{"id":107252,"date":"2016-01-17T08:08:38","date_gmt":"2016-01-17T11:08:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=107252"},"modified":"2016-01-17T08:08:38","modified_gmt":"2016-01-17T11:08:38","slug":"manifesto-de-advogados-dribla-todas-as-questoes-honestas-sobre-a-lava-jato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/manifesto-de-advogados-dribla-todas-as-questoes-honestas-sobre-a-lava-jato\/","title":{"rendered":"Manifesto de advogados dribla todas as quest\u00f5es honestas sobre a Lava Jato"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\"><em>O documento de t\u00edtulo oitocentista contra a opera\u00e7\u00e3o, publicado nesta sexta-feira, ensina uma li\u00e7\u00e3o: aprenda como juntar 1016 palavras para produzir um sil\u00eancio estrondoso<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Andr\u00e9 Petry<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"O JUIZ SERGIO FERNANDO MORO: seu mundo discreto come\u00e7ou a virar pelo avesso em 11 de julho de 2013, quando ele autorizou a pol\u00edcia federal a fazer \u201cescuta telef\u00f4nica e telem\u00e1tica\u201d contra um obscuro doleiro\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/12\/23\/1918\/pe6Cx\/alx_sergio-moro_original.jpeg?1450908770\" alt=\"O JUIZ SERGIO FERNANDO MORO: seu mundo discreto come\u00e7ou a virar pelo avesso em 11 de julho de 2013, quando ele autorizou a pol\u00edcia federal a fazer \u201cescuta telef\u00f4nica e telem\u00e1tica\u201d contra um obscuro doleiro\" \/><figcaption>Manifesto acusa o juiz Moro de uma longa lista de barbaridades, mas n\u00e3o diz quase nada sobre os magistrados dos tribunais superiores que t\u00eam mantido suas decis\u00f5es de p\u00e9<span class=\"credito\">(La\u00edlson Santos\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Quem nunca teve a oportunidade de ler uma pe\u00e7a de defesa escrita por um advogado n\u00e3o pode perder o manifesto que noventa caus\u00eddicos publicaram na imprensa na sexta-feira. O manifesto tem oito par\u00e1grafos e um t\u00edtulo oitocentista: &#8220;Carta aberta em rep\u00fadio ao regime de supress\u00e3o epis\u00f3dica de direitos e garantias verificado na opera\u00e7\u00e3o Lava Jato&#8221;. \u00c9 uma li\u00e7\u00e3o sobre como driblar certas inconveni\u00eancias factuais e juntar 1016 palavras para produzir um sil\u00eancio estrondoso.<\/p>\n<p>O manifesto denuncia &#8220;viola\u00e7\u00f5es de regras m\u00ednimas para um justo processo&#8221; e lista o que estaria sendo desrespeitado: presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, direito de defesa, garantia da imparcialidade, abuso de pris\u00e3o provis\u00f3ria, vazamento seletivo de informa\u00e7\u00f5es sigilosas, sonega\u00e7\u00e3o de documentos aos acusados, execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos r\u00e9us e viola\u00e7\u00e3o de prerrogativas da advocacia &#8220;dentre outros graves v\u00edcios&#8221;. Resumindo, Lava Jato \u00e9 &#8220;uma esp\u00e9cie de inquisi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<div id=\"tt-wrapper8e877c8\" class=\"tt-wrapper inread \"><\/div>\n<p>Exemplificando, acusa a imprensa &#8211; VEJA em especial, embora n\u00e3o nomeia a revista &#8211; de participar de uma &#8220;estrat\u00e9gia&#8221; para desmoralizar os acusados e pressionar os magistrados a jogar duro contra eles, negando-lhes habeas-corpus e mantendo-os sob pris\u00e3o provis\u00f3ria. Acusa o juiz Sergio Moro &#8211; igualmente sem nome\u00e1-lo &#8211; de atuar com parcialidade, e termina declarando que, diante de tamanhas viola\u00e7\u00f5es legais e constitucionais, &#8220;o Estado de Direito est\u00e1 sob