{"id":111988,"date":"2016-02-15T00:21:38","date_gmt":"2016-02-15T03:21:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=111988"},"modified":"2016-02-14T16:58:41","modified_gmt":"2016-02-14T19:58:41","slug":"duas-visoes-o-caso-aladdin-e-o-campo-minado-das-questoes-raciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/duas-visoes-o-caso-aladdin-e-o-campo-minado-das-questoes-raciais\/","title":{"rendered":"Duas vis\u00f5es: O &#8216;caso Aladdin&#8217; e o campo minado das quest\u00f5es raciais"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/660\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/02\/12\/160212181101_sp_racism_640x360_thinkstock_nocredit.jpg\" alt=\"(Foto: Thinkstock)\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Nos \u00faltimos dias, a foto de uma fam\u00edlia em um bloco de Carnaval viralizou e provocou um intenso debate sobre racismo nas redes sociais. O motivo: nela, uma menino negro de dois anos, filho adotivo de um casal de pele clara, est\u00e1 vestido de macaquinho, e o pai, de Aladdin.<\/p>\n<p>Confira, abaixo, duas vis\u00f5es distintas sobre o caso.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Vigilantismo intimida debate na internet&#8217;, por Ricardo Calazans, colaborador da BBC Brasil<\/h2>\n<p>&#8220;<i>Foi julgado, condenado, executado sem direito a apela\u00e7\u00e3o&#8221;*<\/i><\/p>\n<p>O pai n\u00e3o quer mais falar com ningu\u00e9m. Nos \u00faltimos dias, sua fam\u00edlia teve mais exposi\u00e7\u00e3o do que poderia suportar. Mesmo para ele, um ator, acostumado ao palco e a plateias. No \u00faltimo domingo (7 de fevereiro), foi fotografado vestido de Aladdin ao lado mulher, que ia de Jasmine, a um bloco de Carnaval. Em seu ombro estava o filho adotivo, de 2 anos, fantasiado de macaquinho Abu \u2500 os tr\u00eas caracterizados como os personagens do desenho da Disney.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que a crian\u00e7a \u00e9 negra. E este fato determinou a condena\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria do pai como racista.<\/p>\n<p>&#8220;<i>Foi dissecado, comentado e a\u00e7oitado pelas l\u00ednguas no Leblon&#8221;*<\/i><\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 de Belo Horizonte, mas o assunto repercutiu em todo o pa\u00eds: na Savassi, no Leblon, na Vila Madalena, em S\u00e3o Luiz do Maranh\u00e3o (onde algu\u00e9m sugeriu que a Justi\u00e7a lhes tomasse a guarda da crian\u00e7a)&#8230; De uma hora para outra, eles eram um casal racista que vestiu o menino de macaco no Carnaval para humilh\u00e1-lo publicamente. Esta foi a conclus\u00e3o imediata da patrulha ideol\u00f3gica que se formou em torno deles. E o pai foi o principal alvo do linchamento virtual.<\/p>\n<p>&#8220;<i>Descontrolou-se porque algo estava errado mas ningu\u00e9m deu aten\u00e7\u00e3o&#8221;*<\/i><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a enxurrada inicial de cr\u00edticas e xingamentos, iniciou-se uma batalha feroz nas redes sociais. Vestir o filho negro como um macaquinho da Disney \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 racismo? Houve quem argumentasse que n\u00e3o, afinal, se o casal fosse racista, por que adotou uma crian\u00e7a negra?<\/p>\n<p>Clich\u00eas como &#8220;o preconceito est\u00e1 nos olhos de quem v\u00ea&#8221; foram repetidos e repelidos com veem\u00eancia. Os defensores &#8220;brancos&#8221; do pai foram descartados sumariamente, por &#8220;n\u00e3o ter a viv\u00eancia&#8221; para &#8220;entender o preconceito racial&#8221;. O espa\u00e7o para o debate escasseou.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/02\/12\/160212182625_sp_caso_aladdin_640x360_reproducao_nocredit.jpg\" alt=\"(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Postagem no Facebook em que o pai do menino desabafa sobre as cr\u00edticas na internet<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na noite de segunda-feira, o ator pediu desculpas aos eventuais ofendidos e contextualizou as fantasias em um post no Facebook:<\/p>\n<p>&#8220;Muitos podem ver um macaco na fantasia de ontem. Eu vejo o melhor amigo do Aladdin, que vai conhecer o Mundo Ideal com ele e a Jasmine&#8221;. Recebeu muito apoio de amigos e desconhecidos, mas continuou sob ataque. Passou a ser taxado de ing\u00eanuo, ignorante ou mal-intencionado, e n\u00e3o se livrou do r\u00f3tulo de racista.