{"id":12294,"date":"2013-08-26T14:00:20","date_gmt":"2013-08-26T17:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=12294"},"modified":"2013-08-26T07:51:58","modified_gmt":"2013-08-26T10:51:58","slug":"rua-chile-esta-agonizando-em-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/rua-chile-esta-agonizando-em-salvador\/","title":{"rendered":"Rua Chile est\u00e1 agonizando em Salvador"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (4)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ImageProxy-46-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p>Do glamour antigo dos idos anos 1940\/50 e 60 da t\u00e3o decantada bo\u00eamia e hist\u00f3rica Rua Chile n\u00e3o resta mais nada. Por muitos anos a via se tornou o point principal da juventude, onde os jovens ficavam parados nas portas das lojas, enquanto as mo\u00e7as desfilavam sorrateiramente trajando roupas da \u00faltima\u00a0moda\u00a0\u00e0 \u00e9poca e timidamente flertavam.<\/p>\n<p>Fundada em 1549 por Tom\u00e9 de Souza e, inicialmente, chamada de Rua Direita dos Mercadores, a Chile tamb\u00e9m teve outros nomes como Rua Direita do Pal\u00e1cio, porque todo poder da cidade estava concentrado nela. Mas o nome atual foi uma homenagem da C\u00e2mara Municipal \u00e0 visita da esquadra da Marinha de Guerra do Chile que havia desfilado na cidade e, na \u00e9poca, era a terceira maior do mundo.<\/p>\n<p>Para a historiadora, escritora e presidente do Instituto Geogr\u00e1fico e Hist\u00f3rico da Bahia (IGHB), Consuelo Pond\u00e9 de Sena, que viveu em sua juventude, toda esta \u00e9poca de grande charme da via, a Rua Chile \u201cest\u00e1 morta\u201d. Um dos motivos foi \u201co deslocamento da cidade para outro polo, que \u00e9 o Iguatemi\u201d, declarou.<\/p>\n<p>O Shopping Iguatemi foi criado em 1975 e com isto, de acordo com a historiadora \u201cos bancos, os cinemas, os consult\u00f3riosm\u00e9dicos, escrit\u00f3rios advocat\u00edcios e com\u00e9rcio se deslocaram para esta parte da cidade, que atualmente \u00e9 a Avenida Tancredo Neves, considerada a Avenida Paulista da Bahia\u201d, relatou.<\/p>\n<p>A escritora fala dos encantos da Rua Chile, com suas lojas especializadas de tecidos, roupas masculinas, do hotel Palace, onde se hospedavam artistas que vinham a Salvador para shows. Ela conta que era um com\u00e9rcio fino, a exemplo das Lojas Sloper que vendia perfumes, joias, vestu\u00e1rios e utens\u00edlios femininos como len\u00e7os, bolsas e chap\u00e9us e tamb\u00e9m a primeira loja de departamento de Salvador, Duas Am\u00e9ricas, que comercializava tecidos e vestidos femininos e que inovou trazendo para a cidade a primeira escada rolante. No local \u00a0havia tamb\u00e9m a Livraria Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Saudosismo<\/p>\n<p>Nestes anos idos e rua, segundo a historiadora, que foi uma das personagens deste tempo glamouroso, ela conheceu o seu falecidomarido, o neurologista Pl\u00ednio Garcez de Sena, ent\u00e3o estudante de Medicina, que junto com outros colegas de curso ficavam na porta da Sloper, ou no pal\u00e1cio Rio Branco, \u00a0tamb\u00e9m era ponto de intelectuais.<\/p>\n<p>\u201cEra a passarela das mo\u00e7as. N\u00f3s sa\u00edamos da escola, eu e outras meninas, \u00a0e peg\u00e1vamos o bonde s\u00f3 para fazer a volta e paquerar .Foi assim que conheci meu marido\u201d, conta a escritora, que lamenta a degrada\u00e7\u00e3o atual da Rua Chile. Ela aponta, al\u00e9m da cidade ter avan\u00e7ado para o norte, tamb\u00e9m outras circunst\u00e2ncias que causaram o fim dos tempos \u00e1ureos da rua.<\/p>\n<p>\u201cA cria\u00e7\u00e3o de lojas populares nos bairros tamb\u00e9m foi um dos motivos, pois antes s\u00f3 o bairro da Liberdade possu\u00eda um com\u00e9rcio pr\u00f3prio. Agora em todos os bairros h\u00e1 lojas de todos os tipos. O mesmo est\u00e1 acontecendo com a Baixa dos Sapateiros que est\u00e1 perdendo para as lojas populares dos bairros\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Consuelo Pond\u00e9 \u00a0n\u00e3o acredita que a Rua Chile possa se recuperar, mesmo com alguns atrativos atuais, como a mudan\u00e7a do tr\u00e1fego de ve\u00edculos &#8211; que agora sobem ao longo da rua e s\u00f3 descem a partir da Rua da Ajuda-, e a iminente constru\u00e7\u00e3o de um grande hotel do Grupo Fasano, onde antes funcionava a antiga sede do Jornal A Tarde, em frente \u00e0 Pra\u00e7a Castro Alves.