amea\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>A Lava Jato tem provocado controv\u00e9rsias reais no meio jur\u00eddico e fora dele. Ser\u00e3o justas as longas e numerosas pris\u00f5es provis\u00f3rias de meros suspeitos? Ser\u00e3o v\u00e1lidos acordos de dela\u00e7\u00e3o feitos por acusados devastados pela amea\u00e7a de pris\u00e3o? Ser\u00e1 papel da imprensa divulgar informa\u00e7\u00f5es sigilosas previamente peneiradas por policiais, procuradores, ju\u00edzes? Caber\u00e1 a um juiz o protagonismo de presidir uma investiga\u00e7\u00e3o e depois ele mesmo julg\u00e1-la? S\u00e3o quest\u00f5es complexas que, num debate honesto, fazem todo o sentido.<\/p>\n<p>O manifesto, por\u00e9m, dribla todas. Acusa a imprensa de publicar fotografias e informa\u00e7\u00f5es sigilosas, mas nada diz sobre as autoridades p\u00fablicas que as vazam. A imprensa tem o dever de publicar o que julga de interesse p\u00fablico. Pode-se questionar seus crit\u00e9rios editoriais, mas \u00e9 indiscut\u00edvel que seu papel \u00e9 trazer informa\u00e7\u00f5es \u00e0 luz do sol, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Cabe \u00e0s autoridades p\u00fablicas &#8211; policiais, servidores da Justi\u00e7a, delegados, procuradores &#8211; garantir sigilo ao que \u00e9 sigiloso. O que o manifesto diz sobre isso? Sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Mais: acusa a imprensa de pressionar os magistrados publicamente, mas nada diz sobre os magistrados que supostamente se curvam \u00e0 press\u00e3o. Na democracia, a press\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 apenas livre; sendo dentro da lei, \u00e9 bem-vinda. A imprensa pressiona. Os bancos pressionam. Os agricultores pressionam. Os estudantes pressionam. Os atores, os padres, os advogados pressionam. At\u00e9 os magistrados pressionam, alguns, inclusive, com a verve dos glossol\u00e1licos. A quest\u00e3o \u00e9: as autoridades que s\u00e3o alvo das press\u00f5es est\u00e3o descumprindo seu dever, violando suas consci\u00eancias ou a lei? O que o manifesto diz sobre ju\u00edzes que se acovardam diante das press\u00f5es? Sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Mais ainda: acusa o juiz Moro de uma longa lista de barbaridades, mas n\u00e3o diz quase nada sobre os magistrados dos tribunais superiores que t\u00eam mantido suas decis\u00f5es de p\u00e9. Moro \u00e9 um juiz de primeira inst\u00e2ncia. Suas decis\u00f5es s\u00e3o escrutinadas pelos tribunais superiores, que podem mant\u00ea-las, se entenderem que est\u00e3o em conformidade com a lei, ou derrub\u00e1-las, caso julguem que est\u00e3o em desacordo com a lei. O que diz o manifesto sobre os magistrados do TRF, do STJ e do STF que v\u00eam, sistematicamente, referendando quase tudo que Moro decide? Sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Com tanto drible, fica parecendo que os advogados nada falam das autoridades p\u00fablicas que vazam fotos, de ju\u00edzes que sucumbem a press\u00f5es ou de magistrados que concordam com Moro porque n\u00e3o lhes interessa, como se estivessem apenas defendendo a si mesmos e a seus clientes presos. Quando os ju\u00edzes decidem contra os acusados da Lava Jato, o manifesto denuncia que s\u00e3o v\u00edtimas da press\u00e3o p\u00fablica, a que chama de &#8220;pr\u00e1tica absurda&#8221;. Quando os ju\u00edzes decidem a favor dos acusados, o manifesto diz que agem &#8220;de acordo com seus convencimentos e consci\u00eancias&#8221;.