{"id":114918,"date":"2016-02-29T02:49:18","date_gmt":"2016-02-29T05:49:18","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=114918"},"modified":"2016-02-29T02:49:18","modified_gmt":"2016-02-29T05:49:18","slug":"contra-a-ciencia-como-a-dramatica-epidemia-de-zika-foi-usada-por-defender-uma-causa-oportunista-e-ideias-retrogradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/contra-a-ciencia-como-a-dramatica-epidemia-de-zika-foi-usada-por-defender-uma-causa-oportunista-e-ideias-retrogradas\/","title":{"rendered":"Contra a ci\u00eancia: como a dram\u00e1tica epidemia de zika foi usada por defender uma causa oportunista e ideias retr\u00f3gradas"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><em>Na \u00faltima semana, um grupo de m\u00e9dicos argentinos que combate o uso de pesticidas divulgou a ideia de que um larvicida poderia ser a causa do alto n\u00famero de casos de microcefalia no Brasil. De acordo com especialistas, a teoria, sem qualquer base cient\u00edfica, \u00e9 um exemplo de como \u00e9 poss\u00edvel aproveitar uma emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica para ir contra o progresso cient\u00edfico<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Rita Loiola<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2016\/01\/12\/1915\/pe6Cx\/alx_zica-virus-microcefalia-20160108-0003_original.jpeg?1452633323\" alt=\"Mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue\" \/><figcaption>Larvas do mosquito &#8216;Aedes aegypti&#8217;, transmissor do v\u00edrus zika. Na \u00faltima semana, a hip\u00f3tese de que um composto para combater as larvas estaria por tr\u00e1s dos casos de microcefalia levou o governo ga\u00facho a suspender o uso do produto<span class=\"credito\">(Nelson Almeida\/AFP)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e1rea de sa\u00fade p\u00fablica, doen\u00e7as e epidemias desafiadoras para a ci\u00eancia s\u00e3o, historicamente, um prato cheio para a defesa de causas oportunistas e ideias retr\u00f3gradas. Nos \u00faltimos dias, enquanto os pesquisadores estavam lutando para descobrir qual a rela\u00e7\u00e3o exata entre o v\u00edrus zika e o n\u00famero elevado de beb\u00eas nascidos com microcefalia no Brasil, o rumor de que um larvicida estaria por tr\u00e1s das malforma\u00e7\u00f5es se espalhou pelas redes sociais. Notas e reportagens em blogs e colunas ambientalistas em ingl\u00eas e espanhol diziam que m\u00e9dicos brasileiros e argentinos estariam atribuindo a microcefalia ao piriproxifeno (pyriproxifen, em ingl\u00eas), um larvicida aprovado pela Anvisa e usado para combater o<em>Aedes agypti<\/em> em todo o mundo. Sem qualquer base cient\u00edfica e, mesmo desmentida, a teoria foi o suficiente para que o governo do Rio Grande do Sul suspendesse o uso do larvicida na \u00e1gua pot\u00e1vel, colocando em risco cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o recebe \u00e1gua tratada no Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Entre os in\u00fameros interesses que devem existir por tr\u00e1s desse tipo de iniciativa, o \u00fanico que certamente n\u00e3o est\u00e1 presente \u00e9 o interesse pela sa\u00fade p\u00fablica&#8221;, diz o m\u00e9dico Fl\u00e1vio Zambrone, presidente do Instituto Brasileiro de Toxicologia (IBTox), em Campinas. &#8220;Esse tipo de especula\u00e7\u00e3o, sem qualquer aval da ci\u00eancia, s\u00f3 traz problemas. A epidemia que vivemos \u00e9 s\u00e9ria, grave e precisamos usar contra ela todas as ferramentas conhecidas e eficazes. Impedir uma das formas de combate ao mosquito \u00e9, no m\u00ednimo, temer\u00e1rio e s\u00f3 vai trazer danos e preju\u00edzos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<section class=\"leia-mais\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">As reportagens que circularam em redes sociais nos \u00faltimos dias citavam um <a href=\"http:\/\/www.reduas.com.ar\/report-from-physicians-in-the-crop-sprayed-town-regarding-dengue-zika-microcephaly-and-massive-spraying-with-chemical-poisons\/\" target=\"_blank\" rel=\"\">relat\u00f3rio<\/a> publicado no in\u00edcio de fevereiro pela Red Universitaria de Ambiente y Salud &#8211; M\u00e9dicos de los Pueblos Fumigados (Reduas, na sigla em espanhol), uma associa\u00e7\u00e3o argentina de m\u00e9dicos e pesquisadores que s\u00e3o, em sua maioria da Universidade de C\u00f3rdoba, e combatem o uso de pesticidas e o modelo moderno de