{"id":105846,"date":"2016-01-10T11:13:13","date_gmt":"2016-01-10T14:13:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=105846"},"modified":"2016-01-10T11:13:13","modified_gmt":"2016-01-10T14:13:13","slug":"a-orelha-do-jegue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-orelha-do-jegue\/","title":{"rendered":"A orelha do jegue"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-post-thumbnail wp-post-image\" src=\"http:\/\/imagens4.ne10.uol.com.br\/blogsne10\/jamildo\/uploads\/2016\/01\/unnamed1-624x417.jpg\" alt=\"unnamed\" width=\"624\" height=\"417\" \/><\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Osvaldo Matos, no livro A Lei do C\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era uma tarde de quinta-feira \u2013 na cidade de Pegaprar, no distante sert\u00e3o de Al\u00e9m-Mar \u2013 quando chegou, de repente, no distrito policial uma velhinha chorando copiosamente, trazendo um jumento ferido. O delegado ficou preocupado, por tratar-se de uma senhora trabalhadora e querida por todos. Ela usava o jumentinho para levar seus queijos e doces para a feira. Ela, aos prantos, exp\u00f4s ao delegado ter um cidad\u00e3o b\u00eabado, metido a brabo, cortado a orelha de seu jegue na feira, com a pretens\u00e3o de com\u00ea-la como tira-gosto. O amor da velhinha pelo jegue era grande, nada a fazia parar de chorar. Solu\u00e7ava de uma forma que preocupou os policiais, a ponto de ficarem receosos de que acontecesse algum problema em sua sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jovem delegado da cidade resolveu tomar as dores da velhinha. Mandou buscar o autor da tal maldade e resolveu prender o agressor. Em seguida, pediu ao farmac\u00eautico da cidade que fizesse um curativo no jegue, porque n\u00e3o existia veterin\u00e1rio. O cidad\u00e3o b\u00eabado ficou durante quatro dias na cela. O que chamou aten\u00e7\u00e3o era a orelha do jegue estar amarrada em um cord\u00e3o, colocado no local onde os policiais faziam as necessidades fisiol\u00f3gicas. Passados quatro dias, o delegado mandou buscar o agressor metido a brabo, a cavalo do c\u00e3o. Mandou trazer uma garrafa de cacha\u00e7a e colocou-a em cima do bir\u00f4. Falou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Agora, voc\u00ea vai comer o seu tira-gosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A orelha do jegue, praticamente em estado de putrefa\u00e7\u00e3o, o agressor foi obrigado a ingeri-la embaixo de porrada. O delegado resolveu dar um corretivo na hora em que ele estava s\u00f3brio, para ver o quanto de sofrimento causara ao animal. Como dificilmente na justi\u00e7a, ele seria condenado ou cumpriria qualquer pena, o delegado resolveu aplicar a justi\u00e7a que entendia ser a mais correta. O preso, depois de cinco dias, foi solto, ap\u00f3s o cumprimento do castigo. Quando caminhava na rua, as pessoas brincavam, dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Mas, rapaz, tu comeu a orelha do jegue?!<br \/>\nEle respondia o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Daquela forma, eu comeria at\u00e9 o jegue inteiro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Extra\u00eddo do Blog do Jamildo<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A orelha do jegue, praticamente em estado de putrefa\u00e7\u00e3o, o agressor foi obrigado a ingeri-la embaixo de porrada. 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