<\/p>\n<p>Entre os signat\u00e1rios, est\u00e3o Ant\u00f4nio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende onze acusados na Lava Jato, e Nabor Bulh\u00f5es, advogado do empreiteiro Marcelo Odebrecht, h\u00e1 meses preso em Curitiba. H\u00e1 outros menos estrelados, mas igualmente pagos para defender acusados da Lava Jato. Mesmo que o manifesto tenha sido concebido em causa pr\u00f3pria, nada haveria de ileg\u00edtimo. Advogados t\u00eam todo o direito de vir a p\u00fablico defender seus clientes e sua profiss\u00e3o. S\u00f3 seria bom que dissessem isso. Ou que ao menos informassem o p\u00fablico, num aposto qualquer, que entre os signat\u00e1rios h\u00e1 defensores de acusados da Lava Jato. Seria mais transparente.<\/p>\n<p>Ou que evitassem cobrir-se do manto solene da defesa da democracia e do imp\u00e9rio da lei. Ou que, pelo menos, falassem de uma amea\u00e7a real ao Estado de Direito. Ela se materializa nos 230 000 brasileiros presos sem julgamento. Eles representam 32% da massa carcer\u00e1ria no pa\u00eds. Est\u00e3o em pris\u00e3o provis\u00f3ria, s\u00e3o na maioria pretos e pobres. S\u00f3 na Bahia de Marcelo Odebrecht, eles respondem por 68% do total de presos. \u00c9 um esc\u00e2ndalo de propor\u00e7\u00f5es mundiais, mas n\u00e3o mereceu ainda uma carta aberta de advogados preocupados com o Estado de Direito.<\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra do manifesto:<\/p>\n<p><em><strong>Carta aberta em rep\u00fadio ao regime de supera\u00e7\u00e3o epis\u00f3dica de direitos e garantias verificado na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>No plano do desrespeito a direitos e garantias fundamentais dos acusados, a Lava Jato j\u00e1 ocupa um lugar de destaque na hist\u00f3ria do pa\u00eds. Nunca houve um caso penal em que as viola\u00e7\u00f5es \u00e0s regras m\u00ednimas para um justo processo estejam ocorrendo em rela\u00e7\u00e3o a um n\u00famero t\u00e3o grande de r\u00e9us e de forma t\u00e3o sistem\u00e1tica. O menoscabo \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, ao direito de defesa, \u00e0 garantia da imparcialidade da jurisdi\u00e7\u00e3o e ao princ\u00edpio do juiz natural, o desvirtuamento do uso da pris\u00e3o provis\u00f3ria, o vazamento seletivo de documentos e informa\u00e7\u00f5es sigilosas, a sonega\u00e7\u00e3o de documentos \u00e0s defesas dos acusados, a execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos r\u00e9us e a viola\u00e7\u00e3o \u00e0s prerrogativas da advocacia, dentre outros graves v\u00edcios, est\u00e3o se consolidando como marca da Lava Jato, com consequ\u00eancias nefastas para o presente e o futuro da justi\u00e7a criminal brasileira. O que se tem visto nos \u00faltimos tempos \u00e9 uma esp\u00e9cie de inquisi\u00e7\u00e3o (ou neoinquisi\u00e7\u00e3o), em que j\u00e1 se sabe, antes mesmo de come\u00e7arem os processos, qual ser\u00e1 o seu resultado, servindo as etapas processuais que se seguem entre a den\u00fancia e a senten\u00e7a apenas para cumprir &#8216;indesej\u00e1veis&#8217; formalidades.<\/em><\/p>\n<p><em>Nesta \u00faltima semana, a reportagem de capa de uma das revistas semanais brasileiras n\u00e3o deixa d\u00favida quanto \u00e0 gravidade do que aqui se passa. Numa atitude inconstitucional, ignominiosa e tipicamente sensacionalista, fotografias de alguns dos r\u00e9us (extra\u00eddas indevidamente de seus prontu\u00e1rios na Unidade Prisional em que aguardam julgamento) foram estampadas de forma vil e espetaculosa, com o claro intento de promover-lhes o enxovalhamento e instigar a execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Trata-se, sem d\u00favida, de mais uma manifesta\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de uso irrespons\u00e1vel e inconsequente da m\u00eddia, n\u00e3o para informar, como deveria ser, mas para prejudicar o direito de defesa, criando uma imagem desfavor\u00e1vel dos acusados em preju\u00edzo da presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia e da imparcialidade que haveria de imperar em seus julgamentos.