{"id":122194,"date":"2016-04-07T11:09:10","date_gmt":"2016-04-07T14:09:10","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=122194"},"modified":"2016-04-07T11:09:10","modified_gmt":"2016-04-07T14:09:10","slug":"apos-bullying-e-injurias-em-grupo-de-whatsapp-blogueira-aciona-a-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/apos-bullying-e-injurias-em-grupo-de-whatsapp-blogueira-aciona-a-justica\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s bullying e inj\u00farias em grupo de WhatsApp, blogueira aciona a justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-122195\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Calincka-Crat\u00e9us-409x307.jpg\" alt=\"Calincka Crat\u00e9us\" width=\"409\" height=\"307\" \/><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino do per\u00edodo escolar \u00e9 comum a realiza\u00e7\u00e3o dos reencontros, momentos que ex-colegas se reagrupam para lembrar hist\u00f3rias e se atualizarem uns da vida dos outros. Com os aplicativos de mensagens instant\u00e2neas, como o WhatsApp, essas reuni\u00f5es passaram a ser feitas em grupos online. Em Petrolina, no Sert\u00e3o de Pernambuco, um deles trouxe \u00e0 tona o <em>bullying <\/em>do colegial, adormecido ao longo de dez anos, contra Calincka Crate\u00fas, de 25 anos. A blogueira e estudante de jornalismo agora recorre \u00e0 justi\u00e7a com objetivo de punir os autores de inj\u00farias e difama\u00e7\u00f5es no grupo do antigo col\u00e9gio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dez anos distante da turma com quem estudou o ensino m\u00e9dio, Calincka recebeu uma mensagem de uma das participantes do grupo em uma das suas redes sociais perguntando se ela tinha interesse de entrar no grupo do WhatsApp do col\u00e9gio. \u201cEu recusei o convite e expliquei que eu passei muita coisa ruim na escola. Depois disso, eu soube que essa pessoa estava fazendo uso das minhas fotos no grupo, junto com outra pessoa que estudou tamb\u00e9m comigo. Houve tamb\u00e9m um menino que pediu minha amizade em 2014 tamb\u00e9m em uma rede social e eu recusei. Eu n\u00e3o queria saber da vida dele e n\u00e3o queria que soubesse da minha. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o sei dizer se foi o orgulho ferido da parte dele e por isso que fizeram isso comigo\u201d, explica.<\/p>\n<p>Ela conta que teve conhecimento das ofensas atrav\u00e9s de uma amiga no domingo (3). Foram postadas fotos dela e algumas pessoas zombavam e diziam piadinhas, como &#8220;Essa a\u00ed \u00e9 recebendo esp\u00edrito&#8221; e &#8220;Minha gente, essa foto \u00e9 de dar medo&#8221;. Quando soube, a estudante n\u00e3o se calou, produziu um texto para o perfil dela no Facebook, que j\u00e1 teve quase 2 mil compartilhamentos.<\/p>\n<p>\u201cUm amiga me contou e pedi para ela, que estava inserida no grupo, pesquisar meu nome e ela achou mais de 55 <em>prints <\/em>de conversas falando como sou e estou. As postagens que eu deixo na minha p\u00e1gina em p\u00fablico s\u00e3o bem pensadas e publicadas utilizando um contexto. Em uma das fotos utilizadas estou revirando os olhos para frases sobre homofobia, pol\u00edtica e tem todo um contexto, mas no grupo eles utilizaram essa imagem para usar com o contexto de receber esp\u00edrito\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ao saber da difama\u00e7\u00e3o, a blogueira, autora da p\u00e1gina &#8216;Toda Linda de Valentino&#8217;, resolveu procurar a pol\u00edcia. \u201cDessa vez eu n\u00e3o tive medo e n\u00e3o tenho 17 anos. Eu acredito que a justi\u00e7a vai ser feita, porque n\u00e3o se trata apenas de mim, mas de crian\u00e7as de Petrolina, Paran\u00e1, Mato Grosso, e de pessoas que mandaram mensagens e que passaram tamb\u00e9m por tudo o que passei&#8221;, garante Calincka.