{"id":105836,"date":"2016-01-10T10:58:34","date_gmt":"2016-01-10T13:58:34","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=105836"},"modified":"2016-01-10T10:58:34","modified_gmt":"2016-01-10T13:58:34","slug":"beneficiarios-do-bolsa-familia-cresce-na-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/beneficiarios-do-bolsa-familia-cresce-na-crise\/","title":{"rendered":"Benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia cresce na crise"},"content":{"rendered":"<div class=\"news_heading\"><\/div>\n<div class=\"news_heading\"><\/div>\n<div class=\"news_heading\"><\/div>\n<div class=\"news_heading\"><em><strong><span class=\"gallery_desc\">Considerado o gasto efetivo do ano passado, de R$ 27,7 bilh\u00f5es, e o or\u00e7amento para o programa deste ano, de R$ 28,1 bilh\u00f5es, o m\u00e1ximo reajuste poss\u00edvel para o benef\u00edcio ser\u00e1 de 1,4%<\/span><\/strong><\/em><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/beneficiarios-do-bolsa-familia-poderao-ter-beneficio-bloqueado%e2%80%8f\/bolsa-familia-junco-do-maranhao-105-c-size-598\/\" rel=\"attachment wp-att-63024\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-63024 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/BOLSA-FAMILIA-JUNCO-DO-MARANHAO-105-c-size-598.jpg\" alt=\"BOLSA-FAMILIA-JUNCO-DO-MARANHAO-105-c-size-598\" width=\"597\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/BOLSA-FAMILIA-JUNCO-DO-MARANHAO-105-c-size-598.jpg 597w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/BOLSA-FAMILIA-JUNCO-DO-MARANHAO-105-c-size-598-300x169.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/BOLSA-FAMILIA-JUNCO-DO-MARANHAO-105-c-size-598-464x261.jpg 464w\" sizes=\"auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div id=\"abanoticia\">A previs\u00e3o de um reajuste abaixo da infla\u00e7\u00e3o de 2015 para o programa Bolsa Fam\u00edlia neste ano dever\u00e1 ter um impacto direto na renda das resid\u00eancias mais pobres do Brasil. Considerado o gasto efetivo do ano passado, de R$ 27,7 bilh\u00f5es, e o or\u00e7amento para o programa deste ano, de R$ 28,1 bilh\u00f5es, o m\u00e1ximo reajuste poss\u00edvel para o benef\u00edcio ser\u00e1 de 1,4%. Sem especificar n\u00fameros, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social (MDS) divulgou na semana passada que haver\u00e1 R$ 1 bilh\u00e3o a mais para o programa em 2016, o que permitiria uma corre\u00e7\u00e3o maior, de at\u00e9 3,7%. Ainda assim, o porcentual ficar\u00e1 bem abaixo do IPCA, \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o oficial do Pa\u00eds, que ficou em 10,67% no ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Durante uma d\u00e9cada, o or\u00e7amento do Bolsa Fam\u00edlia cresceu consistentemente acima da infla\u00e7\u00e3o (ver quadro acima), mas a situa\u00e7\u00e3o se inverteu desde o ano passado, quando o total liberado para o programa subiu s\u00f3 1,8% em rela\u00e7\u00e3o a 2014. \u201cO Bolsa Fam\u00edlia impacta bastante o consumo e a vida de seus benefici\u00e1rios, que possuem renda extremamente baixa. Entretanto, o valor desembolsado tem baixa representatividade. Corresponde a aproximadamente 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro\u201d, afirma Renato Meirelles, diretor do Data Popular. Segundo o instituto, 50% dos pagamentos s\u00e3o feitos na regi\u00e3o Nordeste do Pa\u00eds, que concentra 6,9 milh\u00f5es do total de 13,9 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Diante do perfil dos benefici\u00e1rios, a perda do poder de compra do Bolsa Fam\u00edlia dever\u00e1 impactar justamente a camada mais carente da popula\u00e7\u00e3o. Em 2014, a consultoria Plano CDE, especializada na base da pir\u00e2mide, realizou um estudo que subdividiu benefici\u00e1rios do programa em quatro categorias sociais distintas. Segundo o s\u00f3cio-diretor da Plano CDE, Maur\u00edcio de Almeida Prado, o Bolsa Fam\u00edlia representava 23% do rendimento dom\u00e9stico total do mais pobre dos quatro grupos. \u201cO Bolsa Fam\u00edlia garante a recorr\u00eancia de renda para as fam\u00edlias mais pobres. Nos meses em que o trabalho \u00e9 escasso, pois a informalidade \u00e9 alta entre essa popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 o benef\u00edcio que coloca a comida na mesa\u201d, diz o especialista.