<\/em><\/p>\n<p><em>Ainda que parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00ea conta disso, esta estrat\u00e9gia de massacre midi\u00e1tico passou a fazer parte de um verdadeiro plano de comunica\u00e7\u00e3o, desenvolvido em conjunto e em paralelo \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es formais, e que tem por esp\u00farios objetivos incutir na coletividade a cren\u00e7a de que os acusados s\u00e3o culpados (mesmo antes deles serem julgados) e pressionar inst\u00e2ncias do Poder Judici\u00e1rio a manter injustas e desnecess\u00e1rias medidas restritivas de direitos e pris\u00f5es provis\u00f3rias, engrenagem fundamental do programa de coer\u00e7\u00e3o estatal \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o de acordos de dela\u00e7\u00e3o premiada.<\/em><\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma pr\u00e1tica absurda e que n\u00e3o pode ser tolerada numa sociedade que se pretenda democr\u00e1tica, sendo preciso reagir e denunciar tudo isso, dando vaz\u00e3o ao sentimento de indigna\u00e7\u00e3o que toma conta de quem tem testemunhado esse conjunto de acontecimentos. A opera\u00e7\u00e3o Lava Jato se transformou numa Justi\u00e7a \u00e0 parte. Uma especiosa Justi\u00e7a que se orienta pela t\u00f4nica de que os fins justificam os meios, o que representa um retrocesso hist\u00f3rico de v\u00e1rios s\u00e9culos, com a supress\u00e3o de garantias e direitos duramente conquistados, sem os quais o que sobra \u00e9 um simulacro de processo; enfim, uma tentativa de justi\u00e7amento, como n\u00e3o se via nem mesmo na \u00e9poca da ditadura.<\/em><\/p>\n<p><em>Magistrados das altas Cortes do pa\u00eds est\u00e3o sendo atacados ou colocados sob suspeita para n\u00e3o decidirem favoravelmente aos acusados em recursos e habeas corpus ou porque decidiram ou votaram (de acordo com seus convencimentos e consci\u00eancias) pelo restabelecimento da liberdade de acusados no \u00e2mbito da Opera- \u00e7\u00e3o Lava Jato, a ponto de se ter suscitado, em desagravo, a manifesta\u00e7\u00e3o de apoio e solidariedade de entidades associativas de ju\u00edzes contra esses abusos, preocupadas em garantir a higidez da jurisdi- \u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 grav\u00edssimo e, al\u00e9m de representar uma tentativa de supress\u00e3o da independ\u00eancia judicial, revela que aos acusados n\u00e3o est\u00e1 sendo assegurado o direito a um justo processo.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 de todo inaceit\u00e1vel, numa Justi\u00e7a que se pretenda democr\u00e1tica, que a pris\u00e3o provis\u00f3ria (ou a amea\u00e7a de sua implementa\u00e7\u00e3o) seja indisfar\u00e7avelmente utilizada para for\u00e7ar a celebra\u00e7\u00e3o de acordos de dela\u00e7\u00e3o premiada, como, ali\u00e1s, j\u00e1 defenderam publicamente alguns Procuradores que atuam no caso. Num dia os r\u00e9us est\u00e3o encarcerados por for\u00e7a de decis\u00f5es que afirmam a imprescindibilidade de suas pris\u00f5es, dado que suas liberdades representariam grav\u00edssimo risco \u00e0 ordem p\u00fablica; no dia seguinte, fazem acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada e s\u00e3o postos em liberdade, como se num passe de m\u00e1gica toda essa imprescindibilidade da pris\u00e3o desaparecesse. No m\u00ednimo, a pr\u00e1tica evidencia o qu\u00e3o artificiais e puramente ret\u00f3ricos s\u00e3o os fundamentos utilizados nos decretos de pris\u00e3o. \u00c9 grave o atentado \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e ao Estado de Direito e \u00e9 inadmiss\u00edvel que o Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o se oponha a esse artif\u00edcio.