{"id":101677,"date":"2015-12-17T09:06:45","date_gmt":"2015-12-17T12:06:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=101677"},"modified":"2015-12-17T09:06:45","modified_gmt":"2015-12-17T12:06:45","slug":"neruda-foi-morto-porque-sairia-do-chile-para-denunciar-pinochet-diz-ex-assessor-do-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/neruda-foi-morto-porque-sairia-do-chile-para-denunciar-pinochet-diz-ex-assessor-do-poeta\/","title":{"rendered":"Neruda foi morto porque sairia do Chile para denunciar Pinochet, diz ex-assessor do poeta"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" style=\"text-align: justify;\" data-section=\"ENTREVISTA: MANUEL ARAYA\"><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><time class=\"time d-b\" datetime=\"2015-12-17BRST10:12\">Victor Farinelli\u00a0<\/time><\/p>\n<div class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Manuel Araya, ex-assessor de Pablo Neruda, diz que poeta foi envenenado e que funda\u00e7\u00e3o que gere mem\u00f3ria do artista ganha dinheiro com vers\u00e3o de morte natural, o que o grupo nega<\/em><\/strong><\/div>\n<div class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"___plusone_0\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"descript\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome de Manuel Araya passou a formar parte da biografia de Pablo Neruda a partir de 2011, depois que uma den\u00fancia sua para a revista mexicana <em>Proceso<\/em> afirmava que o poeta foi assassinado pela ditadura de Pinochet, e n\u00e3o que morreu por consequ\u00eancias de um c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, como dizia a vers\u00e3o oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro anos depois, com uma investiga\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada a respeito da causa da morte de Neruda, e devido \u00e0 recente revela\u00e7\u00e3o de um documento do Minist\u00e9rio do Interior chileno, <a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/noticias\/42200\/novo+documento+reforca+tese+de+que+neruda+teria+sido+envenenado+por+ditadura+pinochet.shtml\">afirmando que \u00e9 a vers\u00e3o de assassinato \u00e9 bastante prov\u00e1vel<\/a>, seu nome e sua vers\u00e3o voltam a ganhar as manchetes, principalmente da imprensa internacional \u2013 ele se recusa a falar com meios chilenos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wikimedia Commons<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/Pablo_Neruda_1966(1).jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nO escritor Pablo Neruda foi senador pelo Partido Comunista chileno<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel Araya foi um jovem militante das Juventudes Comunistas, designado pelo partido em 1972 para ser motorista e guarda-costas pessoal de Pablo Neruda, quando este voltou ao Chile para apoiar o governo de Salvador Allende, que j\u00e1 sofria as primeiras press\u00f5es pr\u00e9-golpe de Estado. Em entrevista exclusiva com <strong>Opera Mundi<\/strong>, ele conta a sua vers\u00e3o dos acontecimentos entre os dias 17 e 23 de setembro de 1973 \u2013 a \u00faltima semana de vida de Neruda \u2013, critica a Funda\u00e7\u00e3o Neruda e o Partido Comunista com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas posturas para com as investiga\u00e7\u00f5es da Justi\u00e7a, e afirma que o poeta tinha a determina\u00e7\u00e3o de denunciar Pinochet no exterior, e por isso foi assassinado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Opera Mundi: Neruda chegou <\/strong><strong>\u00e0<\/strong><strong> Cl<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>nica Santa Mar<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>a dias depois do golpe de Estado contra Allende. Como estava a sa<\/strong><strong>\u00fa<\/strong><strong>de do poeta nesse momento?