{"id":102810,"date":"2015-12-23T10:22:10","date_gmt":"2015-12-23T13:22:10","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=102810"},"modified":"2015-12-23T10:22:10","modified_gmt":"2015-12-23T13:22:10","slug":"filme-retrata-suposta-experiencia-gay-de-eisenstein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/filme-retrata-suposta-experiencia-gay-de-eisenstein\/","title":{"rendered":"Filme retrata suposta experi\u00eancia gay de Eisenstein"},"content":{"rendered":"<div class=\"large-16\">\n<div class=\"head-materia\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Diretor brit\u00e2nico diz que o \u2018cinema est\u00e1 exausto de si mesmo\u2019<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/apos-100-anos-cientistas-tentam-provar-teoria-de-einstein-que-embasa-leis-da-fisica\/albert-einstein\/\" rel=\"attachment wp-att-97736\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-97736 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/albert-einstein.jpg\" alt=\"albert einstein\" width=\"624\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/albert-einstein.jpg 624w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/albert-einstein-300x169.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/albert-einstein-620x349.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"large-16 columns\">\n<div class=\"corpo novo large-16 columns\">\n<div class=\"meta\">\n<div id=\"compartilharInline\" class=\"compartilhamento-angular sharing ng-scope\" data-ng-controller=\"compartilhamentoController\" data-ng-init=\"init();\"><\/div>\n<p id=\"autor\">POR <span class=\"autor\">FABIANO RISTOW<\/span><\/p>\n<div class=\"meta-data\"><span class=\"data-cadastro\"><span class=\"data-cadastro\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/cultura\/18352747-e62-e55\/FT1086A\/420\/05_EISENSTEIN_In_GUANAJUATO_by_Peter_Greenaway_produced_by_Submarine_Fu_Works_and_Paloma_Negra-Submarine_2015.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>O ator finland\u00eas Elmer B\u00e4ck, que interpreta Sergei Eisenstein no filme de Peter Greenaway<b> &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1931, o cineasta sovi\u00e9tico Sergei M. Eisenstein (1898\u20131948), um dos respons\u00e1veis pela consolida\u00e7\u00e3o do cinema como meio de express\u00e3o art\u00edstica, foi ao M\u00e9xico rodar um filme. Dificuldades de produ\u00e7\u00e3o e a suspens\u00e3o de financiamentos impediram a conclus\u00e3o do projeto. O que aconteceu nos 11 meses em que ele passou no pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 certo, mas o brit\u00e2nico Peter Greenaway \u2014 diretor de \u201cAfogando em n\u00fameros\u201d (1988) e \u201cO livro de cabeceira\u201d (1996), entre outros \u2014 apresenta algumas teorias em \u201c\u00a1Que viva Eisenstein! \u2014 10 dias que abalaram o M\u00e9xico\u201d, que estreia no dia 7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma delas \u00e9 que Eisenstein, diretor de \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (1925), teria tido um caso com um guia tur\u00edstico (a sua homossexualidade \u00e9 apenas uma especula\u00e7\u00e3o entre estudiosos). O longa, selecionado para disputar o Urso de Ouro no \u00faltimo Festival de Berlim, conta com uma cena expl\u00edcita de sexo e foi criticado por autoridades russas. Nesta entrevista, por telefone, Greenaway explica que rodou o filme para humanizar o artista sovi\u00e9tico e porque o \u201ccinema est\u00e1 morrendo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como v\u00ea a import\u00e2ncia de Eisenstein?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo Eisenstein desde quando eu estudava arte em Londres, nos anos 1960. \u00c9 meu her\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que fazer um filme sobre ele?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora que tenho 73 anos, senti que era hora de retribuir a admira\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o por meio de uma cinebiografia tradicional. Daqui a dois anos, vamos lembrar os 100 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Mas o verdadeiro motivo \u00e9 que o cinema est\u00e1 morrendo, e r\u00e1pido. Dizem que o cinema inventou o vislumbre, isto \u00e9, a associa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica entre uma pessoa olhando para outra. Mas a pintura j\u00e1 tinha feito isso. A verdade \u00e9 que o cinema inventou muito pouco. Uma inven\u00e7\u00e3o real foi a teoria da montagem, s\u00f3 que a maioria dos filmes que vemos funciona como prosa. Deveriam ser associa\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas de imagens, baseadas em percep\u00e7\u00f5es l\u00edricas do tempo e espa\u00e7o. Essencialmente, falo de met\u00e1foras visuais. Acho que Eisenstein foi mestre nisso.<\/p>\n<div class=\"box box-citacao\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u2018Todas as hist\u00f3rias do mundo j\u00e1 foram contadas no cinema\u2019<\/p>\n<div class=\"autor\"><strong>&#8211; PETER GREENAWAY<\/strong>Cineasta<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor se referiu \u00e0 morte do cinema: remete-se a algum estilo especificamente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refiro-me a tudo. Come\u00e7amos a fazer filmes em 1895. Todas as hist\u00f3rias do mundo j\u00e1 foram contadas no cinema. Sempre que voc\u00ea assiste a um filme, em cinco minutos j\u00e1 sabe o que vai acontecer na trama e o que o protagonista vai fazer. O cinema est\u00e1 exausto de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O cinema est\u00e1 \u201cmorrendo\u201d em formato?