimas do genocídio em Jonestown, em 1978, promovido pelo pastor, estavam quase 300 crianças que foram mortas por ingestão de cianeto

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI do Genocídio, desenterrou do passado um pastor americano responsável por um extermínio em massa, para compará-lo com o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), nesta sexta-feira (11): “nós temos um Jim Jones na presidência da República”.

James Warren Jones, conhecido mundialmente por Jim Jones, foi um pregador religioso americano, ativista, fundador e líder da seita Templo dos Povos. Ele ficou famoso, em novembro de 1978, por ter induzido ao suicídio em massa por envenenamento 918 dos seus membros em Jonestown, Guiana. Ele foi acusado também pelo assassinato do congressista Leo Ryan e de quatro mortes adicionais em Georgetown, capital guianense.

Entre as vítimas, estavam quase 300 crianças que foram mortas por ingestão de cianeto. Jones morreu de um ferimento de bala na cabeça; suspeita-se que sua morte foi um suicídio.

Embora algumas pessoas tenham sido mortas a tiros e facadas, a grande maioria pereceu ao beber, sob as ordens do pastor, veneno misturado a um ponche de frutas.

Jones nasceu em Indiana e começou o Templo do Povo na década de 1950. Ele mudou a sua seita para a Califórnia em meados dos anos 1960 e ganhou notoriedade com o movimento da sede da igreja em São Francisco, no início de 1970.

Estado de transe coletivo

De acordo com reportagem da BBC, republicada por ocasião dos 40 anos da tragédia, em 2018, apesar de promover curas “milagrosas” fraudulentas, Jones era adepto de uma espécie de socialismo cristão, com ideais igualitários, como impor vestuário modesto para os frequentadores de cultos, distribuição de comida gratuita e mesmo o fornecimento de carvão para famílias mais pobres no inverno, o que atraiu um imenso contingente de fiéis de perfis raciais mais diversos.

Por trás disso tudo, no entanto, ele tinha um projeto de mortandade. Em 1978, alertado pela preocupação de parentes de integrantes da comuna, o deputado federal Leo Ryan viajou à Guiana com uma delegação de 18 pessoas para visitar Jonestown.

A visita ocorreu em 17 de novembro. No dia seguinte, Ryan e mais quatro pessoas morreram a tiros em uma pista de pouso próxima ao assentamento. Poucas horas depois ocorreu o suicídio coletivo, considerado o maior da história.

Os relatos de sobreviventes falam em um “estado de transe coletivo”, mas uma sinistra gravação dos procedimentos, que inclui discursos de Jones, contém gritos de agonia das pessoas envenenadas. Muitos dos que tentaram fugir foram mortos.

Quando autoridades da Guiana chegaram a Jonestown, o pastor foi encontrado morto com um tiro na cabeça, em uma posição que sugeriu suicídio. Dos habitantes que estavam em Jonestown naquele dia, apenas 35 sobreviveram.

Quatro décadas depois da tragédia, Jonestown ainda provoca polêmica na Guiana. O terreno da comuna foi “reconquistado” pela floresta, mas há no país quem queira ver o local explorado como ponto turístico, assim como acontece nos antigos campos de concentração nazistas na Europa, por exemplo. Mas o governo do país tem se recusado a considerar a possibilidade.

O Pastor do Diabo, o filme

A história serviu de base para o telefilme Guyana Tragedy: The Story of Jim Jones”, de 1980, que no Brasil ganhou dois títulos, “Jim Jones: A Tragédia da Guiana”, ou “Jim Jones, o Pastor do Diabo”. Dirigido por William A. Graham, o filme traz no papel principal o ator Powers Boothe e teve o roteiro baseado no livro Guyana Massacre: The Eyewitness Account, de Charles A. Krause, que aborda o suicídio em massa dos membros do Templo do Povo em Jonestown.

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