<\/strong><br \/>\n<strong>Manuel Araya: <\/strong>Eu sempre gosto de come\u00e7ar esclarecendo esse ponto, para desmentir a raiz do argumento oficial, de que Neruda foi internado quando estava agonizando. N\u00e3o foi assim, e quem viveu aquela hist\u00f3ria sabe disso. Neruda tinha um c\u00e2ncer que estava controlado. O promotor [Mario] Carroza conseguiu recuperar todos os exames m\u00e9dicos da \u00e9poca, est\u00e3o no processo, inclusive um que \u00e9 crucial, do m\u00e9dico pessoal dele, doutor Roberto Vargas Salazar, que o pesou dois dias antes de ir \u00e0 cl\u00ednica, e ele tinha 103 quilos \u2013 o laudo oficial sobre a morte do poeta, que defende a tese da morte por c\u00e2ncer, afirma que o poeta pesava pouco mais de 50 quilos quando faleceu, quatro dias depois de dar entrada na cl\u00ednica. O mesmo doutor Salazar recomendou passar pela cl\u00ednica, porque Neruda diz a ele que j\u00e1 tem viagem marcada ao M\u00e9xico, o doutor atendia na Cl\u00ednica Santa Mar\u00eda e pediu que ele fosse fazer uns exames mais detalhados, para continuar controlando a doen\u00e7a no ex\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OM: A viagem ao M<\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong>xico era uma certeza.<\/strong><br \/>\n<strong>MA: <\/strong>Neruda me pediu para lev\u00e1-lo \u00e0 cl\u00ednica no mesmo dia em que o embaixador mexicano [Gonzalo Corbal\u00e1] foi pessoalmente \u00e0 casa de Isla Negra, e entregou o oferecimento de asilo do presidente Luis Echeverr\u00eda. Quando o golpe aconteceu, a primeira rea\u00e7\u00e3o de Neruda foi a de tristeza, havia morrido seu amigo Allende e todo um projeto pol\u00edtico que foi a raz\u00e3o pela qual ele voltou ao Chile. Mas, nos dias posteriores, ele recuperou o entusiasmo, e ele tinha uma rede de contatos no pa\u00eds que passavam a ele as informa\u00e7\u00f5es que a Junta Militar e a imprensa oficial escondiam. Ele sabia dos demais companheiros que estava sendo perseguidos e exterminados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, decidiu que sairia do pa\u00eds para denunciar a ditadura, usando sua influ\u00eancia como figura internacional. Conversou com a Embaixada do M\u00e9xico, porque Corbal\u00e1 era um amigo com o qual ele sabia que poderia contar, e porque queria deixar o pa\u00eds o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Ele sabia que a ditadura queria mat\u00e1-lo, porque ele era Neruda, se ele sa\u00edsse do pa\u00eds e denunciasse tudo o que estava acontecendo no pa\u00eds, isso teria uma repercuss\u00e3o enorme, e ele era plenamente consciente dessa responsabilidade. A Embaixada da Su\u00e9cia tamb\u00e9m havia oferecido asilo, mas havia todo um tr\u00e2mite que poderia durar mais de uma semana at\u00e9 a viagem, e ele queria sair logo. Neruda estava determinado em denunciar Pinochet no mundo inteiro, preparou a viagem com Corbal\u00e1, estava tudo pronto. O primeiro erro foi aceitar o conselho do doutor, porque a interna\u00e7\u00e3o foi o que permitiu que os agentes da ditadura pudessem envenen\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OM: E quais foram os demais erros?