agricultura, com o uso de insumos qu\u00edmicos e industriais. O texto menciona incorretamente uma <a href=\"https:\/\/www.abrasco.org.br\/site\/2016\/02\/nota-tecnica-sobre-microcefalia-e-doencas-vetoriais-relacionadas-ao-aedes-aegypti-os-perigos-das-abordagens-com-larvicidas-e-nebulizacoes-quimicas-fumace\/\" target=\"_blank\" rel=\"\">nota t\u00e9cnica<\/a> da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco), sobre os m\u00e9todos de combate ao <em>Aedes aegypti<\/em>, dizendo que &#8220;n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia&#8221; o uso do piriproxifeno em \u00e1gua pot\u00e1vel e o aumento dos casos de microcefalia no Nordeste brasileiro. Segundo o artigo, a Abrasco sugeria que fossem feitos estudos epidemiol\u00f3gicos que levem em considera\u00e7\u00e3o a &#8220;rela\u00e7\u00e3o causal&#8221; entre as m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es dos beb\u00eas e o uso de piriproxifeno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o estudo argentino, que apenas re\u00fane informa\u00e7\u00f5es de fontes diversas, est\u00e1 longe de ter a seriedade de pesquisas cient\u00edficas que passaram pela rigorosa revis\u00e3o dos pares. Seus autores s\u00e3o o &#8220;time Reduas&#8221;, coordenado pelo pediatra Medardo Avila Vazquez. Vazquez \u00e9 conhecido pela luta contra os pesticidas na Argentina e, em abril do ano passado, esteve a ponto de ser denunciado formalmente pelo decano da faculdade de agronomia da Universidade Nacional de C\u00f3rdoba com a acusa\u00e7\u00e3o de divulgar na imprensa dados de suas investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de maneira enganosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Usando uma emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica, a entidade procurou defender a bandeira dos &#8220;povos fumigados&#8221; de forma irrespons\u00e1vel, usando a ci\u00eancia apenas como verniz. A entidade \u00e9 conhecida por promover discuss\u00f5es contra o modelo industrial de agricultura, usando para isso seus relat\u00f3rios e estudos. Uma dessas reuni\u00f5es, o Congresso Nacional dos M\u00e9dicos de Povos Fumigados, teve entre os apoiadores de 2015 Ongs e a rede de advogados contra o uso de pesticidas, al\u00e9m de um sindicato e um grupo entitulado ecossocialista. O v\u00eddeo de apresenta\u00e7\u00e3o da Reduas se encerra com a frase &#8220;o modelo industrial est\u00e1 gerando morte&#8221;, deixando claras as inten\u00e7\u00f5es do grupo &#8211; mesmo que elas n\u00e3o tenham qualquer base ou aval vindo de pesquisas s\u00e9rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A for\u00e7a de um boato &#8211;<\/strong> O uso pol\u00edtico de teorias cient\u00edficas falsas ou sem comprova\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma especialmente perniciosa de manipula\u00e7\u00e3o. Os danos s\u00e3o ainda maiores quando a ci\u00eancia isenta ainda engatinha para decifrar o enigma de uma doen\u00e7a ou epidemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os cientistas, \u00e9 exemplar o epis\u00f3dio do estudo do m\u00e9dico brit\u00e2nico Andrew Wakefileld, que sugeriu que a vacina tr\u00edplice viral (contra sarampo, caxumba e rub\u00e9ola) estava na origem do autismo, uma doen\u00e7a cujas causas, at\u00e9 hoje, s\u00e3o um desafio para os pesquisadores. O artigo, publicado em 1998 por Wakefield e outros 12 autores na conhecida revista cient\u00edfica <em>Lancet<\/em>, causou imensa repercuss\u00e3o. Diversas equipes tentaram, sem sucesso, reproduzir o estudo e, quase dez anos depois, uma longa investiga\u00e7\u00e3o revelou que o estudo era uma fraude: al\u00e9m dos dados fabricados, a pesquisa havia sido patrocinada por advogados que trabalhavam contra ind\u00fastrias produtoras de vacinas. O estudo foi retratado e Wakefield teve o registro m\u00e9dico cassado, mas o estrago estava feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de jamais ter sido encontrada qualquer evid\u00eancia cient\u00edfica da liga\u00e7\u00e3o entre o autismo e a vacina, milhares de pais at\u00e9 hoje se recusam a imunizar os filhos por temer as consequ\u00eancias apontadas pelos estudo fraudulento de Wakefield. Muitos pagaram por isso. Em 2014, os Estados Unidos viveram um surto de sarampo, o maior desde 2000, quando a doen\u00e7a foi considerada eliminada do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 muito f\u00e1cil fazer