{"id":125379,"date":"2016-04-23T14:12:49","date_gmt":"2016-04-23T17:12:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=125379"},"modified":"2016-04-23T14:12:49","modified_gmt":"2016-04-23T17:12:49","slug":"estado-deve-ressarcir-gastos-com-hospital-particular-por-falta-de-vaga-no-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/estado-deve-ressarcir-gastos-com-hospital-particular-por-falta-de-vaga-no-sus\/","title":{"rendered":"Estado deve ressarcir gastos com hospital particular por falta de vaga no SUS"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"title\"><\/h2>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p>A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica deve ressarcir os gastos de paciente for\u00e7ado a ir a hospital particular por n\u00e3o haver vaga no Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Com esse entendimento, a 3\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o manteve senten\u00e7a da 2\u00aa Vara Federal em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos que condenou a Uni\u00e3o, o estado de S\u00e3o Paulo e a prefeitura desse munic\u00edpio \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o de despesas m\u00e9dicas de um idoso com infec\u00e7\u00e3o renal, que acabou morrendo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/saude-sus-hospital\/\" rel=\"attachment wp-att-45676\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-45676 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/saude-sus-hospital.jpg\" alt=\"saude-sus-hospital\" width=\"277\" height=\"160\" \/><\/a><\/p>\n<p>O valor de R$ 7.171,47, acrescido de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros, deve ser pago ao filho do idoso, autor da a\u00e7\u00e3o. Ele pleiteou o ressarcimento do per\u00edodo de 7 a 10 de dezembro de 2002, quando o pai ficou internado em unidade de tratamento intensivo em um hospital privado\u00a0por n\u00e3o haver vaga na rede p\u00fablica no munic\u00edpio. Posteriormente, em 17 de dezembro, o idoso morreu.<\/p>\n<p>Segundo o ac\u00f3rd\u00e3o, h\u00e1 justificativa suficiente para o ressarcimento das despesas m\u00e9dicas \u00e0 fam\u00edlia do morto. Entre os fundamentos baseados para a concess\u00e3o do pedido est\u00e3o a aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios de responsabilidade solid\u00e1ria dos entes federados, o direito \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade, a dignidade da pessoa humana, a hipossufici\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cFicou demonstrado que os entes federados n\u00e3o mantiveram leitos suficientes em UTI para atendimento pelo SUS, e nem comprovaram que havia leitos dispon\u00edveis no per\u00edodo entre 07 e 10\/12\/2002. \u00c9 de responsabilidade solid\u00e1ria dos r\u00e9us o custeio na interna\u00e7\u00e3o de pacientes em leitos de UTI em hospitais particulares\u201d, destacou a relatora do processo, ju\u00edza federal convocada Eliana Marcelo.<\/p>\n<p>O idoso havia ingressado recentemente em plano de sa\u00fade particular e n\u00e3o havia completado a car\u00eancia necess\u00e1ria para que tivesse acesso \u00e0 interna\u00e7\u00e3o na UTI. Por\u00e9m, o filho do paciente assumiu responsabilidade pelo pagamento das despesas do tratamento, mas n\u00e3o possu\u00eda meios financeiros suficientes para arcar com os custos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o, procurou o servi\u00e7o de Central de Vagas, por leitos em hospitais p\u00fablicos ou particulares conveniados ao SUS, na cidade e regi\u00e3o, para a transfer\u00eancia. Como n\u00e3o obteve \u00eaxito, manteve o pai no hospital particular. A partir de 11 de dezembro de 2002, por\u00e9m, a prefeitura de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos passou a custear o tratamento. No entanto, as despesas do per\u00edodo entre 7 e 10 de dezembro de 2002 ficaram descobertas e foram custeadas pelo autor da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Recursos indeferidos<\/strong><br \/>\nAo negar provimento \u00e0s apela\u00e7\u00f5es, a 3\u00aa Turma do TRF-3 afirmou que n\u00e3o se sustentava a tese defendida pelos entes p\u00fablicos municipal, estadual e federal de que o autor optou por internar o genitor em um hospital particular. Para os magistrados, o SUS deve promover a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os de sa\u00fade necess\u00e1rios a pacientes sem condi\u00e7\u00f5es financeiras conforme determina a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs princ\u00edpios invocados pelo poder p\u00fablico, inseridos no plano da legalidade, discricionariedade e economicidade de a\u00e7\u00f5es e custos, mesmo como emana\u00e7\u00f5es do princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o dos Poderes, n\u00e3o podem prevalecer sobre valores como vida, dignidade da pessoa humana, prote\u00e7\u00e3o e solidariedade social, bases e fundamentos de nossa civiliza\u00e7\u00e3o. O fato \u00e9 que n\u00e3o havia vaga na rede p\u00fablica de sa\u00fade, mas apenas em leitos particulares e, diante do grave estado de sa\u00fade do seu pai (do autor), n\u00e3o teve outra sa\u00edda a n\u00e3o ser lev\u00e1-lo ao hospital particular\u201d, concluiu a relatora.<em>Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Imprensa do TRF-3.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O valor de R$ 7.171,47, acrescido de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros, deve ser pago ao filho do idoso, autor da a\u00e7\u00e3o. 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