<\/strong><br \/>\n<strong>MA: <\/strong>Eu acho que talvez n\u00e3o tenham sido t\u00e3o erros, no sentido que foram situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o t\u00ednhamos escolha, mas ter deixado Neruda sozinho na cl\u00ednica, por exemplo, n\u00e3o foi correto, mas n\u00f3s n\u00e3o tivemos escolha. Naquele momento \u00e9ramos s\u00f3 ele, a Matilde [esposa de Neruda] e eu, os demais companheiros do partido que trabalhavam na prote\u00e7\u00e3o dele j\u00e1 haviam sido capturados, e alguns j\u00e1 haviam sido assassinados, como o meu irm\u00e3o. Na manh\u00e3 do dia em que faleceu [23 de setembro], ele me pediu para levar a Matilde a Isla Negra, para buscar alguns pertences que queria levar ao M\u00e9xico, e tamb\u00e9m os originais da sua biografia [\u201cConfesso que Vivi\u201d], que ele deixaria com Corbal\u00e1, para que ficassem resguardados na Embaixada do M\u00e9xico. Eu quis ficar, e buscar outra pessoa para levar a Matilde, mas ele disse que n\u00e3o havia problema, ele se sentia seguro na cl\u00ednica, e disse que o importante era proteger a Matilde na viagem a Isla Negra. Seu maior temor era que pudesse acontecer algo nesse caminho. Depois de trazer tudo o que Neruda pediu, Matilde foi at\u00e9 o hotel Santa Helena, que ficava ali perto, para usar o telefone, e foi quando ele disse que havia entrado algu\u00e9m que ele achava que era um enfermeiro, que lhe havia dado uma inje\u00e7\u00e3o, e disse \u201cvenham r\u00e1pido, porque essa inje\u00e7\u00e3o me fez mal, estou me queimando por dentro\u201d. Isso foi mais ou menos \u00e0s 15h, e n\u00f3s voltamos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Chegamos por volta das 18h em Santiago, e l\u00e1 na cl\u00ednica aparece outro m\u00e9dico que n\u00f3s n\u00e3o conhec\u00edamos, e ele nos diz que Neruda est\u00e1 grave, e me pede para conseguir uma medica\u00e7\u00e3o que a cl\u00ednica n\u00e3o tinha, e que havia que buscar num laborat\u00f3rio no bairro de Recoleta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/PAbloNeruda(1)(1).jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nGrafite homenageia Neruda em muro de Santiago, capital do Chile<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Matilde estava desesperada. Quando entramos no quarto, vimos o abd\u00f4men dele com um vermelho forte, sendo que ele estava bem quando partimos, pela manh\u00e3. Ela me pediu para ir urgentemente buscar o rem\u00e9dio. Quando sai, poucas quadras depois, sofri uma emboscada e fui levado ao Est\u00e1dio Nacional. Quando fui preso, entendi tudo, entendi que aquilo era uma opera\u00e7\u00e3o para matar Neruda. No dia seguinte, o cardeal Ra\u00fal Silva Henr\u00edquez, da Par\u00f3quia da Solidariedade [\u00f3rg\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica que ajudava os presos pol\u00edticos], visitou o est\u00e1dio e me reconheceu, e tentou me libertar. Ele me trouxe a not\u00edcia que eu j\u00e1 sabia, que Neruda havia falecido, e juro que depois o que eu mais queria era morrer. Entre outras coisas, porque havia fracassado na minha miss\u00e3o de proteg\u00ea-lo. O cardeal s\u00f3 conseguiu a minha liberdade semanas depois, mas eu j\u00e1 estava arrasado, e morto por dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OM:\u00a0Quem questiona a sua vers\u00e3o usa o argumento de que voc\u00ea s\u00f3 apareceu com essa hist\u00f3ria agora, e pergunta por que n\u00e3o a contou antes.<\/strong><br \/>\n<strong>MA:\u00a0<\/strong>Quem questiona a minha vers\u00e3o? O promotor Carroza acredita na minha vers\u00e3o, e n\u00e3o s\u00f3 pelo que eu contei, ele tem os documentos, os exames m\u00e9dicos, o comunicado em que o presidente Echeverr\u00eda [do M\u00e9xico] ordena a Embaixada a entregar o asilo a Neruda e prestar toda a assist\u00eancia necess\u00e1ria para que ele sa\u00edsse do pa\u00eds. Existe somente um questionamento \u00e0 minha vers\u00e3o, que \u00e9 o da Funda\u00e7\u00e3o Neruda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OM:\u00a0Mas por que voc\u00ea n\u00e3o contou antes?