{"id":11544,"date":"2013-08-20T16:00:30","date_gmt":"2013-08-20T19:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=11544"},"modified":"2013-08-20T09:33:59","modified_gmt":"2013-08-20T12:33:59","slug":"de-olho-na-copa-importadores-britanicos-miram-no-vinho-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/de-olho-na-copa-importadores-britanicos-miram-no-vinho-brasileiro\/","title":{"rendered":"De olho na Copa, importadores brit\u00e2nicos miram no vinho brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (7)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ImageProxy-7-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/p>\n<p>Compradores de vinho da Gr\u00e3-Bretanha est\u00e3o mirando nos produtores brasileiros de olho nas oportunidades de neg\u00f3cio que a Copa do Mundo e as Olimp\u00edadas podem trazer.<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos dez anos vem crescendo o interesse pelos vinhos do Brasil, mas com a aten\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds atrai por causa do Mundial e dos jogos de 2016, importadoras brit\u00e2nicas consideram que agora ficou mais f\u00e1cil introduzir a bebida no mercado e apostam que o vinho v\u00e1 cair no gosto dos locais.<br \/>\nA empresa vai produzir, em parceria com a brasileira Vin\u00edcola Aurora, dois vinhos com um\u00a0blend\u00a0(mistura de uvas) pensado especialmente para o mercado brit\u00e2nico, com lan\u00e7amento previsto para antes do Natal ou in\u00edcio do ano que vem.&#8221;O Brasil foi uma escolha \u00f3bvia para n\u00f3s&#8221;, diz \u00e0 BBC Brasil Rachel Archer, gerente da se\u00e7\u00e3o &#8220;I heart&#8221; (Eu amo, em tradu\u00e7\u00e3o livre), da Copestick Murray, uma das importadoras brit\u00e2nicas.<\/p>\n<p>A Copestick Murray espera produzir ao menos 300 mil garrafas de espumante moscato branco e ros\u00e9, que ser\u00e3o vendidas nas principais redes de supermercados do pa\u00eds, como Waitrose, Sainsbury\u2019s e Tesco.<\/p>\n<p>&#8220;A melhora na qualidade do vinho nos \u00faltimos anos, combinada \u00e0 oportunidade de neg\u00f3cios com a Copa e as Olimp\u00edadas, colocou o vinho brasileiro na nossa lista de prioridades&#8221;, acrescentou Archer.<\/p>\n<p>A gigante brit\u00e2nica do setor de departamentos Marks &amp; Spencer tamb\u00e9m anunciou que vai adicionar a partir de fevereiro tr\u00eas r\u00f3tulos aos dois atuais da vin\u00edcola ga\u00facha Seival Estate. Em maio, a importadora Bibendum fechou com a vin\u00edcola Miolo, tamb\u00e9m do Rio Grande do Sul, uma parceria para ser sua distribuidora exclusiva na Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>E a rede de supermercados Waitrose, a primeira a estocar vinho brasileiro no pa\u00eds, lan\u00e7ar\u00e1 no in\u00edcio do ano que vem quatro vinhos de tr\u00eas vin\u00edcolas brasileiras que ficar\u00e3o \u00e0 venda por pelo menos um ano.<\/p>\n<h2>Maior importador mundial<\/h2>\n<p>Com compras anuais de mais de 1 bilh\u00e3o de garrafas, a Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 o maior importador de vinho no mundo, segundo dados da Vinexpo, a maior feira do setor, realizada em Paris a cada dois anos.<\/p>\n<p>O pa\u00eds \u00e9 o terceiro maior importador de vinhos brasileiros, atr\u00e1s da China e da Holanda.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p>Para brasileiro detentor de t\u00edtulo de Master of Wine, bebida do Brasil precisa de &#8216;mais consist\u00eancia&#8217;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Apesar de responder atualmente por valores relativamente baixos, as exporta\u00e7\u00f5es para a Gr\u00e3-Bretanha tendem a crescer, entusiasmando os produtores nacionais.<\/p>\n<p>O projeto Wines of Brazil \u2013 uma parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es (Apex) &#8211; espera em 2013 que as exporta\u00e7\u00f5es para a Gr\u00e3-Bretanha superem em 50% as do ano passado, quando foram vendidos 94,6 mil litros, o equivalente a US$ 400 mil.<\/p>\n<p>Segundo Andreia Gentilini, diretora da Wines of Brazil, Gr\u00e3-Bretanha e Estados Unidos s\u00e3o os principais alvos da ag\u00eancia, que foi criada h\u00e1 dez anos para promover o vinho brasileiro no exterior.