<\/p>\n<p>A p\u00e1gina da rede social de Calinka est\u00e1 bloqueada e ela aguarda a libera\u00e7\u00e3o. \u201cEu fui bloqueada no Facebook. Essas pessoas denunciaram o <em>post <\/em>que eu fiz denunciando eles, o que gerou grande repercuss\u00e3o, com isso eu acabei sendo bloqueada. Estou recebendo mensagens de apoio de todos os cantos do Brasil. Abri uma porta a todos que tinham medo e vergonha de falar\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira (5), a estudante foi at\u00e9 a delagacia, onde foi feito um Boletim de Ocorr\u00eancia (B.O). Vai ser iniciado um processo penal para julgar o crime. De acordo com o\u00a0 advogado Jo\u00e3o Gabriel Brito, j\u00e1 foram identificadas quatro pessoas do grupo que agiram com o intuito de injuriar Calincka. \u201cEssas pessoas tinham a inten\u00e7\u00e3o de ofender a honra de Calincka. Elas pegavam as fotos sem autoriza\u00e7\u00e3o da p\u00e1gina do Facebook dela e colocovam no WhatsApp junto com xingamentos e palavras de baixo cal\u00e3o&#8221;, afirmou o advogado.<\/p>\n<p>Em seguida, o advogado deve entrar na vara c\u00edvil para pedir a repara\u00e7\u00e3o pelos danos que eles cometeram. &#8220;Foram cometidos o crime da difama\u00e7\u00e3o e de inj\u00faria. A difama\u00e7\u00e3o interfere na reputa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a inj\u00faria \u00e9 o que mais observo no caso de Calincka, \u00e9 subjetivo e \u00e9 relacionado \u00e0 dignidade dela&#8221;, explicou Jo\u00e3o Gabriel Brito.<\/p>\n<p>A advogada C\u00edntia Amando, que tamb\u00e9m cuida do caso, defende que apesar de ser uma figura p\u00fablica, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aceitar que pessoas maculem e denigram a imagem dela. \u201cEla utiliza as imagens dela para fazer o trabalho dela e fazer as pessoas se divertirem, mas isso n\u00e3o d\u00e1 direito de ridicularizar no meio p\u00fablico\u201d, destaca C\u00edntia.<\/p>\n<p>Calincka disse que sofreu <em>bullying <\/em>durante todo o ensino m\u00e9dio e que at\u00e9 cometia infra\u00e7\u00f5es para n\u00e3o ter que frequentar as aulas. \u201cOs meninos diziam que eu n\u00e3o era a garota mais bonita da sala e eu s\u00f3 baixava a cabe\u00e7a e ouvia, fingia n\u00e3o doer. Quando eu n\u00e3o consegui mais suportar, buscava v\u00e1rias estrat\u00e9gias para n\u00e3o ir \u00e0 escola. Ia com a farda incompleta para voltar para casa, fazia infra\u00e7\u00f5es para receber a puni\u00e7\u00e3o e ficar tr\u00eas dias sem ir ao col\u00e9gio. Todos os dias eram infernais\u201d, relata.<\/p>\n<p>Os pais de Calincka n\u00e3o perceberam a dor da filha, pois estavam sofrendo com a morte da irm\u00e3 dela. \u201cMinha m\u00e3e n\u00e3o entendia o motivo e eu n\u00e3o podia contar, porque nessa \u00e9poca eu perdi a minha irm\u00e3 por causa do l\u00fapus. Ent\u00e3o, eu tinha que me virar e cuidar dos meus pais emocionalmente, resguardar meu luto, mostrar que eu estava ali e que eles teriam que prosseguir, pois ainda havia uma filha ali. E ainda tinha que ouvir piadas e humilha\u00e7\u00f5es. Faziam exclus\u00f5es, n\u00e3o queriam fazer trabalhos comigo. Eu fazia a maioria dos trabalhos sozinha e sentava s\u00f3 no recreio\u201d, relembra.<\/p>\n<p>A blogueira relata que o fim do ensino m\u00e9dio foi um al\u00edvio e que ao ingressar no curso de Jornalismo da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) em Juazeiro, na Bahia, ela sentiu-se muito bem. \u201cGostei, porque haviam semelhantes, pessoas que gostavam de escrever, de militar, de n\u00e3o passar por cima de ningu\u00e9m e ajudar o outro. Eram pessoas adultas e estavam todos atr\u00e1s dos sonhos\u201d, conta Crat\u00e9us.<\/p>\n<p><em>G1 Petrolina<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino do per\u00edodo escolar \u00e9 comum a realiza\u00e7\u00e3o dos reencontros, momentos que ex-colegas se reagrupam para lembrar hist\u00f3rias e se atualizarem uns da vida dos outros. Com os aplicativos de mensagens instant\u00e2neas, como o WhatsApp, essas reuni\u00f5es passaram a ser feitas em grupos online. 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