<\/strong><br \/>\n<strong>MA:\u00a0<\/strong>Porque n\u00e3o era f\u00e1cil. Primeiro, porque durante a ditadura foi imposs\u00edvel. Se eu fosse Neruda, e pudesse buscar a imprensa internacional, que era a \u00fanica que dizia a verdade do que acontecia no Chile, talvez fosse o caso, mas agora, com ele morto, com o Partido Comunista arrasado e clandestino, o que eu podia fazer? Eu n\u00e3o era ningu\u00e9m, e tinha sorte de estar vivo. N\u00e3o conseguia trabalho porque meu nome estava marcado, as empresas tinham lista de pessoas consideradas perigosas porque tinham ou tiveram milit\u00e2ncia. Essa \u00e9 uma das persegui\u00e7\u00f5es que se fala muito pouco, porque a ditadura n\u00e3o matou fisicamente a todos, mas quem n\u00e3o morreu com bala foi desacreditado, foi perseguido moralmente. Eu s\u00f3 consegui um emprego novamente em 1987, passei anos vivendo da ajuda de alguns familiares, e cheguei a viver nas ruas, num per\u00edodo mais dif\u00edcil. Depois, quando voltou a democracia, eu pensei em contar a hist\u00f3ria, mas era dif\u00edcil. A Matilde j\u00e1 havia falecido, e eu n\u00e3o sabia como me apoiar em algu\u00e9m que pudesse confirmar a minha vers\u00e3o, e nem tinha documentos, s\u00f3 a minha palavra. Somente em 2011, com a ajuda de um jornalista interessado na hist\u00f3ria, e somente porque ele trabalhava para um jornal mexicano, porque eu n\u00e3o confio na imprensa chilena, come\u00e7amos a escrever o relato e a buscar as evid\u00eancias. Conseguimos o suficiente para convencer o promotor Carroza a abrir a causa. Da\u00ed por diante, ficou mais f\u00e1cil investigar, e eu me senti mais seguro em contar tudo o que sabia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OM:\u00a0E por que a Funda\u00e7\u00e3o questiona a sua vers\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>MA:\u00a0<\/strong>Porque a Funda\u00e7\u00e3o tem feito de tudo para obstaculizar as investiga\u00e7\u00f5es. Porque desde que o promotor Carroza instalou o processo, ela tem sido uma barreira constante. Tentaram impedir todas as exuma\u00e7\u00f5es aos restos, tentaram entorpecer a investiga\u00e7\u00e3o, apresentaram supostas testemunhas com hist\u00f3rias completamente falsas, que depois n\u00e3o se sustentaram, mas que atrasaram o avan\u00e7o dos trabalhos da Justi\u00e7a. A Funda\u00e7\u00e3o Neruda n\u00e3o quer que a verdade seja descoberta, porque eles transformaram o legado de Neruda num neg\u00f3cio, e um neg\u00f3cio muito lucrativo. Visitar uma casa-museu \u00e9 car\u00edssimo, e comprar\u00a0<em>souvenirs<\/em>\u00a0mais ainda. O faturamento deve ser astron\u00f4mico, e o mais triste \u00e9 que Neruda n\u00e3o queria isso. Neruda queria que seu legado fosse entregue aos trabalhadores do Chile \u2013 aos sindicatos de trabalhadores mineiros principalmente, porque ele foi senador pelas prov\u00edncias do norte, ele representou esses trabalhadores no Congresso. Provavelmente, a Funda\u00e7\u00e3o Neruda avalia que descobrir a verdade vai afetar o neg\u00f3cio, o que \u00e9 uma vis\u00e3o muito mesquinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wikimedia Commons<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/Pinochet_11-09-1982(1).JPG\" alt=\"\" \/><br \/>\nDesfile comemora nono anivers\u00e1rio do golpe de Estado que levou Augusto Pinochet ao poder no Chile<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OM:\u00a0E o Partido Comunista, no qual voc\u00ea e Neruda militaram, que tipo de apoio tem dado a voc\u00ea durante a causa?