<\/p>\n<p>&#8220;Ele se preocupou com a pr\u00f3pria reputa\u00e7\u00e3o, desprezando totalmente os danos que causou \u00e0 dignidade do pr\u00f3prio filho&#8221;, atacou um usu\u00e1rio. Enquanto isso, a foto do pequeno garoto circulava livremente pela web, compartilhada primordialmente por quem queria defend\u00ea-lo ao apontar o &#8220;racismo&#8221; (agora involunt\u00e1rio) de seu pai.<\/p>\n<p>&#8220;<i>E finalmente foi tra\u00eddo e viu seu nome publicado no jornal&#8221;*<\/i><\/p>\n<p>&#8220;Aladdin&#8221; foi um dos termos mais procurados no Twitter no in\u00edcio da semana. Agora mesmo, uma busca no Google com as palavras &#8220;Aladdin&#8221; e &#8220;racismo&#8221; retorna 53,8 mil resultados \u2500 os 17 primeiros s\u00e3o not\u00edcias sobre o epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, o pai fez um novo post, bem mais soturno que o de segunda-feira. &#8220;A sensa\u00e7\u00e3o de que algu\u00e9m morreu&#8230; Na verdade n\u00e3o foi algu\u00e9m algu\u00e9m&#8230; foi algo&#8230; o idealismo \u00e9 ut\u00f3pico! Agradar a todos tamb\u00e9m\u2026&#8221;.<\/p>\n<p>A pedido da mulher (e por orienta\u00e7\u00e3o de seu advogado), ele n\u00e3o quer mais falar com a imprensa. Tem esperan\u00e7a de que &#8220;a coisa esfrie naturalmente&#8221;. &#8220;Estou numa posi\u00e7\u00e3o em que, infelizmente, o sil\u00eancio parece a melhor maneira de tentar preservar a minha fam\u00edlia neste momento&#8221;, relatou, nesta quinta-feira, tamb\u00e9m pelo Facebook.<\/p>\n<p>&#8220;<i>\u00c9 o veneno que sai, \u00e9 o veneno que sai&#8221;*<\/i><\/p>\n<p>O desejo de recolhimento \u00e9 compreens\u00edvel. Ele foi a mais nova v\u00edtima do &#8220;vigilantismo&#8221; que domina as redes sociais. Ou &#8220;internet social&#8221;, como a chama Wilson Gomes, Professor Titular de Teoria da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que saiu em defesa do ator e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ele questionou a submiss\u00e3o dos ativistas a signos racistas \u2500 como a associa\u00e7\u00e3o de negros a macacos. &#8220;Se entregarmos voluntariamente ao racismo as senhas das associa\u00e7\u00f5es que nos humilham e diminuem, o nosso mundo n\u00e3o ficar\u00e1 mais restrito e n\u00e3o nos tornaremos, paradoxalmente, servidores do racismo que desprezamos?&#8221;, diz Gomes, que \u00e9 negro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/02\/12\/160212191946_160212113712_vigilante2.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"405\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Debate sobre o caso na rede social<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Um amigo tamb\u00e9m se espantou com a virul\u00eancia, velocidade e falta de contexto nos ataques ao pai, mas o fez privadamente. A uma pessoa que pediu para compartilhar seu texto, ele disse: &#8220;n\u00e3o coloco essa pensata com status \u2018p\u00fablico\u2019, pois mudar o mundo das redes sociais \u00e9 uma luta perdida&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 mais um a temer o vigilantismo, que empobrece o debate e expulsa o pensamento e o contradit\u00f3rio onde ele \u00e9 mais necess\u00e1rio: discutir o racismo, por exemplo, para al\u00e9m das curtidas e aprova\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria timeline.<\/p>\n<p>&#8220;<i>E te faz o pior entre os iguais nos tribunais de qualquer bar&#8221;*<\/i><\/p>\n<p>O professor Wilson Gomes me explica: &#8220;Muita homogeneidade e muita convic\u00e7\u00e3o tornam o indiv\u00edduo um mobilizado perp\u00e9tuo, patrulhando continuamente as fronteiras da sua causa&#8221;. Quanto mais fechado em si o ativismo, mais o dogmatismo e a pregui\u00e7a intelectual ocupam o espa\u00e7o da diverg\u00eancia e da reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Para meu amigo, \u00e9 uma &#8220;luta perdida&#8221;. Afinal, quem admite perder uma discuss\u00e3o no Facebook?