{"id":125106,"date":"2016-04-22T00:09:44","date_gmt":"2016-04-22T03:09:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=125106"},"modified":"2016-04-21T17:27:57","modified_gmt":"2016-04-21T20:27:57","slug":"eldorado-dos-carajas-20-anos-de-impunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/eldorado-dos-carajas-20-anos-de-impunidade\/","title":{"rendered":"Eldorado dos caraj\u00e1s: 20 anos de impunidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"bf-breadcrumb-wrapper boxed\">\n<div class=\"container bf-breadcrumb-container\">\n<div class=\"bf-breadcrumb breadcrumbs bf-clearfix\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row main-section\">\n<div class=\"col-lg-8 col-md-8 col-sm-8 col-xs-12 with-sidebar content-column\">\n<article class=\" single-content clearfix post-22724 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-efemerides category-dialogos-do-sul tag-america-latina-e-caribe tag-anistia-internacional tag-brasil tag-direitos-humanos tag-efemerides-2 tag-eldorado-dos-carajas tag-impunidade tag-massacre tag-mst tag-nos-so-queremos-justica tag-reforma-agraria tag-trabalhadores-sem-terra\">\n<div class=\"featured\" style=\"text-align: justify;\"><a title=\"Eldorado dos Caraj\u00e1s: 20 anos de impunidade\" href=\"http:\/\/i0.wp.com\/operamundi.uol.com.br\/dialogosdosul\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/RIPPER.jpg?resize=1170%2C780\" rel=\"prettyPhoto\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive wp-post-image appear-display\" title=\"Eldorado dos Caraj\u00e1s: 20 anos de impunidade\" src=\"http:\/\/i0.wp.com\/operamundi.uol.com.br\/dialogosdosul\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/RIPPER.jpg?resize=750%2C350\" alt=\"RIPPER\" \/><\/a><\/div>\n<h1 class=\"page-heading \" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"h-title\">\u00a0<\/span><\/h1>\n<div class=\"the-content post-content clearfix\">\n<blockquote><p>Em 17 de abril de 1996, dezenove trabalhadores rurais sem terra foram mortos pela pol\u00edcia militar no epis\u00f3dio que ficou mundialmente conhecido como Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, ocorrido no sudeste do Par\u00e1. Nestes vinte anos, mais 271 trabalhadores rurais e lideran\u00e7as foram assassinados somente no estado do Par\u00e1, tra\u00e7ando um tr\u00e1gico cen\u00e1rio da luta pelo direito \u00e0 terra no Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_22726\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/i1.wp.com\/operamundi.uol.com.br\/dialogosdosul\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Caraj%C3%A1s-8-700x466.jpg\" rel=\"prettyPhoto\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-22726 appear-display\" src=\"http:\/\/i1.wp.com\/operamundi.uol.com.br\/dialogosdosul\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Caraj%C3%A1s-8-700x466.jpg?resize=750%2C499\" alt=\"Caraj\u00e1s-8-700x466\" width=\"750\" height=\"499\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Vel\u00f3rio dos 19 trabalhadores assassinados. Foto Ripper.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhadores do Movimento dos Sem Terra faziam uma caminhada at\u00e9 a cidade de Bel\u00e9m, quando foram impedidos pela pol\u00edcia de prosseguir. Mais de 150 policiais \u2013 armados de fuzis, com muni\u00e7\u00f5es reais e sem identifica\u00e7\u00e3o nas fardas \u2013 foram destacados para interromper a caminhada, o que levou a uma a\u00e7\u00e3o repressiva extremamente violenta e na morte dos trabalhadores. Vinte anos depois, apenas dois comandantes da opera\u00e7\u00e3o foram condenados \u2013 Coronel Mario Colares Pantoja, condenado a 258 anos, e Major Oliveira, condenado a 158 anos \u2013 e est\u00e3o presos desde 2012. Nenhum policial ou autoridade pol\u00edtica foi responsabilizado.