\u201dN\u00e3o acredito que se restaure esta rua, jamais ser\u00e1 como antes. Aquelas lembran\u00e7as ficar\u00e3o na mem\u00f3ria das pessoas que alcan\u00e7aram a \u00e9poca boa dela\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>O aposentado Paulo Bahia Lago tamb\u00e9m recorda da sua juventude na Rua Chile. \u201cEra o ber\u00e7o de Salvador, n\u00e3o havia shopping na \u00e9poca e o pessoal se distra\u00eda muito nesta rua. As mulheres vinham fazer compras na Sloper e na Casa Duas Am\u00e9ricas e a juventude da \u00e9poca ficava na rua observando este movimento todo e acontecia muita paquera\u201d.<\/p>\n<p>Lago lembrou tamb\u00e9m do Hotel Palace que ficava quase em frente \u00e0 Sloper, onde se hospedavam as pessoas mais importantes que chegavam na cidade e quase ao lado do hotel uma loja fina de roupas masculinas. Tudo isto dava uma movimenta\u00e7\u00e3o especial na rua, segundo o aposentado.<\/p>\n<p>Para ele a decad\u00eancia da rua tamb\u00e9m est\u00e1 associada ao descaso dos poderes p\u00fablicos. \u201cMuito assalto, s\u00f3 prostitui\u00e7\u00e3o, \u00e0 noite n\u00e3o d\u00e1 mesmo para passar aqui. Uma vez li que havia um projeto bom para esta rua, mas cad\u00ea este projeto?\u201d, indagou.<\/p>\n<p>Uma esperan\u00e7a<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de dez anos instalado em frente a um posto do Correio, pr\u00f3ximo o Edif\u00edcio Br\u00e1ulio Xavier, o artes\u00e3o paulista conhecido como Ob\u00e1 Carrinhos comercializa os pequenos carros feitos de madeira para crian\u00e7as ou para enfeite em prateleira. \u201cAqui precisa melhorar, s\u00e1bado e domingo ent\u00e3o \u00e9 horr\u00edvel. Acho que o que poderia ajudar seriam os \u00f4nibus de turismo estacionar em frente \u00e0 Pra\u00e7a Castro Alves, o que levaria os turistas a fazerem o percurso at\u00e9 o Pelourinho a p\u00e9, passando por aqui, mas isto depois de toda a infraestrutura necess\u00e1ria\u201d, comentou.<\/p>\n<p>O artes\u00e3o sinaliza que uma das vistas mais lindas da cidade \u00e9 a da Pra\u00e7a Castro Alves e, por isto no local deveria \u00a0ter \u00a0atividade para o turismo. \u201cA pra\u00e7a est\u00e1 abandonada, o turismo s\u00f3 acontece do outro lado. \u00c9 uma l\u00e1stima que o local tenha se transformado em reduto de sacizeiros\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Para o economista \u00a0Claudio Marconi Gouvea ainda h\u00e1 esperan\u00e7a \u00a0se for feito um conjunto de obras. \u201cO primeiro passo j\u00e1 foi dado com o Espa\u00e7o Glauber Rocha, realmente \u00e9 de primeiro mundo. No entanto, necessitamos de mais seguran\u00e7a nesta \u00e1rea e nossa expectativa \u00e9 quando inaugurarem o Fasano a situa\u00e7\u00e3o vai ter que melhorar mesmo, principalmente a seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Gouvea compara Salvador com outras cidades do pa\u00eds que at\u00e9 hoje conservam o centro hist\u00f3rico da cidade com\u00a0cuidado. \u201cAcho que um compromisso s\u00e9rio dos governantes deve ser com o centro da cidade para n\u00e3o acontecer o que aconteceu com Salvador. Outras cidades, observamos, h\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o no centro da cidade, que aqui n\u00e3o h\u00e1\u201d, desabafou.<\/p>\n<p>Para quem anda pela Rua Chile pode observar que o com\u00e9rcio local \u00a0se restringe a lojas de fotografia, de perfumes, farm\u00e1cias, posto dos Correios e Tel\u00e9grafos, restaurantes e ainda h\u00e1 uma ag\u00eancia do Bradesco, praticamente ao lado do pr\u00e9dio onde funciona a Funda\u00e7\u00e3o Greg\u00f3rio de Mattos, \u00f3rg\u00e3o da prefeitura municipal.<\/p>\n<p>O funcion\u00e1rio p\u00fablico Dagoberto Lima comenta um detalhe interessante da rua. \u201cAqui neste pr\u00e9dio, em frente ao Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio (Sesc), ficava um grande banco, o Econ\u00f4mico. Lembro que no meu primeiro emprego, a empresa abriu conta nesta ag\u00eancia. No final dos anos 70 ainda tinha muita coisa boa aqui. Agora o espa\u00e7o foi transformado em uma loja de bolos.<\/p>\n<p>Acho que para revigorar a Chile tem que se tentar um com\u00e9rcio como de antigamente, com algo mais atraente para a popula\u00e7\u00e3o e os turistas\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Fonte: Tribuna<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do glamour antigo dos idos anos 1940\/50 e 60 da t\u00e3o decantada bo\u00eamia e hist\u00f3rica Rua Chile n\u00e3o resta mais nada. Por muitos anos a via se tornou o point principal da juventude, onde os jovens ficavam parados nas portas das lojas, enquanto as mo\u00e7as desfilavam sorrateiramente trajando roupas da \u00faltima\u00a0moda\u00a0\u00e0 \u00e9poca e timidamente flertavam. 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