<\/p>\n<p>&#8220;Nas ondas de ataques das redes de ativismos e de vigilitantismo online, perde-se o argumento, perde-se a verdade, perde-se o contato com justi\u00e7a e democracia, o que n\u00e3o se admite perder \u00e9 a raz\u00e3o&#8221;, diz o professor, antes de concluir, com pesar: &#8220;Que se dane a fam\u00edlia, que ama e ampara um menino negro que escolheu para amar, que se dane a verdade, no nosso turno de guarda os racistas n\u00e3o triunfar\u00e3o, parece dizer o paradoxal linchamento online deste Carnaval&#8221;.<\/p>\n<p>*<i>As frases antes do 1\u00ba, 2\u00ba, 3\u00ba, 5\u00ba, 6\u00ba e 8\u00ba par\u00e1grafos s\u00e3o versos da can\u00e7\u00e3o &#8220;Tribunal de bar&#8221;, dos Paralamas do Sucesso, lan\u00e7ada em 1991 (!) no \u00e1lbum &#8220;Os Gr\u00e3os&#8221;.<\/i><\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/02\/12\/160212184304_sp_racism_illustration_640x360_thinkstock_nocredit.jpg\" alt=\"(Foto: Thinkstock)\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Quando vi a foto de um pai, a esposa e o filho circulando em redes sociais, n\u00e3o precisei ler o enunciado dos posts nem o conte\u00fado (majoritariamente raivoso) dos coment\u00e1rios. Estava claro que o compartilhamento daquela foto (a que eu vi tinha os personagens do filme <i>Aladdin<\/i> ao lado, para compara\u00e7\u00e3o) engatilharia uma imensa pol\u00eamica online sobre racismo envolvendo a fam\u00edlia \u2013 que, depois vim a saber, era de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>No entanto, no passar dos dias, espantei-me com o fato de que muitas pessoas se prontificaram a minimizar os efeitos da foto \u2013 em uma confus\u00e3o entre o que ela pode representar para muitos, e o que ela de fato representa para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Argumentos como &#8220;eles adotaram uma crian\u00e7a negra, portanto, n\u00e3o podem ser racistas&#8221;, &#8220;ningu\u00e9m conhece esta fam\u00edlia para julg\u00e1-la&#8221;, ou, ainda, &#8220;isso \u00e9 s\u00f3 uma fantasia de carnaval&#8221; foram usados para pedir &#8220;uma reflex\u00e3o&#8221; e o &#8220;fim do patrulhamento&#8221;.<\/p>\n<p>Ora, seria de fato contradit\u00f3rio algu\u00e9m que se sente racista (e, portanto, \u00e9 racista) adotar uma crian\u00e7a com cor de pele diferente da sua. Tamb\u00e9m \u00e9 evidente que os milhares de compartilhamentos da imagem n\u00e3o estavam sendo feitos por pessoas que conheciam a hist\u00f3ria familiar em quest\u00e3o. Seria matematicamente imposs\u00edvel. E, sem maiores, Carnaval \u00e9 uma festa que desafia limites. Mas \u00e9 preciso ter em mente que, sim, h\u00e1 limites que determinam o que \u00e9 ou n\u00e3o racismo.<\/p>\n<p>Devo concordar com a ativista sul-mato-grossense Angela Batista, ouvida em reportagem publicada pela BBC Brasil em 9 de fevereiro, sobre fantasias de Carnaval com motivos <i>black power<\/i>: quem define o que \u00e9 preconceito, segrega\u00e7\u00e3o, \u00e9 a parcela da popula\u00e7\u00e3o \u2013 ou o indiv\u00edduo \u2013 que se sente vitima. Ent\u00e3o, na d\u00favida, melhor evitar possibilidades de ofensa.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/02\/12\/160212113711_vigilantes.jpg\" alt=\"(Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook)\" width=\"624\" height=\"708\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Mais coment\u00e1rios sobre a pol\u00eamica<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Curiosamente, nos coment\u00e1rios sobre a mat\u00e9ria sobre a ativista em redes sociais, havia gente dizendo coisas como &#8220;\u00e9 falta de prato pra lavar&#8221;, ou &#8220;daqui a pouco vai ser racismo voc\u00ea ter escolhido um iPhone branco ao inv\u00e9s do preto&#8221;&#8230; Ou, ainda, &#8220;se fantasie de trouxa ent\u00e3o, filha, o Carnaval \u00e9 l\u00fadico e podemos usar o que quiser&#8221;.<\/p>\n<p>A inconsequ\u00eancia, seja qual for a data do ano, nos exime, ent\u00e3o, de refletir sobre se algu\u00e9m se sentiria ofendido com nossos atos ou coment\u00e1rios?<\/p>\n<p>Voltando ao caso de Belo Horizonte, a fam\u00edlia foi pega, inadvertidamente, e n\u00e3o intencionalmente, em uma espiral de acusa\u00e7\u00f5es que diz muito, sim, do preconceito racial no Brasil \u2013 e da falta de tato com que muita gente trata do assunto. Foi uma foto \u2013 como os desdobramentos provaram \u2013 profundamente infeliz e ofensiva para muitos.<\/p>\n<p>Solidarizo-me com o pai, que veio a p\u00fablico depois se explicar. Foi honesto.