<\/p>\n<p>&#8220;Desde janeiro estamos negociando vendas com seis compradores brit\u00e2nicos, que est\u00e3o de olho nos eventos esportivos do Brasil para expandir suas oportunidade de neg\u00f3cios&#8221;, diz ela \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<h2>Falta consist\u00eancia<\/h2>\n<p>Mas na avalia\u00e7\u00e3o de Dirceu Vianna Junior, \u00fanico brasileiro a carregar o t\u00edtulo de Master of Wine \u2013 qualifica\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da ind\u00fastria de vinhos -, o setor vin\u00edcola do pa\u00eds &#8220;caminha no caminho certo, mas ainda carece de consist\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A gama de todos os produtores varia muito entre vinhos bons e ruins. Precisamos ter ao menos dez produtores em que todos os vinhos sejam de qualidade e hoje s\u00f3 temos uns cinco&#8221;, avalia Dirceu.<\/p>\n<p>O brasileiro, que \u00e9 diretor de vinhos da importadora e distribuidora Coe Vintners, em Londres, diz ainda que o pre\u00e7o \u00e9 outro desafio para o vinho brasileiro competir no exterior.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui (Londres) paga-se entre \u00a3 8 e \u00a310 (R$ 28 e R$ 36) por um vinho brasileiro, ao passo que encontramos garrafas da Espanha e da Fran\u00e7a que s\u00e3o melhores e mais baratas&#8221;, diz ele, acrescentando que o valor do vinho brasileiro no exterior reflete custos com impostos, m\u00e3o de obra e t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Os vinhedos ficam localizados principalmente em encostas, o que torna o cultivo mais caro do que em plan\u00edcie, onde podemos usar m\u00e1quinas&#8221;, explica.<\/p>\n<h2>Salto de qualidade<\/h2>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>Steven Spurrier, jornalista especializado em vinhos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O jornalista brit\u00e2nico especializado em vinhos Steven Spurrier concorda que h\u00e1 obst\u00e1culos \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es do Brasil para popularizar seu vinho no exterior, mas afirma que desde que come\u00e7ou a visitar as vin\u00edcolas brasileiras, h\u00e1 12 anos, percebeu um &#8220;salto tremendo&#8221; na qualidade da bebida.<\/p>\n<p>&#8220;Os produtores est\u00e3o entendendo melhor seuterroir\u00a0(solo prop\u00edcio \u00e0 planta\u00e7\u00e3o de uvas) e cuidando mais das vin\u00edcolas&#8221;, diz Spurrier \u00e0 BBC Brasil, que avalia que o vinho brasileiro se assemelha mais ao europeu em estilo do que o chileno ou o argentino.<\/p>\n<p>&#8220;Nas vin\u00edcolas do sul do Brasil, o clima \u00e9 mais parecido com o da Europa do que no Chile. A diferen\u00e7a de temperatura entre dia e noite refresca os vinhos, resultando em uma bebida mais equilibrada, com teor alco\u00f3lico levemente menor&#8221;, diz o especialista.<\/p>\n<p>Isso, segundo ele, aumenta as chances de aceita\u00e7\u00e3o da bebida brasileira no mercado brit\u00e2nico, que \u00e9 mais receptivo aos vinhos de mercados emergentes do que Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Espanha, os tr\u00eas maiores produtores mundiais.<\/p>\n<p>Spurrier prepara uma reportagem sobre a produ\u00e7\u00e3o de vinhos no Brasil para a edi\u00e7\u00e3o de outubro da revista\u00a0Decanter, uma das maiores do setor, publicada mensalmente em 90 pa\u00edses.<\/p>\n<p>&#8220;Os brasileiros s\u00e3o os\u00a0new kids on the block\u00a0(a novidade do momento, em tradu\u00e7\u00e3o livre)&#8221;, brinca Spurrier, que em 1976 organizou o Julgamento de Paris, uma competi\u00e7\u00e3o de vinhos que ficou famosa ao revelar a superioridade de alguns vinhos californianos perante os franceses, algo impens\u00e1vel na \u00e9poca, que ajudou a popularizar o vinho do Estado americano.<\/p>\n<p>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compradores de vinho da Gr\u00e3-Bretanha est\u00e3o mirando nos produtores brasileiros de olho nas oportunidades de neg\u00f3cio que a Copa do Mundo e as Olimp\u00edadas podem trazer. 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