{"id":12232,"date":"2013-08-25T10:00:09","date_gmt":"2013-08-25T13:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=12232"},"modified":"2013-08-26T17:45:02","modified_gmt":"2013-08-26T20:45:02","slug":"ex-aluno-da-unb-diz-que-ministerio-do-exercito-foi-local-de-tortura-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ex-aluno-da-unb-diz-que-ministerio-do-exercito-foi-local-de-tortura-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Ex-aluno da UnB diz que Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito foi local de tortura"},"content":{"rendered":"<p>Distante pouco mais de 500 metros do Pal\u00e1cio do Planalto, o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito foi utilizado como centro de deten\u00e7\u00e3o e de tortura durante a ditadura militar. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 do ex\u2013aluno da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), H\u00e9lio Doyle. Doyle prestou\u00a0 depoimento hoje (23) \u00e0 Comiss\u00e3o da Mem\u00f3ria e Verdade da UnB, com o tamb\u00e9m ex-aluno \u00c1lvaro Lins. Ambos participaram do movimento estudantil nos anos 1960 e 1970.<\/p>\n<p>&#8220;Fui preso duas vezes e levado para a Pol\u00edcia Federal e de l\u00e1 encaminhado ao Setor Militar Urbano (SMU) onde funcionava o Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-Codi). Em outra pris\u00e3o fui levado para o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito e me colocaram em uma sala com isolamento ac\u00fastico. Eles tinham me levado com outros militantes. O erro foi que eles n\u00e3o nos encapuzaram e eu pude saber exatamente onde eu estava. Um sintoma de que o lugar era usado para interrogar e torturar os militantes pol\u00edticos \u00e9 que voc\u00ea tinha ali salas com isolamento&#8221;, disse Doyle, formado em jornalismo pela UnB e que integrava a Ala Vermelha, dissid\u00eancia do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).<\/p>\n<p>Doyle, que tamb\u00e9m integra a Comiss\u00e3o da Verdade dos Jornalistas do Distrito Federal, relatou que os minist\u00e9rios do Ex\u00e9rcito e da Marinha foram identificados como centro de deten\u00e7\u00e3o por outros colegas de profiss\u00e3o que tamb\u00e9m foram presos e que ouvidos pela comiss\u00e3o. &#8220;N\u00f3s colhemos depoimentos de tr\u00eas jornalistas que tamb\u00e9m disseram que foram levados para a Esplanada e que ficaram na garagem do Minist\u00e9rio da Marinha&#8221;, disse. Um deles, Rom\u00e1rio Schetino j\u00e1 foi ouvido pela comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c1lvaro Lins contou \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade que sofreu persegui\u00e7\u00e3o da reitoria por sua milit\u00e2ncia no movimento estudantil, especialmente do ex-reitor da UnB, Jos\u00e9 Carlos de Almeida Azevedo. Reconhecido como lideran\u00e7a estudantil, \u00c1lvaro, foi preso duas vezes entre 1968 \u2013 ano em que entrou na universidade para fazer o curso de f\u00edsica \u2013 e 1969, quando foi jubilado. \u201cO Azevedo, reitor da \u00e9poca, for\u00e7ou meu jubilamento. Eu estava preso quando houve a prova de recupera\u00e7\u00e3o e o Azevedo n\u00e3o aceitou essa justificativa para que eu fizesse a prova em outro momento\u201d, diz. \u00c1lvaro n\u00e3o concluiu o curso de gradua\u00e7\u00e3o. Azevedo, que tamb\u00e9m era Capit\u00e3o de Mar e Guerra da Marinha, foi respons\u00e1vel pela exclus\u00e3o de 56 estudantes da Universidade.<\/p>\n<p>&#8220;Com o AI-5 [Ato Institucional n\u00ba 5] e ap\u00f3s a segunda pris\u00e3o, tinha tr\u00eas possibilidades, abandonar a pol\u00edtica, ir para o exterior e a clandestinidade. Pouco tempo depois sa\u00ed de casa e entrei para a clandestinidade com o nome de Paulo Rodrigues Sampaio, passei dois anos em S\u00e3o Paulo e depois fui para o Rio de Janeiro com outro nome. Trabalhei em f\u00e1bricas como oper\u00e1rio para articular o movimento sindical. Permaneci na clandestinidade at\u00e9 1980&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Os ex-alunos tamb\u00e9m falaram sobre epis\u00f3dios como a pris\u00e3o de um policial infiltrado entre os alunos da UnB e a conviv\u00eancia com Honestino Guimar\u00e3es, lideran\u00e7a estudantil e ex-presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1968, os alunos protestavam contra a morte do estudante secundarista Edson Luis de Lima Souto, assassinado por policiais militares no Rio de Janeiro. Durante os protestos, os estudantes prenderam Edrovando Guimar\u00e3es Gutierres, policial infiltrado, que recebeu o apelido de Pera Dourada. A pol\u00edcia cerca a UnB exigindo a liberta\u00e7\u00e3o de Pera Dourada. Os estudantes prop\u00f5em trocar o espi\u00e3o pelos colegas presos. O policial \u00e9 devolvido e os universit\u00e1rios libertados em frente \u00e0 reitoria.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse epis\u00f3dio, o Ex\u00e9rcito invadiu a UnB para prender oito estudantes. Somente Honestino Guimar\u00e3es foi preso, permanecendo na cadeia at\u00e9 novembro. Em setembro, o Conselho Diretor da UnB o expulsa da universidade. Ele entrou para a clandestinidade e desapareceu, ap\u00f3s ter sido preso em 1973.<\/p>\n<p>&#8220;O Honestino era uma grande refer\u00eancia para a gente, depois que ele entrou para a clandestinidade ainda nos encontramos algumas vezes, mas depois perdi o seu rastro&#8221;, disse Lins. Em 1996, ap\u00f3s 23 anos do seu desaparecimento, o governo reconheceu oficialmente que Honestino era, de fato, um dos mortos da ditadura. (Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Distante pouco mais de 500 metros do Pal\u00e1cio do Planalto, o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito foi utilizado como centro de deten\u00e7\u00e3o e de tortura durante a ditadura militar. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 do ex\u2013aluno da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), H\u00e9lio Doyle. 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