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 inaceit\u00e1vel que a impunidade continue sendo a regra para crimes cometidos contra trabalhadores e trabalhadoras do campo. Investigar e levar \u00e0 justi\u00e7a mandantes e executores, assim como garantir o direito \u00e0 terra s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es fundamentais para que haja justi\u00e7a no campo e para a efetiva vig\u00eancia dos direitos humanos no pa\u00eds\u201d, afirma Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo destes anos, a organiza\u00e7\u00e3o documentou e analisou as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas no massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s monitorou o andamento do processo judicial e demandou justi\u00e7a no julgamento dos respons\u00e1veis.\u00a0As aut\u00f3psias revelaram que 10 dos 19 mortos foram executados, inclusive \u00e0 queima roupa, e outros foram mutilados at\u00e9 a morte com suas pr\u00f3prias ferramentas de trabalho. O massacre tamb\u00e9m deixou 69 pessoas feridas, entre elas muitas com sequelas resultantes de balas alojadas em partes do corpo que as impossibilitam de trabalhar no campo. Dois deles faleceram em consequ\u00eancia dos ferimentos, totalizando 21 v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o se apurou o fato de os policiais que participaram da a\u00e7\u00e3o terem retirado suas identifica\u00e7\u00f5es das fardas e de terem extraviado as cautelas (documento que relaciona o policial \u00e0 arma utilizada para o crime). Ningu\u00e9m foi investigado em raz\u00e3o de ter retirado os corpos da cena do crime sem a devida per\u00edcia no local. N\u00e3o foi feita a reconstitui\u00e7\u00e3o do crime\u201d, relata Jos\u00e9 Batista Gon\u00e7alves Afonso, advogado da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) de Marab\u00e1, Par\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u2026\u2026\u2026<\/p>\n<blockquote><p><strong>Viol\u00eancia no campo e impunidade<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s n\u00e3o \u00e9 um epis\u00f3dio isolado. Ele tornou-se s\u00edmbolo do padr\u00e3o recorrente de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e injusti\u00e7as cometidas contra camponeses, trabalhadores e trabalhadoras rurais, povos ind\u00edgenas e popula\u00e7\u00f5es tradicionais como quilombolas, pescadores, ribeirinhos, seus advogados e defensores de direitos humanos engajados nas lutas pelo direito \u00e0 terra e recursos naturais no Brasil. A Anistia Internacional Brasil tem acompanhado em especial o caso de La\u00edsa Santos Sampaio. A irm\u00e3 e o cunhado (Maria e Jos\u00e9 Claudio do Espirito Santo) de La\u00edsa foram assassinados em maio de 2011 em Marab\u00e1, Par\u00e1, por sua den\u00fancia da grilagem de terras e destrui\u00e7\u00e3o da floresta. Desde ent\u00e3o, La\u00edsa est\u00e1 amea\u00e7ada de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, o Brasil registrou o maior n\u00famero de mortes por conflitos por terra dos \u00faltimos 12 anos. A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) registrou 50 assassinatos, 144 pessoas amea\u00e7adas e 59 tentativas de homic\u00eddio em conflitos no campo. Os estados de Rond\u00f4nia, Par\u00e1 e Maranh\u00e3o concentram 90% desses casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente no estado do Par\u00e1, entre 1964 e 2014 (40 anos), foram registrados 947 assassinatos de trabalhadores rurais, lideran\u00e7as, religiosos e advogados. As regi\u00f5es sul e sudeste do estado apresentam os \u00edndices mais altos de viol\u00eancia e concentram a maioria dos assassinatos de trabalhadores e lideran\u00e7as ruais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A impunidade estimula a continuidade destes crimes. Dos 40 munic\u00edpios do sul e sudeste do Par\u00e1, 30 possuem taxa de 100% de impunidade em rela\u00e7\u00e3o aos assassinatos de trabalhadores rurais nos \u00faltimos 43 anos.ii \u201cS\u00e3o raros os casos de assassinatos no campo que v\u00e3o a j\u00fari, mais raro ainda que os respons\u00e1veis sejam condenados, e muito mais raro que os condenados cumpram pena. A impunidade, a lentid\u00e3o nas desapropria\u00e7\u00f5es e no cumprimento das demarca\u00e7\u00f5es de terras previstas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal favorecem a viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais\u201d, destaca Roque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A impunidade estimula a continuidade destes crimes. 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