<\/strong><br \/>\n<strong>MA:\u00a0<\/strong>Nenhum, infelizmente. Temos a ajuda jur\u00eddica do advogado Eduardo Contreras, que participa da causa em nome do PC, mas \u00e0s vezes eu acho que ele atua mais por iniciativa pr\u00f3pria do que por uma convic\u00e7\u00e3o do partido, porque nunca houve um gesto, um comunicado, um reconhecimento p\u00fablico por parte dos l\u00edderes, algu\u00e9m aparecer e defender oficialmente a verdade, nada. Eles sabem que estamos com a verdade, porque o Contreras sabe, ele conhece os documentos, mas nunca um presidente ou um deputado do PC, nem essa mo\u00e7a mais jovem [Camila Vallejo], tem coragem para vir a p\u00fablico e dizer \u201cNeruda foi assassinado\u201d. Talvez agora, com esse documento do Minist\u00e9rio do Interior, as coisas mudem. Vou continuar frustrado, por n\u00e3o terem acreditado antes, por ter precisado o governo reconhecer primeiro para que o meu partido fizesse um gesto, mas j\u00e1 seria algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OM:\u00a0E o que voc\u00ea espera por parte do governo? Ou da presidente Michelle Bachelet?<\/strong><br \/>\n<strong>MA:\u00a0<\/strong>Eu n\u00e3o espero nada. Talvez deveria, Neruda foi o maior poeta da Am\u00e9rica Latina, e era chileno, e foi assassinado pela ditadura que marcou o Chile no mundo. Quando voc\u00ea sai do Chile, percebe que as pessoas se referem ao pa\u00eds por duas associa\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas, por duas figuras, a de Neruda, pelas quais t\u00eam uma boa imagem nossa, e a de Pinochet, pela qual t\u00eam uma p\u00e9ssima imagem. E elas est\u00e3o ligadas, porque um matou o outro. Pinochet mandou matar Neruda, porque ele era um perigo para aquela ditadura rec\u00e9m-iniciada. Talvez o correto fosse esperar que o governo atuasse para estabelecer essa verdade, pela import\u00e2ncia que Neruda tem para o pa\u00eds, ou somente porque \u00e9 importante restabelecer a verdade. Mas n\u00e3o sei, prefiro n\u00e3o esperar nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro lado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao afirmado por Manuel Araya durante a entrevista, a reportagem de\u00a0<strong>Opera Mundi<\/strong>\u00a0procurou a Funda\u00e7\u00e3o Neruda. \u201cAs declara\u00e7\u00f5es emitidas pelo senhor Manuel Araya s\u00e3o falsas. A Funda\u00e7\u00e3o Neruda est\u00e1 interessada em que se conhe\u00e7a a verdade, e por isso vem acompanhando e apoiando a investiga\u00e7\u00e3o do promotor Mario Carroza em tudo aquilo que foi solicitado at\u00e9 agora. O senhor Manuel Araya ataca constantemente a Funda\u00e7\u00e3o h\u00e1 alguns anos, por motivos que desconhecemos\u201d, afirmou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reportagem tamb\u00e9m procurou o Partido Comunista, e quem respondeu em nome do Partido foi o pr\u00f3prio advogado Eduardo Contreras, que afirmou que sua \u201cparticipa\u00e7\u00e3o na causa n\u00e3o se trata de uma iniciativa pessoal, ma sim da participa\u00e7\u00e3o ativa e entusiasmada do Partido Comunista nos trabalhos que buscam esclarecer a morte de uma figura t\u00e3o importante como Pablo Neruda para o pa\u00eds e para o partido. Se nenhum dirigente comentou nada, ou se o PC como institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o declarou nada, talvez seja por prud\u00eancia, por esperar uma resolu\u00e7\u00e3o definitiva, mas nunca por omiss\u00e3o. O Partido Comunista acredita na vers\u00e3o do assassinato de Neruda, e est\u00e1 esperando o pronunciamento da Justi\u00e7a para se pronunciar sobre o tema\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Araya, ex-assessor de Pablo Neruda, diz que poeta foi envenenado e que funda\u00e7\u00e3o que gere mem\u00f3ria do artista ganha dinheiro com vers\u00e3o de morte natural, o que o grupo nega<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":101678,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-101677","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pablo-neruda.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101677\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}