associa\u00e7\u00f5es equivocadas em cima de metade das evid\u00eancias. Foi o que aconteceu no caso antigo da associa\u00e7\u00e3o entre as vacinas e o autismo e nesse epis\u00f3dio recente do larvicida. Algumas pessoas usaram uma doen\u00e7a s\u00e9ria de forma oportunista em defesa de seus pr\u00f3prios interesses, contra todos o progresso cient\u00edfico. Para demonstrar causa e efeito \u00e9 preciso n\u00e3o de um, mas de v\u00e1rios estudos experimentais, em modelos animais, que demonstrem claramente a rela\u00e7\u00e3o. Sem isso, tudo o mais \u00e9 especula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Zambrone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Larvicida causa microcefalia?<\/strong> &#8211; Poucos dias depois da divulga\u00e7\u00e3o do texto da Reduas, que se espalhou rapidamente pela internet, o verbete da Wikipedia sobre o piriproxifeno em portugu\u00eas, ingl\u00eas e franc\u00eas afirmava que m\u00e9dicos tinham levantando a hip\u00f3tese de que o composto pudesse estar relacionado ao aumento da incid\u00eancia de microcefalia no Brasil. A discuss\u00e3o foi o suficiente para que o Rio Grande do Sul suspendesse o uso do pesticida como medida preventiva, apesar de o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ter divulgado em nota que &#8220;n\u00e3o existe nenhum estudo epidemiol\u00f3gico que comprove a associa\u00e7\u00e3o do uso de piriproxifeno e a microcefalia&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nota enviada ao site de VEJA, a Abrasco afirmou que em &#8220;momento nenhum afirmou que os pesticidas, larvicidas ou outro produto qu\u00edmico sejam respons\u00e1veis pelo aumento do n\u00famero de casos de microcefalia no Brasil&#8221; e que a nota t\u00e9cnica publicada em seu site afirma apenas que considera perigoso que o controle do Aedes seja feito, principalmente, por meio de larvicidas. N\u00e3o h\u00e1 qualquer estudo cient\u00edfico estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o direta de causa e efeito entre o uso de larvicidas e a microcefalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 sabido que um cen\u00e1rio de incerteza como este provoca inseguran\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o e \u00e9 terreno f\u00e9rtil para a dissemina\u00e7\u00e3o de inverdades e de conte\u00fados sem qualquer (ou suficiente) embasamento cient\u00edfico. A Abrasco repudia tal comportamento, que desrespeita a ang\u00fastia e o sofrimento das pessoas em situa\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, e solicita prud\u00eancia aos pesquisadores e \u00e0 imprensa neste grave momento, pois todas as hip\u00f3teses devem ser investigadas antes de neg\u00e1-las ou de confirm\u00e1-las&#8221;, diz a Abrasco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, de acordo com o infectologista Kleber Luz, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e um dos primeiros cientistas a perceber a rela\u00e7\u00e3o entre as infec\u00e7\u00f5es de zika no pa\u00eds e o aumento dos casos de microcefalia na regi\u00e3o Nordeste, as cidades com o maior n\u00famero de casos de microcefalia em Pernambuco, como Recife, n\u00e3o usam o piriproxifeno como larvicida, mas o BTI, um composto biol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nesse momento, atribuir a um larvicida o n\u00famero elevado dos casos de microcefalia n\u00e3o faz sentido. Quem est\u00e1 na linha de frente das pesquisas sabe que a rela\u00e7\u00e3o entre o v\u00edrus e a m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o de beb\u00eas \u00e9 clara. Ainda n\u00e3o sabemos os detalhes dessa rela\u00e7\u00e3o, que \u00e9 complexa e, possivelmente, envolve v\u00e1rios fatores, mas ela \u00e9 bastante forte&#8221;, diz Luz. &#8220;Em momentos como esses, de v\u00e1rias d\u00favidas sobre uma epidemia de consequ\u00eancias t\u00e3o dram\u00e1ticas, \u00e9 natural que tente se encontrar um \u00fanico culpado. Isso tornaria mais f\u00e1cil lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Mas, infelizmente, n\u00e3o ser\u00e1 uma &#8216;teoria da conspira\u00e7\u00e3o&#8217; que vai solucionar a epidemia que vivemos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estrat\u00e9gia de sa\u00fade p\u00fablica &#8211;<\/strong> Apesar de ter ficado claro que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre o piriproxifeno e o n\u00famero elevado de beb\u00eas nascidos com microcefalia no Brasil, o governo do Rio Grande do Sul decidiu manter a proibi\u00e7\u00e3o do uso do produto em \u00e1gua pot\u00e1vel. Ele continua sendo usado em locais p\u00fablicos, como fontes, chafarizes ou reservat\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se poss\u00edvel, o melhor \u00e9 que a \u00e1gua que bebemos n\u00e3o tenha nenhum veneno&#8221;, disse ao site de VEJA o m\u00e9dico Jo\u00e3o Gabbardo Reis, secret\u00e1rio de sa\u00fade do Rio Grande do Sul. