Uauá: Dor e mágoa no desabafo de Jorge Lobo; veja vídeo

Ação Popular (AP)

Em um vídeo emocionado, o ex-prefeito de Uauá, Jorge Lobo (PDT) lamentou a morte da Dona Cotinha causada pelo coronavirus. Ele a tratava como uma mãe, “me dava conselhos e não aceitava que ninguém falasse de minha pessoa em sua frente. Eu a tinha como mãe”, lembrou.

Homenagem aos pais e as pessoas vítimas do CORONAVIRUS em minha terra Uauá. Deus abençoe a todas as famílias.

Posted by Jorge Luiz Lobo Rosa on Sunday, August 9, 2020

No dia dos Pais, quando todos estão voltados para homenagens e boas lembranças o ex-prefeito de Uauá, entre os anos de 2005 a 2012, mostrou toda a sua indignação com o que chamou de “época de trevas” em Uauá.


“Quero fazer uma homenagem a todas as pessoas que faleceram em decorrência do coronavirus em nosso município. Em especial, quero homenagear a minha amiga, minha mãe querida que sempre cuidou de mim: Dona Cotinha. Todos os anos cuidava de meu aniversário na igreja, cuidou de mim até quando teve saúde. Durante muitos anos sempre me chamava a atenção. Mesmo depois de 18 anos, conseguia puxar a minha orelha, cuidou de minha vida em minha casa”, falou emocionado.

Época de trevas

Jorge bateu de frente contra o terror que está sendo implantando no município: “As pessoas falecem, viram números nesse maldito placar que a prefeitura coloca todos os dias tentando amedrontar e não dá transparência para que tenham conhecimento de alguma coisa”.
Em outra parte do vídeo, Jorge Lobo exaltou a sua amiga de verdade. “Uma pessoa chegou em sua casa falando de mim, e ela disse que não aceitava ninguém falar de minha pessoa, ou fazer observações. Isso é que era uma amiga de verdade”.
“Eu fico triste porque ela virou mais um número, assim como outros” – Não escondeu a ira, a mágoa e a dor: “ A prefeitura deveria decretar luto permanente pelas pessoas vítimas do coronavirus”.
E criticou a gestão e o encaminhamento dado pelo prefeito à prevenção e tratamento da pandemia: “Eu fico pensando em Uauá ser tão pequeno com esse número grande de mortes, ao contrário de cidades vizinhas que são maiores. Algumas até sem registro de mortes”.
“Desde fevereiro eu cobro da prefeitura para que distribua máscaras de graça para o povo. Porque as pessoas que estão isoladas após os primeiros sintomas, com a prefeitura mandando de volta para casa e não dá remédio e nem cesta básica, não tem como sobreviver” – E, mesmo ciente que há um descaso deliberado com a população, ele, como cidadão e político, orienta: ‘Tem que fazer o teste diariamente, tem que fazer o exame na família, tem que orientar como deve se proceder dentro de casa, e acompanhar até terminar o ciclo da infecção”.

Deboche neo-comunista

“Eu fico a me perguntar porque a prefeitura não faz a higienização das ruas na sede e interior do município. Teve um povoado que houve muitos casos. Que a associação de desenvolvimento comunitário do município de Uauá – ASDEMU, fez uma higienização com água sanitária, e uma assessora direta do gabinete do prefeito, ironicamente foi contra (…) Hoje nós temos um surto descontrolado e horrível de dengue e chikungunha em Uauá que está deixando as famílias da sede e interior apavoradas” – Lembra, adicionando ao terror do Corona as doenças sempre mal cuidadas e presentes entre os mais pobres.

Cabeça dura da ‘mudança’

Ele voltou à enquadrar o prefeito Lindomar Dantas (PCdoB) por não autorizar fazer o atendimento de pacientes em lugares separado. “Fiz os cálculos entre médicos e enfermeiros, pessoal de limpeza, remédio, colocando parte em um posto de saúde. Deveria pelo menos investir R$ 100 mil por mês numa nova equipe para atender o pessoal com coronavirus. Se não fizer isso, vai continuar transmitindo para outras pessoas através da roupa, máscara e luvas.”

Falta de ordenamento nas filas

“Não existe higienização nos prédios públicos, assim como também o controle nas filas de bancos e casa lotérica” – Destaca, mostrando a diferença entre todas as cidades vizinhas que isolaram a área bancária, ordenam filas, destacam guardas, fiscalização e vigilância permanente.

Contratação de pessoas em plena pré-campanha eleitoral

Jorge Lobo levantou grave suspeita de que a administração da ‘mudança’ está contratando pessoas objetivando a reeleição. Segundo o mesmo, são pessoas inexperientes, que possivelmente nunca tenham pegado em um bisturi, ou usado um jaleco: “Porque a prefeitura está usando o dinheiro do combate ao coronavirus para contratar pessoas que não tem especialidade na área de saúde, até artistas foram contratados. São pessoas que não tem conhecimento, capacitação na área” – Destaca Jorge Lobo e pergunta: “Será que é por causa do período eleitoral?

Rios de dinheiro com o povo morrendo

“De acordo o decreto de calamidade do governo federal, Uauá vai receber fora os recursos, até o final deste ano mais de R$ 5 milhões para combater o coronavirus. E o que vejo é a contratação de pessoas sem especialidade, pois tem muito técnicos de enfermagem e enfermeiros fora de Uauá que estão precisando de emprego. São pessoas com especialidade que precisam de oportunidade. Este não é o momento de pensar em eleições, é o momento de pensar em salvar vidas (…) Eu não sei à quem interessa essa situação de amedrontamento nas pessoas, enquanto isso, as outras cidades já estão voltando ao ciclo normal e Uauá na contramão”, concluiu.

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