{"id":10577,"date":"2013-08-16T09:05:29","date_gmt":"2013-08-16T12:05:29","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=10577"},"modified":"2013-08-16T10:29:55","modified_gmt":"2013-08-16T13:29:55","slug":"pesquisador-diz-que-shakespeare-escreveu-trechos-de-a-tragedia-espanhola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pesquisador-diz-que-shakespeare-escreveu-trechos-de-a-tragedia-espanhola\/","title":{"rendered":"Shakespeare escreveu trechos de \u2018A trag\u00e9dia espanhola\u2019"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-10578\" alt=\"americano\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/americano-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/americano-300x225.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/americano-409x307.jpg 409w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/americano.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Por quase dois s\u00e9culos, pesquisadores t\u00eam debatido se 325 linhas da pe\u00e7a \u201cA trag\u00e9dia espanhola\u201d, publicada por Thomas Kyd em 1602, foram, na verdade, escritos por William Shakespeare.<\/p>\n<p>No ano passado, o pesquisador brit\u00e2nico Brian Vickers usou uma an\u00e1lise de computador para defender que as chamadas \u201cpassagens adicionais\u201d foram escritas pelo bardo. A afirma\u00e7\u00e3o foi aclamada como um dos \u00faltimos triunfos da an\u00e1lise high-tech de textos elizabetanos (do per\u00edodo em que a Elizabeth I governou o Reino Unido, de 1558-1603).<\/p>\n<p>S\u00f3 que, agora, um professor da Universidade do Texas afirma ter chegado a algo mais pr\u00f3ximo da prova definitiva, depois de usar um m\u00e9todo \u00e0 moda antiga: a an\u00e1lise da confusa caligrafia de Shakespeare. Em um conciso artigo de quatro p\u00e1ginas, que sai em setembro na revista \u201cNotes and Queries\u201d, Douglas Bruster defende que v\u00e1rias idiossincrasias das passagens adicionais \u2014 inclusive versos estranhos que chocaram alguns c\u00e9ticos, por serem claramente inferiores ao estilo de Shakespeare \u2014 s\u00e3o explicadas por uma leitura errada da caligrafia do autor.<\/p>\n<p>\u2014 O que temos aqui n\u00e3o \u00e9 algo mal escrito, mas sim mal manuscrito \u2014 disse Bruster, em entrevista por telefone.<\/p>\n<p>Defender que Shakespeare \u00e9 o autor dos versos pode ser uma empreitada perigosa. Em 1996, Donald Foster, um pioneiro da an\u00e1lise de texto por computador, ganhou manchetes ao afirmar que Shakespeare era o autor de um obscuro poema elizabetano, \u201cElegia para um funeral\u201d. Seis anos depois, ele voltou atr\u00e1s, depois que an\u00e1lises de Brian Vickers e outros mostraram que o texto era de outro autor.<\/p>\n<p><strong>Editores corroboram descoberta<\/strong><\/p>\n<p>Desta vez, editoras de renomadas publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas apostam que os argumentos cuidadosamente met\u00f3dicos de Bruster, somados ao trabalho anterior de Vickers e outros, v\u00e3o fazer a afirma\u00e7\u00e3o ser levada a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u2014 Isso \u00e9 o mais pr\u00f3ximo a que podemos chegar \u2014 disse Eric Rasmussen, professor da Universidade de Nevada e editor, com Jonathan Bate, da edi\u00e7\u00e3o das obras completas do bardo publicada pela Royal Shakespeare Company. \u2014 Acho que, agora, podemos dizer com alguma autoridade que, sim, \u00e9 Shakespeare o autor. As digitais dele est\u00e3o por toda parte.<\/p>\n<p>Rasmussen e Bate v\u00e3o incluir \u201cA trag\u00e9dia espanhola\u201d na edi\u00e7\u00e3o com todas as pe\u00e7as em que Shakespeare atuou como colaborador, que ser\u00e1 publicada em novembro. E Douglas Bruster planeja incluir as passagens adicionais em sua nova edi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie Riverside Shakespeare (rebatizada como Bankside Shakespeare).<\/p>\n<p>Levando em conta toda a obra do bardo, as passagens adicionais podem ser a primeira adi\u00e7\u00e3o ao c\u00e2none feita sem disputa, desde que a colabora\u00e7\u00e3o de Shakespeare na pe\u00e7a \u201cEduardo III\u201d passou a aparecer em edi\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas com suas obras completas.<\/p>\n<p>O teatro elizabetano era intensamente colaborativo, com dramaturgos trabalhando com pe\u00e7as antigas ou se unindo para criar obras novas, \u00e0 moda dos especialistas em roteiro de Hollywood. As \u201cpassagens adicionais\u201d, inclu\u00eddas ao texto original mais de uma d\u00e9cada depois de Thomas Kyd t\u00ea-lo escrito, atualizaram a pe\u00e7a sobre uma vingan\u00e7a sangrenta com um pouco de realismo psicol\u00f3gico, \u00e0 \u00e9poca na moda. N\u00e3o se sabe se Kyd, morto em 1594, chegou a encontrar Shakespeare pessoalmente.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de Shakespeare ter escrito as passagens adicionais \u2014 baseada, em parte, pela semelhan\u00e7a entre Hamlet e a cena em que um pai fala sobre a morte do filho \u2014 surgiu pela primeira vez em 1833, levantada por Samuel Taylor Coleridge. Mas foi uma posi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria entre os pesquisadores durante o s\u00e9culo XX. Mesmo depois de as pesquisas passarem a usar as an\u00e1lises por computador para detectar padr\u00f5es lingu\u00edsticos sutis.<\/p>\n<p>Pesquisadores falam h\u00e1 tempos das idiossincrasias da caligrafia de Shakespeare, para explicar esquisitices nas primeiras edi\u00e7\u00f5es de suas pe\u00e7as. Numa delas, de 1604, por exemplo, a m\u00e3e de Hamlet, Gertrude, \u00e9 chamada de Gertrad.<\/p>\n<p>Douglas Bruster era um dos que achava as passagens adicionais mal escritas demais para serem de Shakespeare.<\/p>\n<p>\u2014 Uma vez que voc\u00ea percebe que a caligrafia foi respons\u00e1vel pelos erros, deixam de ser versos ruins. Na verdade, \u00e9 um trecho maravilhoso \u2014 diz Bruster.<\/p>\n<p>Achar versos de Shakespeare na pe\u00e7a de outro autor pode n\u00e3o trazer a empolga\u00e7\u00e3o da descoberta de um poema in\u00e9dito do bardo. Mas o artigo de Bruster reflete o interesse acad\u00eamico no autor de \u201cRei Lear\u201d como um dramaturgo que colaborava com outros artistas \u2014 inclusive em pe\u00e7as que n\u00e3o sa\u00edram somente de sua pr\u00f3pria pena.<\/p>\n<p>\u2014 Shakespeare n\u00e3o era um g\u00eanio solit\u00e1rio. Ele era um trabalhador do teatro. Se a companhia precisasse de uma pe\u00e7a, ele ia se juntar a outros dramaturgos para escrev\u00ea-la \u2014 diz Brian Vickers.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por quase dois s\u00e9culos, pesquisadores t\u00eam debatido se 325 linhas da pe\u00e7a \u201cA trag\u00e9dia espanhola\u201d, publicada por Thomas Kyd em 1602, foram, na verdade, escritos por William Shakespeare. 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