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias cient\u00edficas da rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre o piriproxifeno e a microcefalia, mas h\u00e1 muitas d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao zika e n\u00e3o se sabe se o larvicida n\u00e3o pode ser um fator coadjuvante.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 consenso entre os profissionais de sa\u00fade p\u00fablica que as decis\u00f5es nessa \u00e1rea devem ser tomadas visando o bem-estar do maior n\u00famero de pessoas, levando-se em considera\u00e7\u00e3o o que h\u00e1 de mais avan\u00e7ado em pesquisas m\u00e9dicas e cient\u00edficas. Contudo, segundo os especialistas, uma das fragilidades brasileiras em lidar com a epidemia de zika \u00e9 a aus\u00eancia de autoridades capacitadas e confi\u00e1veis, que concentrem as informa\u00e7\u00f5es sobre a epidemia, tomem decis\u00f5es corretas e transmitam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o as \u00faltimas descobertas de maneira transparente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O que me preocupa nesse epis\u00f3dio \u00e9 que, al\u00e9m da decis\u00e3o equivocada tomada com base em uma especula\u00e7\u00e3o, a responsabilidade pela epidemia est\u00e1 sendo transmitida unicamente para a popula\u00e7\u00e3o. As medidas sanit\u00e1rias b\u00e1sicas s\u00e3o um encargo do governo e \u00e9 uma decis\u00e3o un\u00e2nime entre os cientistas que controlar o mosquito \u00e9 uma forma de combate eficaz do vetor&#8221;, diz o m\u00e9dico Zambrone. &#8220;Em sa\u00fade p\u00fablica devemos equilibrar os benef\u00edcios e malef\u00edcios e, em seguida, tomar decis\u00f5es que beneficiem o maior n\u00famero de pessoas. Por que, ent\u00e3o, eliminar uma forma de combate ao Aedes, recomendada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) e usada em todo o mundo?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, est\u00e3o em curso estudos sobre o zika feitas com a ajuda do Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) americano e da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), cuja comiss\u00e3o est\u00e1 no pa\u00eds. O v\u00edrus complexo ainda est\u00e1 sendo decifrado pela ci\u00eancia e os pesquisadores esperam que, em pouco tempo, respostas concretas sobre sua a\u00e7\u00e3o comecem a ser elaboradas. Ainda n\u00e3o foi descoberto quais anticorpos o v\u00edrus forma ao entrar no organismo, um primeiro passo fundamental para o desenvolvimento de um exame que identifique a doen\u00e7a e, futuramente, tratamentos e uma vacina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nesse momento, em que aguardamos que a ci\u00eancia descubra o mecanismo b\u00e1sico do v\u00edrus, precisamos saber onde buscar informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e isso deveria vir de uma lideran\u00e7a oficial. \u00c9 preciso deixar bem claro que qualquer afirma\u00e7\u00e3o feita sem o aval cient\u00edfico, nesse momento, n\u00e3o passa de boato&#8221;, diz o infectologista Artur Timerman. &#8220;S\u00f3 as respostas vindas dos laborat\u00f3rios, aliadas a uma coordena\u00e7\u00e3o eficaz, nos ajudar\u00e3o a lidar com essa epidemia que se tornou t\u00e3o dram\u00e1tica no pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O que me preocupa nesse epis\u00f3dio \u00e9 que, al\u00e9m da decis\u00e3o equivocada tomada com base em uma especula\u00e7\u00e3o, a responsabilidade pela epid<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":114919,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-114918","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/zika.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114918","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114918"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114918\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114919"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}