{"id":126528,"date":"2016-05-01T11:00:53","date_gmt":"2016-05-01T14:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=126528"},"modified":"2016-05-01T11:00:53","modified_gmt":"2016-05-01T14:00:53","slug":"marcola-quer-fazer-botox","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/marcola-quer-fazer-botox\/","title":{"rendered":"Marcola quer fazer botox"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\"><em>A nova t\u00e1tica do PCC: usar um ex\u00e9rcito de m\u00e9dicos cuja miss\u00e3o \u00e9 obter autoriza\u00e7\u00e3o para que os l\u00edderes da fac\u00e7\u00e3o possam fazer sa\u00eddas tempor\u00e1rias da cadeia \u2014 momento nobre para uma fuga. Marcola, o l\u00edder, aproveitou o embalo para pedir uma esticadinha no rosto<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Kalleo Coura<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"social-bar noindex\" data-social-toolbar=\"\"><\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"CATORZE ANOS NA PRIS\u00c3O:\u2002Marcola, do PCC, desde quando foi preso (1999, \u00e0 esq.) at\u00e9 o registro mais recente, de 2013 (\u00e0 dir.)\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2016\/04\/30\/1833\/pe6Cx\/alx_marcola_original.jpeg?1462051978\" alt=\"CATORZE ANOS NA PRIS\u00c3O:\u2002Marcola, do PCC, desde quando foi preso (1999, \u00e0 esq.) at\u00e9 o registro mais recente, de 2013 (\u00e0 dir.)\" \/><figcaption>CATORZE ANOS NA PRIS\u00c3O: Marcola, do PCC, desde quando foi preso (1999, \u00e0 esq.) at\u00e9 o registro mais recente, de 2013 (\u00e0 dir.)<span class=\"credito\">(L.C. Leite\/AE, Jos\u00e9 Bispo dos Santos Jr, Jonne Roriz\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Com poucas chances de escaparem dos pres\u00eddios de seguran\u00e7a m\u00e1xima onde est\u00e3o confinados no interior de S\u00e3o Paulo, os l\u00edderes do PCC t\u00eam investido em um novo m\u00e9todo para deixar a pris\u00e3o pela porta da frente. A fac\u00e7\u00e3o criminosa chega a gastar at\u00e9 600 000 reais por m\u00eas contratando m\u00e9dicos particulares que visitam a c\u00fapula do bando na cadeia e depois solicitam sua sa\u00edda tempor\u00e1ria para a realiza\u00e7\u00e3o de exames m\u00e9dicos e outros procedimentos. S\u00f3 a penitenci\u00e1ria II de Presidente Venceslau &#8211; que abriga o l\u00edder m\u00e1ximo da fac\u00e7\u00e3o, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola &#8211; registrou 558 atendimentos m\u00e9dicos particulares no ano passado. Quando o pres\u00eddio nega autoriza\u00e7\u00e3o para os exames, o ex\u00e9rcito de advogados a soldo da fac\u00e7\u00e3o recorre \u00e0 Justi\u00e7a. Em Presidente Venceslau, em 106 casos os pacientes conseguiram deixar o pres\u00eddio para atendimento fora dos muros.<\/p>\n<p>Mudar de ares, ainda que por algumas horas, n\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio pequeno para os chefes do PCC &#8211; muitos deles submetidos ao severo Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que prev\u00ea 22 horas por dia na solit\u00e1ria e banho de sol separado dos demais presos. Mas o Minist\u00e9rio P\u00fablico suspeita que haja outros objetivos por tr\u00e1s das sa\u00eddas m\u00e9dicas. &#8220;Esses momentos aumentam a possibilidade de fuga e facilitam a comunica\u00e7\u00e3o com o mundo exterior, algo vital para que as lideran\u00e7as encarceradas repassem ordens aos seus comandados&#8221;, afirma o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que estuda a fac\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Em outubro do ano passado, a pol\u00edcia barrou uma tentativa de resgate que o Minist\u00e9rio P\u00fablico acredita estar diretamente ligada a essa nova t\u00e1tica. Ao invadirem