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 inconceb\u00edvel que os processos sejam conduzidos por magistrado que atua com parcialidade, comportando-se de maneira mais acusadora do que a pr\u00f3pria acusa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 processo justo quando o juiz da causa j\u00e1 externa seu convencimento acerca da culpabilidade dos r\u00e9us em decretos de pris\u00e3o expedidos antes ainda do in\u00edcio das a\u00e7\u00f5es penais. Ademais, a sobreposi\u00e7\u00e3o de decretos de pris\u00e3o (para embara\u00e7ar o exame de legalidade pelas Cortes Superiores e, consequentemente, para dificultar a soltura dos r\u00e9us) e mesmo a resist\u00eancia ou insurg\u00eancia de um magistrado quanto ao cumprimento de decis\u00f5es de outras inst\u00e2ncias, igualmente revelam uma atua\u00e7\u00e3o judicial arbitr\u00e1ria e absolutista, de todo incompat\u00edvel com o papel que se espera ver desempenhado por um juiz, na vig\u00eancia de um Estado de Direito.<\/em><\/p>\n<p><em>Por tudo isso, os advogados, professores, juristas e integrantes da comunidade jur\u00eddica que subscrevem esta carta v\u00eam manifestar publicamente indigna\u00e7\u00e3o e rep\u00fadio ao regime de supress\u00e3o epis\u00f3dica de direitos e garantias que est\u00e1 contaminando o sistema de justi\u00e7a do pa\u00eds. N\u00e3o podemos nos calar diante do que vem acontecendo neste caso. \u00c9 fundamental que nos insurjamos contra estes abusos. O Estado de Direito est\u00e1 sob amea\u00e7a e a atua\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o pode ser influenciada pela publicidade opressiva que tem sido lan\u00e7ada em desfavor dos acusados e que lhes retira, como consequ\u00eancia, o direito a um julgamento justo e imparcial &#8211; direito inalien\u00e1vel de todo e qualquer cidad\u00e3o e base fundamental da democracia. Urge uma postura rigorosa de respeito e observ\u00e2ncia \u00e0s leis e \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, remanescendo a esperan\u00e7a de que o Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o coadunar\u00e1 com a reitera\u00e7\u00e3o dessas viola\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Alexandre Aroeira Salles<\/em><\/p>\n<p><em>Alexandre Lopes<\/em><\/p>\n<p><em>Alexandre Wunderlich<\/em><\/p>\n<p><em>Alvaro Roberto Antanavicius Fernandes<\/em><\/p>\n<p><em>Andr\u00e9 de Luizi Correia<\/em><\/p>\n<p><em>Andr\u00e9 Karam Trindade<\/em><\/p>\n<p><em>Andr\u00e9 Machado Maya<\/em><\/p>\n<p><em>Antonio Carlos de Almeida Castro<\/em><\/p>\n<p><em>Antonio Claudio Mariz de Oliveira<\/em><\/p>\n<p><em>Antonio Pedro Melchior<\/em><\/p>\n<p><em>Ant\u00f4nio S\u00e9rgio A. de Moraes Pitombo<\/em><\/p>\n<p><em>Antonio Tovo Antonio Vieira<\/em><\/p>\n<p><em>Ary Bergher<\/em><\/p>\n<p><em>Augusto de Arruda Botelho<\/em><\/p>\n<p><em>Augusto Jobim do Amaral<\/em><\/p>\n<p><em>Aury Lopes Jr.<\/em><\/p>\n<p><em>Bartira Macedo de Miranda Santos<\/em><\/p>\n<p><em>Bruno Aur\u00e9lio<\/em><\/p>\n<p><em>Camila Vargas do Amaral<\/em><\/p>\n<p><em>Camile Eltz de Lima<\/em><\/p>\n<p><em>Celso Ant\u00f4nio Bandeira de Mello<\/em><\/p>\n<p><em>Cezar Roberto Bitencourt<\/em><\/p>\n<p><em>Cleber Lopes de Oliveira<\/em><\/p>\n<p><em>Daniela Portugal<\/em><\/p>\n<p><em>David Rechuslki<\/em><\/p>\n<p><em>Denis Sampaio<\/em><\/p>\n<p><em>Djefferson Amadeus<\/em><\/p>\n<p><em>Dora Cavalcanti<\/em><\/p>\n<p><em>Eduardo Carnel\u00f3s<\/em><\/p>\n<p><em>Eduardo de Moraes<\/em><\/p>\n<p><em>Eduardo Sanz Edward de Carvalho<\/em><\/p>\n<p><em>Felipe