<\/p>\n<p>Talvez, agora, ele tenha entendido que racismo n\u00e3o \u00e9 necessariamente consciente, premeditado. Nem para quem pratica, nem para quem sofre. Depende de interpreta\u00e7\u00e3o e est\u00e1 impregnado de vasta carga hist\u00f3rica e simb\u00f3lica. Tomar precau\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o seja nem exercido nem sentido \u00e9 algo que deve estar na cabe\u00e7a e nos cora\u00e7\u00f5es de todos. Todo cuidado \u00e9 necess\u00e1rio para mudar uma hist\u00f3ria multicenten\u00e1ria de segrega\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n<p>Negros vivem menos, ganham menos, estudam menos e s\u00e3o mais aprisionados. E isso tem implica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias sobre ser negro neste pa\u00eds \u2013 e em outros. Ter amigos, parentes, filhos, namorados negros (ou de qualquer ra\u00e7a distinta da nossa) n\u00e3o basta como argumento de que n\u00e3o somos racistas, como muitos alegaram ao relativizar a gravidade da foto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/02\/08\/160208160127_angela_batista_640x360_angelabatista_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8220;Mas n\u00e3o cabe aos brancos determinar o limite do que \u00e9 toler\u00e1vel ou n\u00e3o&#8221;, disse a ativista Angela Batista em entrevista \u00e0 BBC Brasil<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Isso porque a falta de cuidado com o tema \u00e9 latente. Pego um exemplo na imprensa, para n\u00e3o envolver outro segmento distinto do que atuo profissionalmente (a autocr\u00edtica, suponho, \u00e9 uma boa pol\u00edtica).<\/p>\n<p>Lembro-me de uma reportagem de um telejornal que mostrava uma suposta cena de racismo em um shopping de S\u00e3o Paulo. Dava ampla voz \u00e0 vitima, uma mulher negra que trabalhava no local.<\/p>\n<p>Ao final, por\u00e9m, o rep\u00f3rter, inadvertidamente, dizia, referindo-se ao homem que perpetrou as ofensas, que &#8220;este descontrole emocional, especialmente nesta \u00e9poca do ano, tem explica\u00e7\u00e3o&#8221;. E seguia citando coisas (estacionamento, presentes, calor&#8230;) que justificariam a &#8220;ataque de f\u00faria&#8221; do homem, acusado por duas testemunhas ouvidas pela TV de racismo.<\/p>\n<p>O jornalista \u00e9 racista? N\u00e3o fa\u00e7o a menor ideia. Mas foi infeliz e acabou proferindo um texto racista ao fim da mat\u00e9ria? A meu ver, sim.<\/p>\n<p>E, neste ponto, volto \u00e0 quest\u00e3o do patrulhamento.<\/p>\n<p>Um dos caminhos para combatermos o racismo \u00e9 assumirmos de vez a cr\u00edtica como ferramenta. A democracia precisa se aperfei\u00e7oar no Brasil. E, com ela, a ideia de que a cr\u00edtica deve ser respeitosa e, no outro lado da linha, ouvida com o mesmo respeito.<\/p>\n<p>Sob estes termos, criticar n\u00e3o \u00e9 patrulhar, n\u00e3o. Muito pelo contr\u00e1rio. Ali\u00e1s, ideia de patrulha \u00e9 o pior argumento contra qualquer cr\u00edtica. Desqualifica um lado do debate \u2013 e nada mais antidemocr\u00e1tico do que isso. E, lembro, liberdade de express\u00e3o tamb\u00e9m presume a possibilidade de criticar quem critica, e vice-versa. Sem parar.<\/p>\n<p>Temo que seja justamente esta compreens\u00e3o, a de que criticar \u00e9 patrulhar, que vem fazendo o debate no Brasil &#8211; sobre diversos temas &#8211; escasso, para n\u00e3o dizer est\u00e9ril. N\u00e3o seria melhor ouvir, filtrar ou mudar, e avan\u00e7ar?<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do di\u00e1logo aberto, tamb\u00e9m \u00e9 preciso adicionar a esta conta o novo entendimento do que \u00e9 espa\u00e7o p\u00fablico. Algo que, muitos dos que reclamaram das cr\u00edticas \u00e0 fam\u00edlia ignoraram.<\/p>\n<p>Mostrar uma imagem em redes sociais n\u00e3o \u00e9 o mesmo que mostrar uma fotografia (em papel) a amigos no sof\u00e1 de casa. Leia os termos de uso dos sites e voc\u00ea ver\u00e1 que esta ideia foi pras cucuias. \u00c9 preciso tomarmos ci\u00eancia da irrevog\u00e1vel \u2013 ao menos por ora \u2013 abrang\u00eancia das redes sociais.<\/p>\n<p>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista \u00e9 racista? N\u00e3o fa\u00e7o a menor ideia. Mas foi infeliz e acabou proferindo um texto racista ao fim da mat\u00e9ria? 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