uma ch\u00e1cara em Bauru onde se escondiam dez integrantes do bando, policiais encontraram jalecos e estetosc\u00f3pios. Segundo os investigadores, o plano dos criminosos era usar o equipamento como disfarce para resgatar um integrante do PCC que seria atendido em um hospital da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem sempre a t\u00e1tica de conseguir marcar exames fora do pres\u00eddio d\u00e1 certo. Marcola, por exemplo, teve um pedido para fazer uma resson\u00e2ncia magn\u00e9tica no joelho negado pela Justi\u00e7a &#8211; a administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria conseguiu provar que ele jogava bola com seus comandados todo dia e, portanto, n\u00e3o deveria estar t\u00e3o mal assim. No momento, o n\u00famero 1 do PCC aguarda decis\u00e3o da Justi\u00e7a para fazer &#8211; acredite, leitor &#8211; aplica\u00e7\u00f5es de Botox. Nesse caso, por\u00e9m, tudo sugere que a solicita\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem o prop\u00f3sito de satisfazer a vaidade do chefe da fac\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a aplica\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia \u00e9 um procedimento simples e, se autorizada, pode ser feita na cadeia. No ano passado, Marcola fez dez consultas na pris\u00e3o com m\u00e9dicos particulares &#8211; um deles, dermatologista. Mas o recordista em atendimentos \u00e9 outro l\u00edder do PCC, Rog\u00e9rio Jeremias de Simone, o Geg\u00ea do Mangue. Um dos internos submetidos ao temido RDD, ele recebeu no ano passado nada menos que 44 atendimentos de profissionais de diversas \u00e1reas, incluindo dermatologistas e dentistas.<\/p>\n<p>A fac\u00e7\u00e3o sofreu alguns duros golpes nos \u00faltimos anos. Em 2013, o Minist\u00e9rio P\u00fablico conseguiu mapear toda a estrutura de comando da organiza\u00e7\u00e3o e apresentou \u00e0 Justi\u00e7a a maior den\u00fancia j\u00e1 feita contra o bando. Em seguida, dezessete integrantes da c\u00fapula foram enviados para o RDD. Apesar disso, o PCC continua a se expandir. Em 2006, ele estava concentrado em S\u00e3o Paulo e tinha presen\u00e7a em alguns poucos outros estados, como o Paran\u00e1. Hoje, est\u00e1 espalhado por todo o territ\u00f3rio brasileiro. &#8220;S\u00f3 no Estado de S\u00e3o Paulo, eles est\u00e3o presentes em nove de cada dez pres\u00eddios e possuem ascend\u00eancia sobre 198 000 presos&#8221;, calcula o promotor Gakiya.<\/p>\n<p>No exterior, al\u00e9m de aumentar sua presen\u00e7a em pa\u00edses produtores de maconha e coca\u00edna como Paraguai e Bol\u00edvia, a fac\u00e7\u00e3o agora possui c\u00e9lulas na Argentina, no M\u00e9xico, no Peru e na Col\u00f4mbia. Nos \u00faltimos anos, a menina dos olhos do grupo passou a ser o chamado &#8220;Projeto Princesinha&#8221;, que consiste no desenvolvimento de uma rota pr\u00f3pria para levar a droga para Portugal. O Minist\u00e9rio P\u00fablico j\u00e1 apreendeu planilhas de contabilidade do grupo em que aparece o registro do lucro com a venda para o continente europeu. O volume de droga ainda \u00e9 pequeno, contado \u00e0s dezenas de quilos, mas o potencial \u00e9 enorme. O PCC pode n\u00e3o fazer mais tanto barulho como h\u00e1 dez anos, quando perpetrou uma onda de ataques que aterrorizou S\u00e3o Paulo, mas continua vivo e ativo. E seus l\u00edderes, como se v\u00ea, esbanjam sa\u00fade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova t\u00e1tica do PCC: usar um ex\u00e9rcito de m\u00e9dicos cuja miss\u00e3o \u00e9 obter autoriza\u00e7\u00e3o para que os l\u00edderes da fac\u00e7\u00e3o possam fazer sa\u00eddas tempor\u00e1rias da cadeia \u2014 momento nobre para uma fuga. 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