{"id":101960,"date":"2015-12-18T15:52:18","date_gmt":"2015-12-18T18:52:18","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=101960"},"modified":"2015-12-18T15:52:18","modified_gmt":"2015-12-18T18:52:18","slug":"mineira-vende-churros-em-rodoviaria-de-brasilia-para-pagar-a-faculdade-de-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/mineira-vende-churros-em-rodoviaria-de-brasilia-para-pagar-a-faculdade-de-direito\/","title":{"rendered":"Mineira vende churros em rodovi\u00e1ria de Bras\u00edlia para pagar a faculdade de direito"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"news-tit margin-top-0 margin-bottom-10\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h3 class=\"news-subtit margin-bottom-20\" style=\"text-align: justify;\"><em>Faltam apenas quatro mat\u00e9rias para Maria Odete se tornar bacharel em direito. As mensalidades s\u00e3o pagas com o lucro que o doce recheado lhe d\u00e1, num ponto da rodovi\u00e1ria<\/em><\/h3>\n<section class=\"docs\">\n<div class=\"row\"><\/div>\n<\/section>\n<div class=\"details margin-bottom-10\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"small margin-bottom-0\"><i class=\"spr __iat margin-right-10\"><\/i> <a href=\"mailto:@Correio\">Laura Tizzo\u00a0<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"HOTWordsTxt\" class=\"js-body-news body-news clearfix margin-bottom-25\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"news__image left\">\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Jhonatan Vieira\/Esp.\/CB\/D.A.Press\" src=\"http:\/\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2015\/12\/18\/718733\/20151218162503156011u.jpg\" alt=\"Jhonatan Vieira\/Esp.\/CB\/D.A.Press\" \/><figcaption class=\"content-desc-gallery\">&#8220;Nas horas vagas, sempre dou uma estudadinha&#8221;, diz Maria Odete Silva, estudante de direito\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 sete anos, Maria Odete Silva vende churros na rodovi\u00e1ria do Plano Piloto. O carrinho est\u00e1 sempre ali, na plataforma inferior, de domingo a domingo. Por dia, dezenas de pessoas, ou at\u00e9 mesmo centenas, dependendo do movimento, aproveitam o intervalo entre uma viagem e outra para experimentar o quitute da dona Maria, 46 anos, que pode ser recheado de doce de leite, goiabada, chocolate ou mais de um sabor. Contudo, poucos sabem que a sobremesa alimenta uma outra carreira de Maria: a de advogada.<\/p>\n<p>Maria Odete nasceu em Ara\u00e7ua\u00ed (MG), que tem 36 mil habitantes. Morava com os dois irm\u00e3os mais novos e a m\u00e3e, Maura Pereira, em uma ro\u00e7a. O pai, nunca conheceu. Quando estava com 7 anos, acompanhou a fam\u00edlia em uma empreitada rumo \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo. Maura buscava emprego como trabalhadora dom\u00e9stica e, para isso, deixou os filhos na casa de uma tia. Por l\u00e1, ficaram quatro anos, at\u00e9 que a m\u00e3e decidiu retornar ao estado de origem, levando os meninos. Maria ficou na capital paulista, a pedido da parente.<\/p>\n<p>A volta, no entanto, se tornou tr\u00e1gica para a fam\u00edlia. No trajeto entre a cidade e a fazenda, a m\u00e3e caiu do caminh\u00e3o que carregava boias-frias para a zona rural e faleceu. Maria sequer p\u00f4de dar adeus a ela, pois estava em S\u00e3o Paulo. A partir de ent\u00e3o, a menina come\u00e7ou a trabalhar como dom\u00e9stica em uma resid\u00eancia. Os irm\u00e3os foram \u201ccriados pelo mundo\u201d, como ela mesma diz.<\/p>\n<p>Dos 12 aos 19 anos, Maria se dedicou a uma \u00fanica casa. Apesar de ter uma boa rela\u00e7\u00e3o com a antiga patroa \u2014 chega a consider\u00e1-la uma segunda m\u00e3e \u2014 n\u00e3o conseguia conciliar a rotina de estudos com a labuta. \u201cEstudava, mas daquele jeito. Vivia cansada demais\u201d, define. Pouco depois, ela se casou e abandonou o emprego e tamb\u00e9m a capital. Passou a viver com o marido no interior de S\u00e3o Paulo, onde permaneceu por tr\u00eas anos e meio, enquanto durou o matrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Solteira, retornou a S\u00e3o Paulo para trabalhar como bab\u00e1. Alguns anos mais tarde, conheceu Marcos, com quem se casou e teve dois filhos, Mayara e Junior. Nessa \u00e9poca, come\u00e7ou a vender doces. A enchente que um dia invadiu a casa dela deixou intactos os saquinhos de balas, pirulitos e chicletes \u2013 o suficiente para que montasse, com a porta do guarda-roupa destru\u00eddo pela correnteza, uma barraquinha de guloseimas na cal\u00e7ada. \u201cPedi R$ 10 emprestados \u00e0 minha tia para dar comida aos meus filhos. Com o que sobrou, comprei os docinhos de que eles gostavam. Quando a \u00e1gua destruiu tudo, decidi vender as balas e, dos R$ 10, eu fiz R$ 15\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Uma doen\u00e7a pulmonar do filho, Marcos Junior, fez com que a fam\u00edlia migrasse para o Distrito Federal, na expectativa de encontrar no ar puro do Planalto Central um ref\u00fagio. Mas n\u00e3o foi apenas o endere\u00e7o que mudou. Aos 39 anos, Maria decidiu voltar a estudar. Matriculou-se no programa de Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos do Sesc, para concluir o ensino m\u00e9dio, e passou a vender de churros na rodovi\u00e1ria, de onde sairia o sustento da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Enquanto os churros conquistavam os paladares, alimentavam tamb\u00e9m a mensalidade de R$ 907 do curso de direito em uma faculdade particular da Asa Sul. A apenas quatro mat\u00e9rias para se tornar bacharel em direito, sonha passar em concurso p\u00fablico para promotora. \u201cJ\u00e1 pensei em desistir, porque fiquei muito tempo afastada da sala de aula e, ao retornar, n\u00e3o sabia se daria conta do recado. Eu mesma fui me surpreendendo, porque vi que sou capaz sim e fa\u00e7o isso com o maior prazer\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Ingrediente amargo<\/strong><\/p>\n<p>Para Maria, harmonizar as fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, afinal, tanto a vida acad\u00eamica quanto a profissional exigem tempo e dedica\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o tenho tanto tempo para estudar, como queria. Aos domingos, quando o movimento \u00e9 menor, trago os livros e leio aqui mesmo. Quantas vezes a chuva molhou os question\u00e1rios que estava estudando! Nas horas vagas, sempre dou uma estudadinha\u201d, revela.<\/p>\n<p>Por vezes, a falta de recursos financeiros se torna um ingrediente amargo na luta di\u00e1ria de Maria pelo conhecimento: \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o. Fiquei sem pagar durante um tempo, mas, gra\u00e7as a Deus, quitei tudo. \u00c0s vezes atraso, pe\u00e7o para retirarem os juros e a equipe da faculdade me ajuda porque sabe que trabalho na rodovi\u00e1ria\u201d.<\/p><\/div>\n<div class=\"js-body-news body-news clearfix margin-bottom-25\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"js-body-news body-news clearfix margin-bottom-25\" style=\"text-align: justify;\">Fonte: Estado de Minas<\/div>\n<div class=\"js-body-news body-news clearfix margin-bottom-25\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faltam apenas quatro mat\u00e9rias para Maria Odete se tornar bacharel em direito. 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