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria das pessoas v\u00ea filmes em smartphones, laptops e na TV. O cinema como conhecemos, isto \u00e9, uma tela projetando imagens em frente a uma multid\u00e3o, n\u00e3o existe mais. Mas ele est\u00e1 amaldi\u00e7oado tamb\u00e9m em sua pr\u00f3pria natureza. Todo filme nasce de um texto, como um roteiro. Portanto, cinema n\u00e3o possui material exclusivo, infelizmente. Tamb\u00e9m \u00e9 baseado em no\u00e7\u00f5es de frames, mas n\u00e3o existem enquadramentos na vida real. \u00c9 um conceito artificial. Criar arte a partir de um fen\u00f4meno n\u00e3o natural \u00e9 meio est\u00fapido e limitado. Tamb\u00e9m argumentaria que usamos atores muito mal. Al\u00e9m disso, a c\u00e2mera apenas reproduz o que est\u00e1 \u00e0 sua frente. A\u00ed h\u00e1 um problema de cria\u00e7\u00e3o. Eisenstein dizia que o \u00fanico grande realizador era o <em>(Walt)<\/em> Disney, justamente porque o desenho animado \u00e9 criado a partir do zero, da tela branca. Em outras palavras, o cinema est\u00e1 condenado, e n\u00e3o s\u00f3 por raz\u00f5es socioecon\u00f4micas, mas tamb\u00e9m est\u00e9ticas.<\/p>\n<div class=\"artigo-video clearfix\" style=\"text-align: justify;\">\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/dv_u4O0gXJY?rel=0&amp;wmode=transparent\" width=\"596\" height=\"335\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu novo filme recebeu algumas cr\u00edticas por ser historicamente impreciso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cinema, comercial ou n\u00e3o, \u00e9 bem explicado como m\u00e1quina de sonho. S\u00f3 Deus pode reproduzir a realidade, e digo isso, \u00e9 claro, como um ateu. Queria tratar Eisenstein como um ser mortal. Por isso h\u00e1 cenas em que ele vomita, caga, chora&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A viagem de Eisenstein ao M\u00e9xico \u00e9 s\u00f3 uma pequena parte da biografia dele. Por que focou nesse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele filmou quil\u00f4metros de pel\u00edcula l\u00e1, mas nunca chegou a editar, por raz\u00f5es sobretudo pol\u00edticas. O filme ficou inacabado, e eu tenho uma fascina\u00e7\u00e3o por fracasso, pelas longas estrias entre a imagina\u00e7\u00e3o e a possibilidade de concretizar um projeto. E todos somos pessoas diferentes quando estamos em outro pa\u00eds, pois ficamos distantes de nossas ra\u00edzes, de amigos e das cren\u00e7as da nossa terra natal. \u00c9 um movimento que nos liberta para novas formas de express\u00e3o. Isso abriu a possibilidade de eu explorar a sexualidade do Eisenstein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor acredita que a viagem dele ao M\u00e9xico mudou a forma com que via o mundo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim. As primeiras obras-primas dele s\u00e3o \u201cA greve\u201d (1925), \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (1925) e \u201cOutubro\u201d (1928). Eram bem pol\u00edticas. Mas suas \u00faltimas obras, como \u201cIvan, o Terr\u00edvel\u201d (1945), focaram em indiv\u00edduos. A raz\u00e3o \u00e9 que o tempo que ele passou longe da R\u00fassia, separado do materialismo dial\u00e9tico e do regime de Stalin, abriu seus olhos para coisas que aconteciam dentro e fora daquele pa\u00eds. No M\u00e9xico, pensou em quest\u00f5es como o fim da vida, a coisa mais inegoci\u00e1vel que existe. Isso vale para todos. Eu n\u00e3o te conhe\u00e7o, voc\u00ea \u00e9 um jornalista e est\u00e1 falando comigo, mas sei duas coisas sobre voc\u00ea: a primeira \u00e9 que voc\u00ea nasceu depois de uma trepada. A segunda, desculpe ser sincero, \u00e9 que voc\u00ea vai morrer. S\u00e3o os dois eventos mais importantes da sua vida, e tamb\u00e9m temas ligados \u00e0 religi\u00e3o e \u00e0 arte. Pense nos \u00faltimos dez filmes a que voc\u00ea assistiu. Aposto que eles t\u00eam atores transando e pessoas morrendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor \u00e9 diretor de filmes como \u201cO cozinheiro, o ladr\u00e3o, sua mulher e o amante\u201d (1989) e \u201cO livro de cabeceira\u201d (1996). Nunca evitou falar de sexo e morte. Como esses assuntos se tornaram t\u00e3o relevantes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quis ser pintor na juventude. A arte religiosa, como a de Rembrandt ou de Michelangelo, tem esses dois temas no topo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a R\u00fassia reagiu ao seu filme?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem queriam que eu filmasse. Recebi e-mails de \u00f3dio. Eisenstein \u00e9 um her\u00f3i nacional l\u00e1. Tem gente determinada a ter um programa patri\u00f3tico e celebrar os \u201ctesouros nacionais\u201d. E Putin \u00e9 muito homof\u00f3bico. Quase todo mundo trepa porque \u00e9 prazeroso. Por que deveria ser diferente para os gays? \u00c9 um absurdo. Ainda assim, o filme foi exibido num festival russo, e houve uma demanda forte para v\u00ea-lo. Acredito que o filme \u00e9 bem cinematogr\u00e1fico. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma homenagem ao Eisenstein. Esteticamente, \u00e9 tamb\u00e9m um tributo a Fellini, Scorsese etc.<\/p>\n<div id=\"pub-\" class=\"publicidade-materia\" style=\"text-align: justify;\">Fonte: O Globo<\/div>\n<div class=\"publicidade-materia\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sim. As primeiras obras-primas dele s\u00e3o \u201cA greve\u201d (1925), \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (1925) e \u201cOutubro\u201d (1928). Eram bem pol\u00edticas. Mas suas \u00faltimas obras, como \u201cIvan, o Terr\u00edvel\u201d (1945), focaram em indiv\u00edduos. 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