{"id":11831,"date":"2013-08-22T05:48:04","date_gmt":"2013-08-22T08:48:04","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=11831"},"modified":"2013-08-22T09:34:48","modified_gmt":"2013-08-22T12:34:48","slug":"justica-militar-nao-deve-julgar-civil-acusado-de-desacato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/justica-militar-nao-deve-julgar-civil-acusado-de-desacato\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a Militar n\u00e3o deve julgar civil acusado de desacato"},"content":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a Militar n\u00e3o tem compet\u00eancia para julgar civil acusado de desacato contra militares que atuem em policiamento ostensivo no processo de ocupa\u00e7\u00e3o e pacifica\u00e7\u00e3o das favelas cariocas. Com este entendimento, fundamentado em decis\u00e3o da 2\u00aa Turma do Supremo Tribunal Federal, o ministro Ricardo Lewandowski concedeu liminar em Habeas Corpus para suspender os efeitos da senten\u00e7a da 2\u00aa Auditoria da 1\u00aa Circunscri\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria Militar que condenou um homem a seis meses de deten\u00e7\u00e3o por crime de desacato a militares que atuavam em policiamento ostensivo no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>De acordo com a acusa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Militar, o homem teria usado palavras ofensivas para &#8220;aviltar, intimidar e depreciar&#8221;, al\u00e9m de \u201catacar patrim\u00f4nio p\u00fablico da administra\u00e7\u00e3o militar: os cones da guarni\u00e7\u00e3o\u201d. O incidente teria ocorrido em abril de 2011 em local conhecido como Campo da Ordem, envolvendo militares do Ex\u00e9rcito acionados para refor\u00e7ar a seguran\u00e7a nas proximidades de um bar onde teria havido um in\u00edcio de tumulto.<\/p>\n<p>Sem sucesso em recurso ao Superior Tribunal Militar, a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU) recorreou ao Supremo, sustenando a incompet\u00eancia da Justi\u00e7a Militar, afirmando que o delito n\u00e3o constituiria crime militar pr\u00f3prio, mas acidental ou impr\u00f3prio. Argumenta ainda que as atividades de policiamento no Rio de Janeiro est\u00e3o sendo feitas tanto por militares do Ex\u00e9rcito quanto pelas Pol\u00edcias Militar e Civil do estado, \u201cde modo concomitante e integrado\u201d.<\/p>\n<p>Para a DPU, os policiais estavam fazendo \u201cgenu\u00edna atividade de policiamento (resolver tumulto em bar)\u201d, que, de acordo com o artigo 144 da Constitui\u00e7\u00e3o, \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os policiais federais e estaduais. O caso, em que o acusado \u00e9 civil e o crime \u00e9 acidentalmente militar, configuraria \u201cdesigualdade injustificada no tratamento dispensado\u201d, o que justificaria a nulidade do processo, por viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da isonomia.<\/p>\n<p>No exame da liminar, o ministro Lewandowski considerou pedido formulado admiss\u00edvel, uma vez que a tese sustentada pela DPU est\u00e1 em harmonia com o entendimento adotado pela 2\u00aa Turma do STF no julgamento do HC 112.936, sobre situa\u00e7\u00e3o semelhante. Diante da possibilidade de in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o da pena, observou estar presente, tamb\u00e9m, o risco da demora. A decis\u00e3o do relator suspende os efeitos da senten\u00e7a at\u00e9 o julgamento definitivo do Habeas Corpus pelo STF.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a Militar n\u00e3o tem compet\u00eancia para julgar civil acusado de desacato contra militares que atuem em policiamento ostensivo no processo de ocupa\u00e7\u00e3o e pacifica\u00e7\u00e3o das favelas cariocas. 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