Martins Pinto<\/em><\/p>\n<p><em>Fernando da Costa Tourinho Neto<\/em><\/p>\n<p><em>Fernando Santana<\/em><\/p>\n<p><em>Flavia Rahal<\/em><\/p>\n<p><em>Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto<\/em><\/p>\n<p><em>Francisco Ortig\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Gabriela Zancaner<\/em><\/p>\n<p><em>Gilson Dipp<\/em><\/p>\n<p><em>Guilherme Henrique Magaldi Netto<\/em><\/p>\n<p><em>Guilherme San Juan<\/em><\/p>\n<p><em>Guilherme Ziliani Carnel\u00f3s<\/em><\/p>\n<p><em>Gustavo Alberine Pereira<\/em><\/p>\n<p><em>Gustavo Badar\u00f3<\/em><\/p>\n<p><em>Hort\u00eansia M. V. Medina<\/em><\/p>\n<p><em>Il\u00eddio Moura<\/em><\/p>\n<p><em>Jacinto Nelson de Miranda Coutinho<\/em><\/p>\n<p><em>Jader Marques<\/em><\/p>\n<p><em>Jo\u00e3o Geraldo Piquet Carneiro<\/em><\/p>\n<p><em>Jo\u00e3o Porto Silv\u00e9rio J\u00fanior<\/em><\/p>\n<p><em>Jos\u00e9 Carlos Porci\u00fancula<\/em><\/p>\n<p><em>Julia Sandroni<\/em><\/p>\n<p><em>Kleber Luiz Zanchim<\/em><\/p>\n<p><em>Lenio Luiz Streck<\/em><\/p>\n<p><em>Leonardo Avelar Guimar\u00e3es<\/em><\/p>\n<p><em>Leonardo Canabrava Turra<\/em><\/p>\n<p><em>Leonardo Vilela<\/em><\/p>\n<p><em>Leticia Lins e Silva<\/em><\/p>\n<p><em>Liliane de Carvalho Gabriel<\/em><\/p>\n<p><em>Lourival Vieira<\/em><\/p>\n<p><em>Luiz Carlos Bettiol<\/em><\/p>\n<p><em>Luiz Guilherme Arcaro Conci<\/em><\/p>\n<p><em>Luiz Herique Merlin<\/em><\/p>\n<p><em>Luiz Tarcisio T. Ferreira<\/em><\/p>\n<p><em>Maira Salomi<\/em><\/p>\n<p><em>Marcelo Turbay Freiria<\/em><\/p>\n<p><em>Marco Aur\u00e9lio Nunes da Silveira<\/em><\/p>\n<p><em>Marcos Ebehardt<\/em><\/p>\n<p><em>Marcos Paulo Ver\u00edssimo<\/em><\/p>\n<p><em>Mariana Madera<\/em><\/p>\n<p><em>Marina Cerqueira<\/em><\/p>\n<p><em>Maur\u00edcio Dieter<\/em><\/p>\n<p><em>Maur\u00edcio Portugal Ribeiro<\/em><\/p>\n<p><em>Mauricio Zockun<\/em><\/p>\n<p><em>Miguel Tedesco<\/em> <em>Wedy<\/em><\/p>\n<p><em>Nabor Bulh\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e9lio Machado<\/em><\/p>\n<p><em>Nestor Eduardo Araruna Santiago<\/em><\/p>\n<p><em>Nilson Naves<\/em><\/p>\n<p><em>Paulo Em\u00edlio Catta Preta<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro Estevam Serrano<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro Ivo Velloso<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro Machado de Almeida Castro<\/em><\/p>\n<p><em>Rafael Nunes da Silveira<\/em><\/p>\n<p><em>Rafael Tucherman<\/em><\/p>\n<p><em>Rafael Valim<\/em><\/p>\n<p><em>Raphael Mattos<\/em><\/p>\n<p><em>Renato de Moraes<\/em><\/p>\n<p><em>Roberta Cristina Ribeiro de Castro Queiroz<\/em><\/p>\n<p><em>Roberto Garcia<\/em><\/p>\n<p><em>Roberto Podval Roberto Telhada<\/em><\/p>\n<p><em>Rogerio Maia Garcia<\/em><\/p>\n<p><em>Salah H. Khaled Jr.<\/em><\/p>\n<p><em>Sergio Ferraz<\/em><\/p>\n<p><em>T\u00e9cio Lins e Silva<\/em><\/p>\n<p><em>Thiago M. Minag\u00e9<\/em><\/p>\n<p><em>Thiago Neuwert<\/em><\/p>\n<p><em>Tiago Lins e Silva<\/em><\/p>\n<p><em>Ticiano Figueiredo<\/em><\/p>\n<p><em>Tito Amaral de Andrade<\/em><\/p>\n<p><em>Victoria de Sulocki<\/em><\/p>\n<p><em>\u200b<\/em><em>Weida Zancaner<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O documento de t\u00edtulo oitocentista contra a opera\u00e7\u00e3o, publicado nesta sexta-feira, ensina uma li\u00e7\u00e3o: aprenda como juntar 1016 palavras para produzir um sil\u00eancio estrondoso<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":65884,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-107252","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/sergio-moro4.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107252\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}