<\/p>\n<p><strong>Renda fr\u00e1gil<\/strong><br \/>\nCom a crise econ\u00f4mica e o consequente aumento do desemprego, a tend\u00eancia \u00e9 que as fam\u00edlias fiquem mais dependentes do programa. Em Cajamar, uma das cidades paulistas que mais dependem do programa em termos relativos (o munic\u00edpio recebe R$ 156 por habitante, contra a m\u00e9dia estadual de R$ 56, conforme dados oficiais de repasses do benef\u00edcio e popula\u00e7\u00e3o), o Estado encontrou duas fam\u00edlias que hoje sobrevivem gra\u00e7as ao Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Morador da comunidade Km 42, \u00e1rea de invas\u00e3o que fica na beira da estrada que d\u00e1 acesso a Cajamar, o pedreiro Cosme Costa dos Santos, 25 anos, perdeu o emprego com carteira assinada em novembro, que lhe pagava um sal\u00e1rio l\u00edquido de R$ 1,3 mil. \u201cFoi culpa da crise. A empresa disse que n\u00e3o tem mais obra\u201d, explica Cosme. Na semana passada, ele deu entrada na papelada do seguro-desemprego, que deve come\u00e7ar a ser pago em fevereiro. Em janeiro, por\u00e9m, a \u00fanica renda constante da fam\u00edlia foi o Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A esposa de Cosme, Tatiana Aparecida Martins, 35 anos, est\u00e1 gr\u00e1vida de sete meses. O pequeno Isaac \u00e9 esperado para o fim de mar\u00e7o. Ser\u00e1 o primeiro filho biol\u00f3gico dele e o quinto dela &#8211; vi\u00fava de um primeiro casamento, Tatiana tem duas filhas adultas (de 20 e 18 anos) e tamb\u00e9m um casal de g\u00eameos de 8 anos. Ela se cadastrou no programa h\u00e1 seis anos e hoje recebe R$ 380 mensais. Como a renda da fam\u00edlia caiu muito desde que o marido perdeu o emprego, Tatiana decretou o fim de todos os sup\u00e9rfluos. \u201cN\u00e3o estamos fazendo mais d\u00edvidas para comprar eletrodom\u00e9sticos\u201d, diz a dona de casa. \u201cCom R$ 400, hoje voc\u00ea vai no mercado e consegue carregar toda a compra para casa. As sacolas nem ficam pesadas.\u201d<\/p>\n<p>Em outra regi\u00e3o de Cajamar, no bairro Jordan\u00e9sia, o Bolsa Fam\u00edlia tamb\u00e9m \u00e9 a \u00fanica renda da resid\u00eancia comandada por Dalva Aparecida Ochini. O marido dela, que tamb\u00e9m \u00e9 pedreiro, hoje depende de bicos. Os R$ 300 do Bolsa Fam\u00edlia precisam ser suficientes para o sustento dos tr\u00eas filhos do segundo casamento de Dalva &#8211; DeJuan Carlos, 11 anos, \u00e9 o mais jovem &#8211; e da irm\u00e3 Creusa, que tamb\u00e9m vive na casa herdada pelos pais de ambas.<\/p>\n<p>Um novo membro da fam\u00edlia &#8211; um neto rec\u00e9m-nascido &#8211; j\u00e1 foi inclu\u00eddo no programa pela av\u00f3. Mas o valor recebido n\u00e3o sofreu reajuste, segundo a dona de casa. \u201cContinuo recebendo R$ 300, mas a minha filha tira os R$ 35 do beb\u00ea. E eu falo para ela: com esse valor, voc\u00ea pode comprar um pacote de fraldas num m\u00eas e uma lata de noite no outro.\u201d Sem perspectiva de aumento de renda, Dalva diz que todos os projetos &#8211; incluindo uma pequena reforma na casa, para o conserto de goteiras &#8211; foram abandonados. \u201cQuando chove, tenho de cobrir meus m\u00f3veis\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>\u2018Sobe e desce\u2019<\/strong><br \/>\nComo a renda varia muito de um m\u00eas para o outro, boa parte dos benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia vive em uma esp\u00e9cie de \u201cgangorra social\u201d, segundo a consultoria Plano CDE. Um indiv\u00edduo da classe D pode passar para a classe E conforme a varia\u00e7\u00e3o dos ganhos dos \u201cbicos\u201d em um determinado m\u00eas. \u00c9 por isso, segundo Andr\u00e9 Torretta, fundador da A Ponte Estrat\u00e9gia, outra consultoria especializada na baixa renda, que uma perda real no benef\u00edcio, mesmo que pequena, pode fazer muita diferen\u00e7a na vida desse p\u00fablico. \u201cPara o contingente mais pobre, R$ 20 podem ser equivalentes a tr\u00eas dias de alimenta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Trabalhando h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada com projetos envolvendo as classes C e D, Torretta diz que a informa\u00e7\u00e3o sobre o fim da bonan\u00e7a econ\u00f4mica dos \u00faltimos dez anos ainda n\u00e3o foi totalmente absorvida pela popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. Para ele, esse \u00e9 um processo que deve durar cerca de cinco anos. Ao fim deste prazo, explica ele, as conquistas dos tempos de vacas gordas &#8211; como os eletrodom\u00e9sticos &#8211; chegar\u00e3o ao fim da vida \u00fatil. \u201cHoje, essas fam\u00edlias j\u00e1 est\u00e3o apertando o cinto, mas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extens\u00e3o da crise, a ficha n\u00e3o caiu totalmente.\u201d<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A previs\u00e3o de um reajuste abaixo da infla\u00e7\u00e3o de 2015 para o programa Bolsa Fam\u00edlia neste ano dever\u00e1 ter um impacto direto na renda das resid\u00eancias mais pobres do Brasil. 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