{"id":11922,"date":"2013-08-22T11:08:07","date_gmt":"2013-08-22T14:08:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=11922"},"modified":"2013-08-22T11:10:52","modified_gmt":"2013-08-22T14:10:52","slug":"projeto-de-foguete-estava-certo-diz-engenheira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/projeto-de-foguete-estava-certo-diz-engenheira\/","title":{"rendered":"&#8220;Projeto de foguete estava certo&#8221;, diz engenheira"},"content":{"rendered":"<p>A engenheira qu\u00edmica Raquel Cristina Freitas ingressou no Instituto de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (IAE) sob os ausp\u00edcios da Miss\u00e3o Espacial Completa Brasileira, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980. Entre os objetivos do programa, estava a constru\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo lan\u00e7ador de sat\u00e9lites. Com forma\u00e7\u00e3o em propelentes s\u00f3lidos, ela seria uma pe\u00e7a essencial no desenvolvimento dos foguetes. Mas, trinta anos depois, Raquel ainda n\u00e3o viu seu \u201cfilho\u201d, como chama carinhosamente o VLS-1, cumprir sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa jornada teve um cap\u00edtulo tr\u00e1gico h\u00e1 exatos 10 anos, em 22 de agosto de 2003. Em tr\u00eas dias, Raquel receberia, em seu anivers\u00e1rio, o maior presente que poderia pedir: a decolagem do VLS-1, o terceiro prot\u00f3tipo, que ajudara a conceber. Mesmo assim, ela n\u00e3o se sentia bem. \u201cTinha algo errado\u201d, lembra.<\/p>\n<p>No hor\u00e1rio do almo\u00e7o, ao voltar para casa, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), Raquel telefonou para o seu ent\u00e3o marido, Renato Madeira Branco, tamb\u00e9m pesquisador s\u00eanior, hoje chefe da Usina Coronel Abner \u2013 uma subdivis\u00e3o de fabrica\u00e7\u00e3o de propelentes da Divis\u00e3o de Qu\u00edmica do IAE. Ele estava no Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara, no Maranh\u00e3o, esperando um chamado para ir at\u00e9 a plataforma do VLS-1.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s poucos minutos de di\u00e1logo, a conversa foi interrompida por um barulho. \u201cSe eu n\u00e3o soubesse que o lan\u00e7amento seria s\u00f3 tr\u00eas dias depois, pensaria que era a queima do motor\u201d, conta Raquel. Ele largou o telefone para ver o que acontecia. Naquele momento, encontrava-se em um pr\u00e9dio em frente \u00e0 torre de lan\u00e7amentos, a 500 metros de dist\u00e2ncia. Para observar o que era aquele barulho todo, abriu uma porta. A verdade estava l\u00e1, pavorosa. Era mesmo a queima do motor. Um grande sonho consumido pelo fogo. Segundos depois, voltou ao telefone. Gritando.<\/p>\n<p>Raquel conta que o marido, desesperado, queria sair do pr\u00e9dio e socorrer os colegas. Mas era imposs\u00edvel. \u201cFecha a porta e espera\u201d, apelou, com medo. Inalar aquela fuma\u00e7a t\u00f3xica poderia lhe ser fatal, como foi para 21 t\u00e9cnicos e engenheiros que dedicaram seus \u00faltimos instantes ao projeto de autonomia espacial ainda hoje perseguido pelo Brasil.<\/p>\n<p>Assim, o desenvolvimento do lan\u00e7ador, que j\u00e1 enfrentava tantos obst\u00e1culos \u2013 como a verba irregular e a dificuldade de obter componentes estrangeiros \u2013 encontrou mais um: a depress\u00e3o. Equipes de psic\u00f3logos e psiquiatras foram mobilizadas. \u201cQuem ficou perdeu o ch\u00e3o. Quem estava l\u00e1&#8230;\u201d, lamenta Raquel. \u201cFoi um baque. Afetou todo mundo. Tivemos dois anos de acompanhamento psicol\u00f3gico. Meu marido entrou em depress\u00e3o. Ficava deitado olhando para o teto.\u201d<\/p>\n<p>Como ele, muitos pesquisadores tiveram dificuldade de retomar o trabalho. Ainda era preciso avaliar todos os detalhes t\u00e9cnicos do acidente, definir o que dera errado e reformular os processos para que as pr\u00f3ximas tentativas fossem bem-sucedidas. Para isso, uma reestrutura\u00e7\u00e3o completa na equipe foi necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, por\u00e9m, ningu\u00e9m sabe explicar por que houve um acendimento intempestivo de um dos motores. \u201cO projeto estava correto\u201d, diz Raquel. \u201cFoi uma fatalidade. N\u00e3o teve um erro respons\u00e1vel pelo problema. \u00c9 uma \u00e1rea em que sempre h\u00e1 a possibilidade de um acidente, como tamb\u00e9m houve nos programas russo e americano.\u201d<\/p>\n<p>Em 2011, ela se aposentou sem ver novas tentativas de lan\u00e7amento. Manteve-se, mesmo assim, \u201c\u00e0 disposi\u00e7\u00e3o\u201d do IAE. \u201cAcredito e tenho total confian\u00e7a no Programa Espacial Brasileiro\u201d, afirma Raquel. \u201cMas o lan\u00e7ador \u00e9 um caso de soberania. Por enquanto, estamos nas m\u00e3os dos outros. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 frustrante. A \u00cdndia (<em>que j\u00e1 tem seu lan\u00e7ador<\/em>) come\u00e7ou junto com a gente. A diferen\u00e7a \u00e9 que l\u00e1, por exemplo, tinha em torno de 1,3 mil\u00a0pesquisadores em 2004, e aqui, o IAE tinha em torno de 500\u201d, conclui. (Terra)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A engenheira qu\u00edmica Raquel Cristina Freitas ingressou no Instituto de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (IAE) sob os ausp\u00edcios da Miss\u00e3o Espacial Completa Brasileira, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980. Entre os objetivos do programa, estava a constru\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo lan\u00e7ador de sat\u00e9lites. Com forma\u00e7\u00e3o em propelentes s\u00f3lidos, ela seria uma pe\u00e7a essencial no desenvolvimento dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":11923,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[312,4053,4052,160],"class_list":["post-11922","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-brasileiro","tag-engenheira","tag-foguete","tag-projeto"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/acidente-foguete-brasil.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11922"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11922\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}